terça-feira, 30 de novembro de 2010

Let the Children Have a World

Bom feriado!



Beijinhos

{ para os meu filhos}


Filhos:

Não foi um paraíso
  o que para vós sonhei.
Só quis que esta terra fosse limpa
e nela pudessem caminhar descalços
sem que os vossos pés se ferissem
e aprendessem que todo homem
tem direito a sê-lo inteiramente.
Que  mais posso fazer
Para que a vida seja mais que cegueira e cobardia.
Que mais posso fazer
Para manter nos vossos olhos a cor da esperança.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

satisfaz o desejo de requinte ;-)

Estamos quase a chegar ao Natal,
porque pela milionésima vez vejo o Ambrósio e depois...
apetece-me sempre tomar alguma coisa ;-)




Beijinhos com sabor a chocolate ;-)

Os Donos da Guerra

imagem daqui

Texto de Angela Pieruccini ( Rio Grande do Sul)  Psicóloga - Mestrado em Dinâmica dos Grupos, Consultora em empresas em Mudança Organizacional

"Possivelmente o Rio de Janeiro nesse momento simbolize uma das maiores feridas abertas do nosso país:  os resultados da corrupção em todos os níveis, incluindo os mais altos escalões do governo, assim como um comportamento recorrente da  sociedade civil brasileira: ora passiva e sem memória diante dos fatos, ora ingénua e sem crítica diante de imagens abertamente sensacionalistas. Falta apenas cantar o Hino Nacional antes de subir o morro, fazendo justiça entre balas de fuzil e aplausos comovidos da mídia. Protegida, evidentemente.

Assim nascem os heróis. O Governador Sérgio Cabral e o BOPE, tropa de elite da polícia carioca. Esses seriam os “mocinhos”. Os “bandidos”? Traficantes de drogas residentes nas favelas, geralmente pobres, normalmente negros (essa palavra é proibida?), ou seja, somente a ponta do iceberg.

Violentos? Os dois lados, não há mocinhos e bandidos numa Guerra Civil.
Existe apenas terror e morte. Isso tornou-se absolutamente necessário?  Não sei, contudo o exercício de pensar não é um exercício desprezível, bastando um pouco, somente um pouco de reflexão.
Quem seriam de fato os mocinhos e os bandidos, uma vez que até ontem as armas dos traficantes eram fornecidas pela própria polícia e inclusive pelo exército? Estatisticamente está comprovado: 90% das armas usadas no narcotráfico são nacionais. Não está óbvio qual é a sua origem?  Assim como a mesma obviedade garante que isso  estava reconhecido pelas devidas autoridades, normalmente responsáveis  pela segurança da população  e não o contrário.

Delegados, Políticos, Secretários de Segurança, Prefeitos, Governadores. Ainda mais alto? Quem sabe.
Seguindo na linha de raciocínio, onde estão as prisões  dos verdadeiros líderes  do crime organizado? Estes nunca estiveram dentro do Morro do Alemão ou no Vidigal, ainda menos em Bangu I, II, III...ad infinitum. Ah, não. Coberturas no Leblon ou Ipanema, Mansões no Lago Sul de Brasília, talvez Estados Unidos da América.

O mundo não tem fronteiras quando o colarinho é branco e a fortuna imensa, embora manchada de sangue. Para estes também vai ser apontado o fuzil, enquanto eles rezam o último pai-nosso? E os vereadores, deputados e senadores, ou seja,  os membros do legislativo financiados pelo Elias Maluco ou Fernandinho Beira-Mar, cada qual a seu tempo? Não estou presenciando esta sequência post-mortem televisionada, verdadeiro indício de mudanças. 

Se tudo fosse absurdamente simples  de ser solucionado, como mostrado em menos de uma semana, o que estiveram fazendo nossos governantes, inclusive o último, mantendo toda uma população em estado de terror permanente, sofrendo tortura e assassinato de inocentes dia após dia, ano após ano? Se tudo fosse absurdamente simples, ninguém merecia aplausos, e sim no mínimo tornar-se inelegíveis, pelo tempo onde nada fizeram, pelos interesses ocultos na situação, pelas vidas humanas desperdiçadas.

Porque até então, não era conveniente a solução.
De repente, e de forma estranha logo após uma eleição presidencial, tudo tornou-se absurdamente simples. E minha sensação é de estar num circo mambembe, fazendo parte de um  espetáculo de quinta categoria. No papel de palhaço. Mas um palhaço de sorriso amargo, que deixa um fio de lágrimas borrar toda a maquiagem. Pensando no jornalista brutalmente assassinado porque foi “impossível” achar seu cativeiro naquele momento.

Agora parecem achar até o que nunca existiu. Pensando nas balas perdidas ceifando gente e mais gente, enquanto estes mesmos governantes gritavam nos jornais que não havia soluções. Agora havia soluções. Pensando nos chefes do Comando Vermelho, Terceiro Comando, etc...liderando “arrastões” desde o interior dos presídios. Com a conivência  de todos, se piscar, até de Jesus Cristo e os Apóstolos.

O sistema sempre alimentou esta guerra, pois as mesmas autoridades agora posando para fotos cinematográficas, sempre puderam  fazer o que agora foi feito. Se isso ocorreu, o próprio sistema assim decretou. Mas com limites, nada de subir até onde estão os verdadeiros mandantes, os verdadeiros milionários da droga. Basta a favela, as câmaras de tv e um batalhão saído dos filmes de “Rambo, Programado Para Matar”. Chega para o povo e para os turistas que necessitam vir na Copa e nas Olimpíadas.

Contudo, agora é nossa responsabilidade fazer subir, tornar o teatro uma peça real. Senão a tendência será  uma “falsa”paz por um período breve de tempo, até tudo recomeçar. Quando a raiz não é cortada, todas as árvores renascem. Em maior ou menor tempo.
É nossa responsabilidade tirar o dominó de palhaço. Pode ser que assim, finalmente, sejamos respeitados."
***


Depois de publicar este post e ler o comentário da amiga Salete Cattae, peço-vos que espreitem este


***

 Por último, aproveitem a sugestão do amigo Rogério Pereira e leiam também



Beijinhos


domingo, 28 de novembro de 2010

"Contra-informação"-O Final


O programa Contra-informação já durava há muitos anos na RTP, mas não deixa de ser uma notícia triste ter acabado.
Na minha opinião, era um dos programas mais bem escritos da televisão portuguesa, e contribuía para o envolvimento do comum cidadão na política do seu país.
Tenho reservas quanto ao facto de o conceito estar esgotado. Como as coisas andam, não me espantaria que tenha sido pelo preço dos bonecos ;-)

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Águas de Março {em Novembro }

Desejo-vos um excelente fim de semana !




É pau é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho...

É um caco de vidro
É a vida é o sol
É a noite é a morte
É um laço é o anzol...

É peroba do campo
É o nó da madeira
Caingá, Candeia
É o matita-pereira...

É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É um mistério profundo
É o queira ou não queira...

É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga é o vão
Festa da Cumeeira...

É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira...

É o pé é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira...

É uma ave no céu
É uma ave no chão
É um regato é uma fonte
É um pedaço de pão...

É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto um desgosto
É um pouco sozinho...

É um estrepe é um prego
É uma ponta é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta é um conto...

É um peixe é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando...

É a lenha é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada...

É o projecto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama é a lama...

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã...

São as águas de Março
Fechando o verão
E a promessa de vida
No teu coração...

É uma cobra é um pau
É João é José
É um espinho na mão
É um corte no pé...

São as águas de Março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

É pau é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho...

É um passo é uma ponte
É um sapo é uma rã
É um belo horizonte
É uma febre terçã...

São as águas de Março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

-Pau, -Edra, -Im, -Inho
-Esto, -Oco, -Ouco, -Inho
-Aco, -Idro, -Ida, -Ol
-Oite, -Orte, -Aço, -Zol...

São as águas de Março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração...

Elis Regina
Composição: Tom Jobim



Passar por uma fase boa ou menos boa não quer dizer que ela veio para ficar {por mais que ela dure, ela vai passar}.
Vivemos de transitoriedades, e isso é o que mais assusta e mais encanta no viver.
As águas correm, as águas lavam, o sol sempre reaparece para aqueles que colocam o rosto para fora da janela.


Beijinhos

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher




Em 1999, as Nações Unidas (ONU) designaram oficialmente 25 de Novembro como Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
Antes desta indicação da ONU, o dia 25 de Novembro já era vivido pelo movimento internacional de mulheres.
A data está relacionada com a homenagem a Tereza, Mirabal-Patrícia e Minerva, presas, torturadas e assassinadas em 1960, a mando do ditador da República Dominicana Rafael Trujillo.

Fonte: Rede Feminista de Saúde e OCDE

Nos primeiros dez meses do ano foram assassinadas em Portugal pelo menos 30 mulheres vítimas de violência doméstica, mais uma do que em 2009. Em 20 por cento dos casos, os homicidas, normalmente maridos das vítimas, mataram uma segunda pessoa, quase sempre um filho. Contabilizando todas as situações, são pelo menos 36 as vítimas mortais em contexto de violência doméstica este ano no país.

ler mais aqui

Estima-se que mais da metade das mulheres agredidas sofram caladas e não peçam ajuda. A maioria sente-se sozinha, com medo e vergonha, dependem emocionalmente ou financeiramente do agressor; outras acham que “foi só daquela vez” ou que, no fundo, são elas as culpadas pela violência; outras não dizem nada por causa dos filhos, porque têm medo de apanhar ainda mais ou porque não querem prejudicar o agressor, que pode ser preso ou condenado socialmente.

Quando pedem ajuda, em geral, é a outra mulher da família, como a mãe ou irmã, ou então alguma amiga próxima, vizinha ou colega de trabalho. Já o número de mulheres que recorrem à polícia é ainda menor. Isso acontece principalmente no caso de ameaças com armas de fogo, depois de espancamentos com fracturas ou cortes e ameaças aos filhos.
 
 
 
Beijinhos




quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Apenas uma mulher

Brown Eyes  define-se assim no seu blogue " JUST A WOMAN":
"Alguém que considera a Felicidade o único objectivo a atingir. Para ser feliz é preciso alcançar o grau de conhecimento que permita, sempre, dar espaço ao outro e admitir que a verdade, tal como tudo, é subjectiva, irreal e ilusória."
 Eu defino-a como uma GRANDE MULHER, corajosa, lutadora, íntegra e verdadeira, possuidora de uma escrita inteligente, directa e emotiva.
Cada palavra sua revela sabedoria e experiência de vida. É com enorme orgulho que a considero amiga, que sigo os seus blogues e que a tenho aqui diariamente como comentadora assídua.
 Neste dia de unidade nacional, a voz das mulheres não podia estar melhor representada, publico aqui na íntegra o seu post de hoje:



"As calças não eram apenas o símbolo do poder masculino, mas da separação dos sexos, e uma mulher que vestia calças era acusada de se travestir. Era considerada uma ameaça à ordem natural, social, moral, à ordem pública estabelecida".
Christine Bard in Une histoire politique du pantaloon.



Hoje recordei mulheres como George Sands, mulher rebelde e independente que se vestia como um varão, no século XIX, lutando, assim, contra o poder do homem, Chanel que criou as primeiras calças para mulheres, provocando grande polémica. Não esqueçi Mary Phelps Jacob, que em 1910 patenteou o primeiro sotien moderno, com o sucesso que lhe conhecemos hoje, Catarina de Médicis, rainha, casou com Henry II da França, que inventou o salto alto próximo ao que se conhece hoje, Mary Quant quem, nos anos 60, cria a mini-saia, chocando muitas pessoas, a Drª Carolina Angelo, médica e viúva, que na sua qualidade de chefe de família e na ausência de disposição expressa excluindo o sexo feminino da capacidade eleitoral activa, reclamou para um juiz a sua inclusão no recenseamento eleitoral, tendo sido deferida a sua pretensão.
Relembrei todas as pessoas que contribuíram, lutaram, sofreram pelos seus ideais para que eu hoje possa optar, para que eu hoje possa dispor da minha vontade, para que possa, sem problemas, sem ser recriminada, sem ser apontada, sem ser insultada, ter liberdade de decisão. Relembrei todos aqueles que se uniram, lutando, para que eu tenha direitos no trabalho: o direito à greve, o direito a férias, o direito ao subsídio de Natal e Férias, o direito a faltar, o direito a eleger quem defenda os meus direitos, o direito a reclamar quando sou alvo de injustiça, o direito ao descanso, o direito a um aumento anual, o direito à reforma.
São todos eles que me gritam, do cantinho onde se encontram, não te deixes vencer, não consintas que anulem a nossa luta, não permitas que te tirem tudo o que conquistámos para ti, não colabores com a aniquilação do trabalhador, não permitas que o medo vença a razão, lembra-te que tudo o que deixares roubar serão direitos a menos para os teus filhos. Não dizes que queres um mundo melhor para eles? Demonstra-o.
Nunca pensámos no dinheiro que iríamos perder lutando, nunca o medo nos fez baixar os braços, nunca arranjámos uma desculpa para, cobardemente, esperarmos que alguém lute para nós beneficiarmos.
Que seria de mim hoje, como seria o meu mundo se não tivesse havido Homens e Mulheres combatentes, arrojados, destemidos, valentes, afoitos, audazes, ousados e corajosos?

“Enquanto o tímido reflecte, o valente vai em frente, triunfa e volta”
Provérbio Grego

Brown Eyes em Greve "


Beijinhos

O eterno conflito ;-)



Beijinhos

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Abba - I Have A Dream



Lutar pelos sonhos!

no blogue



A vossa visita e o vosso comentário no blogue "A Voz das Palavras" são muito importantes para todos que nele colaboram.
Beijinhos

"Uma Dor Silenciosa"

Francisco Guerra é uma das vítimas de abusos sexuais na Casa Pia de Lisboa e ontem mais uma vez, o Francisco teve a coragem de abordar a sua dor, a dor de uma vida.
A entrevista que concedeu a Judite de Sousa [ que achei um pouco distante e fria] foi para mim esclarecedora e muito emocionante.
Todos sabemos que ser vítima de abusos sexuais é um estigma para a vida inteira [para não falar das marcas físicas e psicológicas] mas o Francisco é a prova de que é possível assumir os factos sem perder a dignidade e sem perder o olhar limpo, triste, mas limpo.

Na minha mente, fica uma pergunta sem resposta :
 -Até quando os responsáveis por tais atrocidades ficarão impunes, até quando?

*
Lançamento do livro de Francisco Guerra,
"Uma Dor Silenciosa"


Na próxima quinta-feira, dia 25 de Novembro, às 21 horas, vai realizar-se o lançamento do livro “Uma Dor Silenciosa”, de Francisco Guerra, considerado a principal testemunha dos processos “Casa Pia”. A sessão tem lugar na Livraria LeYa na Barata, em Lisboa. A apresentação do livro será feita pela Dra. Catalina Pestana.


  • Sinopse:
«Desde os anos 70, pelo menos, que está activa também em Portugal uma rede internacional de pedofilia que envolve as crianças e os adolescentes da Casa Pia. No nosso país há personalidades do mundo da política, do futebol, empresários e artistas, alguns deles ainda no activo e outros não, que estão implicados na rede. Agora, por causa do processo, todos esses pedófilos e os seus cúmplices estão quietos. Mas a rede não foi desmantelada. Em lugares-chave da Casa Pia estão funcionários que dentro de um ou dois anos, tenho a certeza, activarão mais uma vez este polvo medonho porque, cá fora, estão os pedófilos que nunca foram a tribunal e que continuarão a querer crianças por perversão. Infelizmente, eu sou apenas um empregado de mesa, sem dinheiro. Não tenho quem me proteja e não tenho quem me defenda. Preocupo-me com o que possa acontecer no futuro às crianças que estão na Casa Pia e a outras crianças portuguesas que, não sendo alunas da Casa Pia, também poderão ser apanhadas nesta rede, como aconteceu no passado.»
«Conto a minha história por três razões: a primeira de todas é para que a Casa Pia não seja esquecida e não deixe de estar na mira do país inteiro e, sobretudo, de quem deve zelar por ela […]; em segundo lugar, para que toda a gente saiba a verdade sobre o que realmente se passou; em terceiro, e esta é a menos importante das três razões, porque talvez seja uma maneira de eu conseguir encerrar um capítulo muito triste e muito doloroso da minha vida. Embora saiba que nunca conseguirei esquecer o que se passou...»
Francisco Guerra


  • Sobre o autor:

Francisco Guerra nasceu na Damaia a 27 de Outubro de 1985. Foi retirado da guarda da família com cerca de cinco anos, idade em que é recebido, pela primeira vez, numa instituição de solidariedade social: o Lar Evangélico Português, em Águas Santas. Uns anos mais tarde, é transferido para a Casa Pia de Lisboa, onde chega no dia 4 de Maio de 1998. Fica instalado no Lar Alfredo Soares e aí passa alguns dos anos mais difíceis da sua juventude, por ser vítima de diversos abusos sexuais. Esta situação culmina com o início do processo Casa Pia, que incrimina várias pessoas da própria instituição, bem como da vida política portuguesa. Francisco Guerra conta à Polícia Judiciária o que sabe sobre o assunto, tendo em conta o seu suposto envolvimento no caso, acabando por ser considerado pela Polícia Judiciária e pelo Ministério Público, uma das principais testemunhas do processo. Hoje em dia, trabalha como empregado de mesa e, em simultâneo, estuda canto. O seu sonho é tornar-se tenor e levar a sua música aos outros.
in : marcadordelivros.


Beijinhos

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O maior abraço do mundo

O Cristo Redentor "fechou" os braços, num abraço simbólico ao Rio de Janeiro, no  passado dia 19 de Outubro. O efeito - uma ilusão de óptica provocada por projecção de luzes e imagens - faz parte da campanha "Carinho de Verdade", de combate à violência e exploração sexual de crianças.
Para simular o abraço, o cineasta Fernando Salis usou oito projectores, que cobriram a estátua com imagens do Rio, com sobrevoos de asa-delta, as florestas e até mesmo o trânsito.
Ao som de Bachianas Brasileiras n.º 7, de Villa Lobos.

Convido-os a assistir, com especial atenção para o final:



Desejo-vos uma excelente semana.
Beijinhos

EMPLASTRO

emplastro
s. m.
1. Preparação terapêutica adesiva destinada ao uso externo.
2. Fig. Remendo; conserto malfeito.
3. Pessoa que está sempre doente.
4. Pessoa que não tem energia, que não tem iniciativa.
5. Pessoa desajeitada.
emplastro de São Fiacre: O mesmo que unguento de São Fiacre.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

 Não! 
Não estou a falar do significado da palavra emplastro.


Nem sequer deste emplastro já por nós bem conhecido ;-)

 
Nem sequer deste benéfico emplastro, usado para tantas maleitas.


Estou a falar

DESTE EMPLASTRO!!!




How to make money online easy

The easiest way to earn money by working from home

Alguém sabe de uma maneira de acabar com tal
EMPLASTRO
 que de minuto a minuto empesta o meu computador e não me deixa sossegada,
tentando-me com a promessa de eu vir a ser milionária fácilmente.

LIVRA!!!
Não há paciência.


Beijinhos

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

"Ave Mundi Luminar"


Bom fim de semana.

"Ave Mundi" de Rodrigo Leão cantada por Ângela Silva, professora no Coral Luisa Todi em Setúbal.
{Original de 1993, "Ave Mundi Luminar" foi sem dúvida um marco importante na música portuguesa para o ex-membro dos Madredeus.}


Beijinhos

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Rui Veloso

 
Rui Veloso tem estado a comemorar os 30 anos da sua carreira, foi em Julho de 1980 que lançou “Ar de Rock”, o álbum que marcou o início do seu excelente percurso na música portuguesa.

Quem não se lembra do “Chico Fininho” - o “freak da Cantareira” – “que gingava pela rua ao som do Lou Reed”, este tema fez furor e foi um dos mais trauteados no verão de 1980- { o que eu dancei ao som desta música.}
Para assinalar a data, Rui Veloso disse à Lusa:
"Tenho vontade de fazer um disco de parcerias, revisitar os meus temas destes últimos trinta anos, podem ser temas mais obscuros, e fazer parcerias com cantores, músicos portugueses e não só. Pessoas de quem eu gosto"

Podia escolher qualquer tema dele, pois gosto de todos , mas optei pelo
" Anel de Rubi "
 pois aprendi com ele um grande lição:

"...não se ama alguém que não ouve a mesmo canção." ;-)






Se quiserem ainda vão a tempo de o ver hoje no Coliseu dos Recreios em Lisboa.

Podem ver aqui  todo seu percurso musical.

Beijinhos

A austeridade é perigosa - Mark Blyth

A receita da austeridade é-nos mostrada como inevitável e do senso comum.
Mark Blyth, professor de economia, mostra-nos porque é que não é bem assim.

Vale a pena perderem uns minutos a ver este vídeo.
 Instrutivo...ECONÓMICA E POLITICAMENTE... 

Beijinhos

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Insónias

 "DORMIR BEM"
É algo que se eu pudesse...
 ROUBAVA !
A quem tem este prazer.
               

Deito-me. Adormeço. Acordo. Recomeço.
Alguns pensamentos.
Sensações.
Mexo-me.Viro-me. Destapo-me. Arrefeço.
Mais pensamentos.
Tentações.
Reviro-me. Tapo-me.Transpiro. Enlouqueço.
Cem pensamentos.
Alucinações.
Conto carneiros. Mato carneiros. C'um caneco.
Mil pensamentos.
Maldições.
Decido-me. Levanto-me. Não mereço.
Maus pensamentos.
Palavrões.

Fê ;-))
Bons sonos, que inveja ;-)


Beijinhos

terça-feira, 16 de novembro de 2010

"José e Pilar"

"Se eu tivesse morrido antes de te conhecer, Pilar, teria morrido sentindo-me muito mais velho. Aos 64 anos, a minha segunda vida começou. Não posso queixar-me."
José Saramago

*
Esteve presente na última edição do DocLisboa 2010, já estreou nas salas de cinema brasileiras, ganhou prémios internacionais, é um sucesso de crítica , chega aos cinemas portugueses a 18 de Novembro e terá antestreia hoje dia 16 de Novembro, data do aniversário de Saramago.

José e Pilar é um documentário intimista que mostra a relação do escritor José Saramago com a sua mulher Pilar Del Río, é realizado pelo português Miguel Gonçalves Mendes.
Dos mesmos produtores de Cidade de Deus  e Fala com Ela , José e Pilar acompanha o processo de criação de Saramago durante a escrita do seu livro ‘A Viagem do Elefante’, mostrando também o dia-a-dia do casal em Lanzarote e Lisboa, na sua casa e em viagens de trabalho por todo o mundo.

Este filme, que obrigou a um trabalho de produção constante durante 4 anos, conta com a participação adicional de nomes que, de certa forma, tiveram uma relação directa com a vida do falecido escritor português. Fernando Meirelles, Gael García Bernal e Paco Ibáñez são algumas dessas personalidades. Outro aspecto importante a ter em conta é a banda sonora, juntando nomes como Adriana Calcanhoto, Camané, Bruno Palazzo, Noiserv, entre muitos outros…

Como curiosidade, é de salientar que o realizador acabou a rodagem desta longa-metragem com cerca de 240 horas de filmagens e a equipa de produção acompanhou José Saramago e Pilar Del Río por países como Finlândia, Brasil e Portugal.



Beijinhos

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

" Happy Town "



Peço-vos que façam comigo uma viagem até "Happy Town", a cidade onde todos os seus habitantes são felizes, inteligentes e realizados.
Mas, para que nesta cidade isso possa acontecer há uma exigência:
-Uma única criança, tem que ser infeliz.
Essa criança, é presa numa cela imunda, na escuridão e miséria , mantida somente com a comida e a água necessária para sobreviver.
Todos os cidadãos de "Happy Town" sabem desta realidade, descobrem-na quando têm a idade "certa" para a compreender.
Após descobrirem a verdade, a maioria das pessoas felizes de "Happy Town"  fica inicialmente chocada, mas acaba por concluir que se a criança fosse libertada e levada à luz do Sol, toda a prosperidade, beleza e deleite da cidade seria destruída, então aceitam, e passa a ser o seu segredo, um segredo colectivo, tacticamente ignorado.
Entretanto, alguns cidadãos, homens e mulheres, jovens e velhos, resolvem sair silenciosamente da cidade, afastando-se para longe.
Eles deixam tudo para trás. Eles andam adiante na escuridão, e nunca mais voltam. Vão para um lugar ainda menos imaginável que a cidade da felicidade.
Eu realmente não posso descrevê-lo. É possível até que não exista.
Mas, eles parecem saber para onde vão.

E tu, qual seria a tua escolha?
*
Gostaria dos vossos comentários no blogue

Beijinhos

inspirado no conto de Ursula K.Le Guin

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Joe Cocker - With A Little Help From My Friends



BOM FIM DE SEMANA

" To all  my friends" 

Beatriz Costa

"Sou uma mulher que lutou e conhece o pão que os oportunistas amassam. O que vale é que sou de boa cepa e fui amamentada a pão de milho e tive a água limpa do rio da minha avó."



"Nem todos os oportunistas do mundo teriam argumentos para me convencer de que o meu povo já era isto que eles pretenderam mostrar-me nos últimos tempos. Não! A minha gente é simples, boa, humilde e de boa-fé.
Um dia  havemos de ter a confirmação do que acabo de escrever...
...Povo triste. Povo bom e ingénuo, que só tem servido de degrau para esta "malta" sempre pior do que aquela que a antecedeu
Eu não sou nem nunca fui, nada, mas, de um dia fosse qualquer coisa que valesse a pena, só me atirava para o lado desta gente infeliz, que não é saloia e passa a vida a "enfiar barretes"..."



Embora de uma geração anterior à minha, Beatriz Costa, foi e é uma mulher que admiro, guardo dela a imagem de uma pessoa calorosa, maliciosa, irrequieta e irreverente, para além do corte de cabelo que se tornou inconfundível.
Uma saloia que teve o privilegio de estudar  em La Sorbonne, Paris.  Casou com Edmundo Gregorian poeta,escritor  e escultor brasileiro que lhe deixou a sua fortuna.
Deu três voltas ao mundo e visitou os museus mais famosos. Estranho que tenha vivido o inverno da vida no luxuoso Hotel Tivoli de Lisboa e não num rústico palacete na sua Charneca do Milharado, Malveira.
Quando se retirou da vida artística decidiu escrever livros biográficos «Sem Papas na Língua», 1975,  "Mulher sem Fronteiras" e «Quando os Vascos eram Santanas», 1977.
Li este último quando do seu lançamento, e guardo-o até hoje com muito carinho e respeito por uma mulher absolutamente extraordinária.
O excerto que escolhi, embora obviamente dentro de outro contexto, tem uma mensagem que podia se aplicar à actualidade.




beijinhos

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dia de S. Martinho

Lembrei-me só agora que hoje é dia de S. Martinho ;-)

O dia de S. Martinho comemora-se no dia 11 de Novembro.
Diz a lenda que quando um cavaleiro romano andava a fazer a ronda, viu um velho mendigo cheio de fome e frio, porque estava quase nu.
O dia estava chuvoso e frio, e o velhinho estava encharcado.
O cavaleiro, chamado Martinho, era bondoso e gostava de ajudar as pessoas mais pobres. Então, ao ver aquele mendigo, ficou cheio de pena e cortou a sua grossa capa ao meio, com a espada.
Depois deu a metade da capa ao mendigo e partiu.
Passado algum tempo a chuva parou e apareceu no céu um lindo Sol.


*

  Receita de castanhas assadas da Fê

A minha maneira de assar castanhas, é muito prática e rápida. Tambem as faço no forno, mas gosto mais assim porque não ficam tão secas.

Num tacho de fundo térmico deitam-se as castanhas retalhadas, salpicam-se de sal, tapa-se o tacho e acende-se o fogão. De vez em quando agita-se o tacho (sempre tapado) para que as castanhas do fundo não queimem. Ao fim de 25 min, verificar se já estão assadas. Apagar o lume e servir.

Mas, do que eu tenho mesmo saudades,
É DESTAS!

Bom apetite!
beijinhos

- Sei que não vou por aí !


José Régio foi uma das mais lúcidas consciências literárias do seu tempo. Possuidor de uma sensibilidade rara, deixou nos múltiplos vectores da sua actividade intelectual as marcas inconfundíveis do seu talento criador e da firme personalidade que o caracterizava.
Este poema, na época perturbou algumas mentalidades, mas era uma forma de José Régio lutar pelos valores que ele achava serem os melhores.
Passados tantos anos,  este belíssimo poema faz ainda todo o sentido.


Poema - Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira


Apreciem a notável declamação deste poema por João Villaret.

Beijinhos

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mário Viegas

Mário Viegas se fosse vivo faria hoje 62 anos

Mário Viegas nasceu "meia hora antes do dia de S. Martinho", como ele próprio costumava dizer com uma ponta de ironia. Homem de teatro, homem de esquerda, amante da poesia, das artes – de todas as artes –, da vida e de um bom copo de tinto. Mário Viegas era, apenas, um homem de excepção, a personificação da irreverência.

Mário Viegas deixou-nos a 1 de Abril de 1996.
"Era um cómico que levava dentro de si uma tragédia. Não me refiro à implacável doença que o matou, mas a um sentimento dramático da existência que só os distraídos e superficiais não eram capazes de perceber, embora ele o deixasse subir à tona da expressão às vezes angustiada do olhar e ao riso sempre sardónico e amargo da boca. Fazia rir, mas não ria. Pouca gente em Portugal tem valido tanto."
José Saramago (in Cadernos de Lanzarote)



Porque a vida é uma peça de teatro em vários actos e de múltiplas cenas.
Porque a vida, umas vezes é um ensaio ou um drama, por vezes uma comédia, fica o sentimento de ter aprendido algo com este homem, cujo infortúnio da doença, o levou de nós cedo demais.



Beijinhos

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Parabéns Inês



Faz hoje 21 anos que fui mãe pela segunda vez
duma princesa
a quem dei o nome de rainha.


@

Parabéns Inês
Este é o teu dia.
*

És o meu sol
O meu sorriso
Outra maneira de eu ser feliz
És a minha flor 
A minha luz
A menina que eu sempre quis
És a primavera
Um passarinho
Aquela princesa sempre a sorrir
És o meu mar
O meu destino
Uma mundo inteiro a descobrir
És a minha âncora
O meu navio
A minha grande e eterna ilha
És a minha vida
O meu rumo
És a minha vida, a minha filha

*

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Só vos peço...três coisas ;-)

  • - Que tenham uma semana com muito humor { neste caso, humor negro}:-)

    • - Que gostem do novo visual do meu blogue ;-)
    •   - Que sorriem, sorriem sempre ! { apesar da crise }.
    •   
      Não preciso me drogar para ser um génio
      Não preciso ser um génio para ser humano
      Mas preciso do seu sorriso para ser feliz.
      Charles Chaplin



      Beijinhos

      sexta-feira, 5 de novembro de 2010

      Transparência de um sorriso


      Saiu rapidamente de casa, mas antes de entrar no carro, resolveu tomar um café.
      Lá dentro, o ambiente quente do pão a cozer, o cheiro do café, e um breve odor adocicado dos bolos, fez com que se lembrasse como sentia frio, um frio vindo de dentro, intenso, que não a largava e a consumia.
      Estava-se realmente bem ali, olhou para o relógio, e embora estivesse atrasada, pensou que mais uns minutos não iriam fazer diferença, afinal pouco lhe importava se chegava ou não a tempo.
      Lá fora, o som de gargalhadas recordou-lhe outros dias, em que de mão dada, entrava com ele, neste mesmo sitio quente e de cheiro acolhedor....tanto tempo já passou.
      Sentou-se a beber o café fumegante, com o olhar vagueando.
      Um pardalito, debicando o chão, foi entrando devarinho. Estacou em cima do tapete largo, do lado de dentro do estabelecimento. Saltitou, debicando, como todos os pardais. Migalhas esquecidas, perdidas, caídas dos embrulhos de papel que envolvem o pão.
      Um pardal no chão de um café, lembrando-lhe, que mesmo quase no inverno, o sol pode brilhar no céu azul.
      Um súbito calor reconfortante percorreu-lhe o corpo.
      O pássaro indiferente saiu, debicando.
      No seu rosto, a transparência de um sorriso.


      {Para a fábrica de letras, desafio de Novembro "Transparência"}

      Tragedy - Bee Gees



      BOM FIM DE SEMANA!
      Beijinhos

      quinta-feira, 4 de novembro de 2010

      A Cena do Ódio

      Desabafem, gritem , protestem!

      auto-retrato de Almada Negreiros

      Há muitos anos ouvi Mário Viegas dizer A Cena Do ódio, de Almada Negreiros, o poeta sensacionista e Narciso do Egipto – como se descrevia e assinava.
      Fiquei atónita. Absolutamente vergada ao peso da mensagem acabada de ouvir.Impressionaram-me (autor do poema e seu intérprete) pelo ritmo alucinante, numa cadência intencional de sons, sílabas e palavras, dando largas a um sadismo que, a um só tempo, tudo e todos exalta e arrasa, vícios e virtudes, marginalizados e bem sucedidos, vencedores e derrotados, “religiosos sexualmente frustrados” e peraltas, tanto aristocratas e intelectuais, como gente simples e operários, ou um dos seus “bombos” preferidos, o burguês, tal como os políticos e os jornalistas, as rameiras e as virtuosas damas…

      Tudo dum folgo, com uma força estonteante, num poema desbragado, intenso, louco e soberbo, a que Mário Viegas emprestou igual força e muita arte.
      Se o poema, em si, tem uma força extraordinária, dito por Mário Viegas ganha ainda uma muito maior força e dimensão.
      Mais tarde, li o poema na sua totalidade. Mas a minha leitura, o meu ritmo, a minha cadência não me satisfaziam porque não tinha nada a ver com o poema que ouvira dito pelo Mário Viegas.E era esse poema, mas dito daquela forma arrasadora, que eu queria ouvir, de novo.
      E desatei à procura dele. Difícil. Por mais que procurasse… Não encontrava.
      Eis senão quando… passados mais de trinta anos… …Descobri-o!!! (este vídeo é o primeiro de  três).
      Refastelei-me. Fechei os olhos. Ouvi e deliciei-me, de novo.
      Espero proporcionar-vos este mesmo prazer.




      Tu, que te dizes Homem!
      Tu, que te alfaiatas em modas
      e fazes cartazes dos fatos que vestes
      p'ra que se não vejam as nódoas de baixo!
      Tu, qu'inventaste as Ciências e as Filosofias,
      as Políticas, as Artes e as Leis,
      e outros quebra-cabeças de sala
      e outros dramas de grande espectáculo
      Tu, que aperfeiçoas sabiamente a arte de matar.
      Tu, que descobriste o cabo da Boa-Esperança
      e o Caminho Marítimo da índia
      e as duas Grandes Américas,
      e que levaste a chatice a estas Terras
      e que trouxeste de lá mais gente p'raqui
      e qu'inda por cima cantaste estes Feitos...
      Tu, qu'inventaste a chatice e o balão,
      e que farto de te chateares no chão
      te foste chatear no ar,
      e qu'inda foste inventar submarinos
      p'ra te chateares também por debaixo d'água,
      Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas
      e que nunca descobriste que eras bruto,
      e que nunca inventaste a maneira de o não seres
      Tu consegues ser cada vez mais besta
      e a este progresso chamas Civilização!
      Vai vivendo a bestialidade na Noite dos meus olhos,
      vai inchando a tua ambição-toiro
      'té que a barriga te rebente rã.
      Serei Vitória um dia -Hegemonia de Mim!
      e tu nem derrota, nem morto, nem nada.
      O Século-dos-Séculos virá um dia
      e a burguesia será escravatura
      se for capaz de sair de Cavalgadura!
      Hei-de, entretanto, gastar a garganta
      a insultar-te, ó besta!
       ...

      Cena do ódio
      A Álvaro de Campos a dedicação intensa de todos os meus avatares.
      Foi escrito durante os três dias e as três noites que 
      durou a revolução de 14 de Maio de 1915
      
      Almada Negreiros 

      Beijinhos

      Últimas notícias referentes a Sakineh

      As autoridades iranianas desmentiram hoje veementemente que Sakineh Ashtiani, a mulher condenada à morte por adultério e homicídio, tenha já sido executada. E que nem mesmo foi ainda produzido em tribunal o veredicto final, segundo garantiu o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manouchehr Mottaki, ao homólogo francês, Bernard Kouchner.
      A condenação de Ashtiani provocou uma onda de protesto 
internacional 
      A condenação de Ashtiani provocou uma onda de protesto internacional 
       (Stefano Rellandini/REUTERS)

      quarta-feira, 3 de novembro de 2010

      Salvar Sakineh antes que seja tarde demais!


      Sakineh será executada hoje no Irão diz ONG



      A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, cuja condenação a morrer apedrejada provocou uma onda de manifestações na comunidade internacional, será executada hoje, tal como indica o Comité Internacional contra Apedrejamento.

      As autoridades iranianas ordenaram executá-la na prisão de Tabriz, onde Sakineh está detida, detalha a organização em comunicado divulgado em seu site

      O Comité Internacional contra o Apedrejamento já tinha informado no último dia 11 que o filho de Sakineh tinha sido detido pela Polícia iraniana junto ao advogado de sua mãe e a dois jornalistas alemães que pretendiam entrevistá-lo.

      O Governo de Berlim confirmou posteriormente a detenção dos dois cidadãos alemães, identificados pela imprensa como jornalistas do jornal "Bild am Sonntag". Eles foram presos no dia 10 de Outubro, na cidade iraniana de Tabriz (noroeste).

      Sakineh Ashtiani, de 43 anos, mãe de dois filhos, foi condenada à morte por apedrejamento em 2006 por ter mantido relações sexuais com dois homens após a morte de seu marido.

      Mas tarde, também foi acusada de ser cúmplice no assassinato de seu marido e, desde então, permanece detida na prisão de Tabriz, no norte do país.

      A mobilização da comunidade internacional aumentou depois que o presidente Lula da Silva - que mantêm boas relações com o governante iraniano, Mahmoud Ahmadinejad - ofereceu asilo político a Sakineh, reivindicação que foi rejeitada pelas autoridades do Irão.
      *

      Como é possível que em pleno século XXI surjam notícias como esta e se assistam a actos de perfeita irracionalidade e selvajaria.
      Hoje, uma mulher será morta por apedrejamento, acusada de ser infiel ao marido.
      Sentada aqui, sinto-me completamente impotente perante tamanha atrocidade.

      Vamos unir as nossas vozes, os nossos protestos a nossa repulsa!


      Beijinhos

      terça-feira, 2 de novembro de 2010

      "Avec le Temps" * Leo Ferré

      Nostálgico, mas belíssimo para um bom início de semana.

      Léo Ferré (1916-1993)

      Aqueles que já contam mais de 50 anos, por certo apreciarão ouvir a poesia e a voz de Léo Ferré,
      esse magnífico escritor e cantor, nascido no Mónaco em 1916 e falecido em 1993.
      Esta canção, Avec le Temps é de 1970 fazendo parte de um dos discos mais relevantes de Léo Ferré
      o duplo álbum "Amour Anarchie" . 
      Todos os que então o ouviam, apreciavam garantidamente a beleza das palavras, a música que as acompanhava e ainda, ou sobretudo, a sensibilidade, a expressão, a emoção, que ele lhes imprimia. 

      Poderia colocar aqui muitos dos seus sucessos, escolhi colocar "Avec le Temps"
      porque quero-vos fazer esta pergunta:

      - Com a passagem do tempo, será que tudo termina?








      Avec le temps...
      Avec le temps, va, tout s'en va
      On oublie le visage et l'on oublie la voix
      Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
      Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien
      Avec le temps...
      Avec le temps, va, tout s'en va
      L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
      L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
      Entre les mots, entre les lignes et sous le fard
      D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
      Avec le temps tout s'évanouit
      Avec le temps...
      Avec le temps, va, tout s'en va
      Mêm' les plus chouett's souv'nirs ça t'as un' de ces gueules
      A la Gal'rie j'farfouille dans les rayons d'la mort
      Le samedi soir quand la tendresse s'en va tout seule
      Avec le temps...
      Avec le temps, va, tout s'en va
      L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien
      L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
      Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
      Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens
      Avec le temps, va, tout va bien
      Avec le temps...
      Avec le temps, va, tout s'en va
      On oublie les passions et l'on oublie les voix
      Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
      Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid
      Avec le temps...
      Avec le temps, va, tout s'en va
      Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
      Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
      Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
      Et l'on se sent floué par les années perdues
      Alors vraiment
      Avec le temps on n'aime plus
      .
      Léo Ferré


      Beijinhos