sexta-feira, 29 de abril de 2011

Acordai, homens que dormis


ACORDAI !
Acordai, homens que dormis
A embalar a dor
A embalar a dor
Dos silêncios vis
Vinde no clamor das almas viris
Arrancar a flor que dorme na raiz

Acordai
Acordai, raios e tufões
Que dormis no ar
Que dormis no ar
E nas multidões vinde incendiar lastros e canções
As pedras e o mar, o mundo e os corações

Acordai
Acendei d’almas e de sóis
Este mar sem cais
Este mar sem cais
Nem luz de faróis
E acordai depois nas lutas finais
Os nossos heróis que dormem nos covais

Acordai !

Música: Fernando Lopes Graça
Letra: José Gomes Ferreira

Bom fim de semana.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

O conto das mentiras

Campanha Eleitoral

«Vou contar-vos uma coisa. Vi dois frangos assados a voar; voavam rápidos, com o ventre virado para o Céu e as costas para o Inferno; e urna bigorna e uma mó que nadavam no Reno, devagar e suavemente, enquanto uma rã devorava uma relha de arado, sentada no gelo, no dia de Pentecostes. Três indivíduos, com muletas e pernas de pau, perseguiam uma lebre: um era surdo; outro, cego; o terceiro, mudo; e o quarto não podia mover uma perna. Quereis saber o que aconteceu? Pois o cego foi o primeiro a avistar a lebre e a correr pelo campo; o mudo chamou o tolhido e o tolhido agarrou-a pelo cachaço. Uns homens que queriam navegar por terra içaram vela e avançaram através de vastos prados, e ao atravessar uma alta montanha naufragaram e afogaram-se. Um caranguejo perseguia uma lebre e urna vaca subira a um telhado. Há um país em que as moscas são tão grandes como as nossas cabras. Abre a janela para que possam sair as mentiras.»

Jacob e Wilhelm Grimm (irmãos Grimm), "O conto das mentiras",
in A Chave de Ouro e Outros Contos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Dia da produção nacional

A Assembleia da República instituiu o dia da produção nacional a 26 de Abril.
O objectivo deste dia é sensibilizar a opinião pública para a importância da produção nacional e ajudar à afirmação destes produtos nos mercados externos.
“Compro o que é nosso” é o slogan que está por todos os super/hipermercados.
A oportuna iniciativa partiu da AEP (Associação Empresarial de Portugal) e pretende revigorar as marcas portuguesas e aumentar a venda dos produtos “Made in Portugal”.

Através desta campanha de sensibilização para o consumo de bens produzidos no país, a AEP lança o desafio aos portugueses apelando à sua consciência cívica de consumidores e alertando-os para o que pode ser um excelente e simples contributo de cada um de nós para recuperar a nossa convalescente Economia.

Eis, dez boas razões para ‘comprar o que é nosso’:

• Valorizamos a produção nacional – e o empreendedorismo, criatividade, trabalho e dedicação dos empresários portugueses.
• Contribuímos para a motivação dos empresários nacionais e dos seus trabalhadores.
• Minoramos os efeitos da Globalização pouco favoráveis à economia nacional.
• Estamos a criar mais riqueza (aumento do PIB; equilíbrio da balança comercial, etc…)
• Estamos a favorecer a criação de mais emprego.
• E, consequentemente, de mais desenvolvimento económico.
• Estamos ainda a mobilizar os produtores portugueses a serem mais competitivos.
• Ajudamos a dinamizar a nossa economia;
• Potenciamos a internacionalização dos produtos “Made in Portugal”.
• Elevamos a nossa auto-estima e estimulamos um saudável patriotismo

A tarefa está nas nossas mãos.
E é tão fácil… na hora de encher o carrinho de compras, é só procurar os produtos com o símbolo deste projecto e com o mote “Compro o que é nosso”.
 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de ABRIL de 2011



Passados 37 anos após o 25 de Abril de 1974, tive a tentação de encaminhar estas minhas simples palavras para o pessimismo que me tem preenchido a alma neste últimos tempos, mas depois pensei melhor e deixei vir ao de cima o sentimento que este dia sempre desperta em mim ;
Um misto de esperança e profundo amor pelo meu País.
Porque o meu País precisa que acreditemos nele !
Precisa que apostemos nas suas potencialidades, no seu sol, no seu mar, na sua terra fértil, no seu Povo, que somos todos nós.
Precisa de Homens e Mulheres com coragem, determinação e orgulho, que não baixe a cabeça , que arregace as mangas e saiba dizer NÃO custe o que custar.
Temos tanta coisa para dar, tanta coisa para criar e receber.
Somos um País pioneiro de modelos legislativos.
Somos um País de Homens sem rumos mas sem medo de os buscar.
Não podemos ficar acocorados como se fossemos inferiores a quem agora nos pede contas.
O medo, a subserviência em busca de ganhos fáceis e de pouca honra, de ambições súbitas mas de pouca duração, não servem um Povo que foi grande, que é grande e quer continuar a sê-lo.
Posso não saber bem por onde vou, porque o caminho faz-se caminhando mas, como dizia o poeta.
Sei que não vou por aí !
VIVA o 25 de ABRIL !
VIVA PORTUGAL!

domingo, 24 de abril de 2011

25 de ABRIL de 1974

Fotografia de Sérgio Guimarães
Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen



No dia 25 de Abril de 1974 Portugal terminava definitivamente meio século de opressão, medo e atraso.
Houve duas senhas. A primeira, às 22.55h do dia 24 de Abril de 1974, para o início das operações militares a desencadear pelo Movimento das Forças Armadas, foi dada por Luís Filipe Costa aos microfones dos Emissores Associados de Lisboa:
«Faltam cinco minutos para as vinte e três horas. Convosco, Paulo de Carvalho com o Eurofestival 74, E Depois do Adeus ...».



A 2ª senha foi dada pela canção “Grândola, Vila Morena”, de José Afonso (composta em homenagem à "Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense", onde José Afonso tinha actuado, no dia 17 de Maio de 1964), gravada por Leite de Vasconcelos e posta no ar por Manuel Tomás, no programa Limite da Rádio Renascença, às 0.20h do dia 25, sendo antecedida pela leitura da sua primeira quadra. Foi o sinal para o arranque das tropas mais afastadas de Lisboa e a confirmação de que a revolução ganhava terreno.



Depois, fez-se a leitura de poemas da autoria de Carlos Albino, jornalista do República e colaborador naquele programa, que, a pedido de Álvaro Guerra e do comandante Almada Contreiras, tinha ficado incumbido de enviar senhas para sincronizar o golpe do MFA.

  • Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 04:20h
Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
As Forças Armadas Portuguesas apelam para todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas, nas quais se devem conservar com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer acidente pessoal para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses, o que há que evitar a todo o custo.
Não obstante a expressa preocupação de não fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o espírito cívico e profissional da classe médica, esperando a sua ocorrência aos hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração que se deseja, sinceramente, desnecessária.

  • Comunicado do MFA do dia 25 de Abril de 1974 às 14:30h

Aqui Posto de Comando do Movimento das Forças Armadas.
Pretendendo continuar a informar o País sobre o desenrolar dos acontecimentos históricos que se estão processando, o Movimento das Forças Armadas comunica que as operações iniciadas na madrugada de hoje se desenrolam de acordo com as previsões, encontrando-se dominados vários objectivos importantes de entre os quais de citam os seguintes:
- Comando da Legião Portuguesa
- Emissora nacional
- Rádio Clube Português
- Radiotelevisão Portuguesa
- Rádio Marconi
- Banco de Portugal
- Quartel-General da Região Militar de Lisboa
- Quartel-General da Região Militar do Porto
- Instalações do Quartel-Mestre-General
- Ministério do Exército, donde o respectivo Ministro se pôs em fuga
- Aeroporto da Portela
- Aeródromo Base n.º 1
- Manutenção Militar
- Forte de Peniche
S. Ex.ª o Almirante Américo Tomás, S. Ex.ª o Prof. Marcelo Caetano e os membros do Governo encontram-se cercados por forças do Movimento no quartel da Guarda Nacional Republicana, no Carmo, e no Regimento de Lanceiros 2 tendo já sido apresentado um ultimato para a sua rendição.
O Movimento domina a situação em todo o País e recomenda, uma vez mais, a toda a população que se mantenha calma. Renova-se, também, a indicação já difundida para encerramento imediato dos estabelecimentos comerciais, por forma a não ser forçoso decretar o recolher obrigatório.
Viva Portugal!



O povo unido jamais será vencido !

Não podemos esquecer !

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Feliz Páscoa !

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Desejo para esta Páscoa:

Que as verdadeiras amizades continuem eternas e tenham sempre um lugar especial em nossos corações.

Que as lágrimas sejam poucas, e logo superadas.

Que as alegrias estejam sempre presentes e sejam festejadas por todos.

Que o carinho esteja presente num simples olá, ou em qualquer outra frase mesmo que digitada rapidamente.

Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades.

Que Deus, esteja sempre com sua mão estendida, apontando o caminho correcto.

Que as coisas pequenas como a inveja ou o desamor, sejam retiradas de nossa vida.

Que aquele que necessite ajuda encontre sempre em nós uma animadora palavra amiga.

Que a verdade sempre esteja acima de tudo.

Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.

Que este nosso pequeno mundo virtual seja cada vez mais humano.

Que tudo o que sonhamos se transforme em realidade.

Que o Amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.

Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores.

Feliz Páscoa

{texto de autor desconhecido por mim adaptado }


quarta-feira, 20 de abril de 2011

Traz outro amigo também !

ilustrações de João Fazenda  para o livro "História de uma Flor" de Matilde Rosa Araújo

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja bem-vindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também

ZECA AFONSO


terça-feira, 19 de abril de 2011

"É preciso avisar toda a gente..."

"É preciso avisar toda a gente..."



É preciso avisar toda a gente
dar notícias informar prevenir
que por cada f l o r estrangulada
há milhões de sementes a florir.


É preciso avisar toda a gente
segredar a palavra e a senha
engrossando a verdade corrente
duma força que nada detenha.


É preciso avisar toda a gente
que há fogo no meio da floresta
e que os mortos apontam em frente
o caminho da esperança que resta.


É preciso avisar toda a gente
transmitindo este morse de dores.
É preciso imperioso e urgente
mais f l o r e s mais f l o r e s mais f l o r e s.

João Apolinário
 Podem ouvir aqui esta canção, uma gentileza do meu amigo folha seca.

Não podemos desistir!
É preciso ir em frente!

domingo, 17 de abril de 2011

sábado, 16 de abril de 2011

Parabéns Charlie Chaplin !

“Eu continuo a ser uma coisa só: um palhaço, o que me coloca num nível mais elevado do que o de qualquer político.”
Charlie Chaplin
Charles Spencer Chaplin nasceu em Londres, no dia 16 de abril de 1889.

Charlie Chaplin "brincou" com problemas não muito diferentes dos actuais:
Pobreza, desemprego, criminalidade, greves, intolerância política, desigualdade social.
Mas o amor também está presente nesta obra, O Vagabundo  encontra uma companheira, os dois são duas almas vivas num mundo cheio de fantoches; pessoas que não agem nem pensam por conta própria pois "Viver é a coisa mais rara do mundo".
No lançamento deste filme, os filmes falados já existiam há anos, mas O Vagabundo dependia daquela “arte de narrar com o corpo” e a voz destruiria o personagem, no entanto há um momento em que a sua voz é ouvida numa maravilhosa canção e num divertido falso italiano.
O último filme de Chaplin mostra o imbatível criador de comédias no seu auge, impossível deixar de sorrir um segundo sequer.

Sorri
Quando a dor te torturar
E a saudade atormentar
Os teus dias tristonhos, vazios
Sorri
Quando tudo terminar
Quando nada mais restar
Do teu sonho encantador
Sorri
Quando o sol perder a luz
E sentires uma cruz
Nos teus ombros cansados, doridos
Sorri
Vai mentindo a tua dor
E ao notar que tu sorris
Todo mundo irá supor
Que és feliz


Por coincidência hoje o meu marido também faz anos.
Parabéns Amor!

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Se ainda der para disfarçar

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Quantas voltas tem a dança em tantas voltas contadas?
Um segredo de criança escondido em mil gargalhadas
Tantas mãos que foram dadas na ternura de um abraço
Quantas vontades caladas na volta meiga de um passo

Quantas horas de viagem na alegria de te ver
Quanta falta de coragem, tanta coisa por dizer
E acabamos a esconder vá-se lá saber porquê
Nestas coisas do querer os sinais são para quem os lê
...
Faz de conta que o poente acontece a qualquer hora
Quando a noite se faz quente e um beijo se demora
Já o frio se foi embora ao tocar da tua mão
Que há-de ser de nós agora faz sentido sim ou não

Dá-me uma dança, faz-me acreditar
Uma lembrança p’ra eu levar
Que eu tenho sempre vontade de voltar e te dizer
Se ainda der p’ra disfarçar
Ensina-me a dançar

É a valsa do começo, é a vida a esvoaçar
É a pele a soltar um arrepio
É uma cor que eu não conheço, um sabor de acreditar
É uma praia cor de um desafio
...
Dá-me uma dança, faz-me acreditar
Uma lembrança p’ra eu levar
Que eu tenho sempre vontade de voltar e te dizer
Se ainda der p’ra disfarçar
Ensina-me a dançar
Ensina-me a dançar
Ensina-me a dançar


Bom fim de semana !

quarta-feira, 13 de abril de 2011

PAÍS DE AZULEJOS PARTIDOS

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País de azulejos partidos
de erva trepando entre paredes em ruína
País entregue à sua sina
sem olhos e sem ouvidos


País voraz ruminando o almoço
rindo ou chorando incapaz de sorrir
País de corpo aberto a quem está a seguir
País do rastejar entre a pele e o osso


Pulinhos para trás e para a frente
de polegar na cava do colete
foguetes procissões uns copos de palhete
país da pequenez de si mesma contente


País indiferente aos que dão por ele a vida
País herói se não há perigo em sê-lo
País de velhos do Restelo
dado à mão-baixa perto e consentida


País que tudo quer e nada quer tudo suporta
País do faz como vires fazer
País do quero lá saber
do quem vier depois que feche a porta



Mário Dionísio,"Terceira Idade",1982

É hora de nos unir-mos e restaurarmos os "azulejos", sob pena de eles caírem todos!

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Palavras na Barriga

Ontem reli este lindo livro infantil "O Menino que Guardava as Palavras na Barriga "  de Juva Batella ,baseado na lenda do povo Dogon, do Mali, que diz -que todos nós nascemos com um determinado número de palavras dentro das nossas barrigas e, quando gastamos essas palavras, morremos.
Tal como o alimento, as palavras  são essenciais à nossa sobrevivência, felizmente que todos os dias podemos armazenar centenas de novas palavras, através do nosso contacto com o mundo- as conversas com os familiares e amigos, as leituras, o teatro, o cinema… tudo traz , à nossa vida , muitas  e mais palavras e assim vamos preenchendo o nosso stock de palavras , adiando o derradeiro desfecho.
A lenda da barriga que se atesta com palavras para nos mantermos vivos  faz-nos pensar na importância da partilha - de palavras e não só.
Numa altura em que estamos a viver um momento de grave crise , principalmente social, penso que há uma palavra que se destaca e que temos que ter dentro da nossa barriga -SOLIDARIEDADE - pois só ela poderá compensar tantas outras que de certeza vamos perder.


BOA SEMANA PARA TODOS !

domingo, 10 de abril de 2011

O Mostrengo

Mostrengo:
s.m.
1. ente fantástico, geralmente considerado perigoso e assustador, dotado de uma configuração fora do normal e desagradável;
2. [fig.pej.] pessoa considerada muito feia;
3. [fig. pej.] pessoa considerada desajeitada, ociosa ou inútil;
4. [fig. pej.] aquilo que foge da normalidade e é considerado extremamente desagradável
5. poema que se situa na segunda parte de Mensagem, " Mar Português", momento em que Fernando Pessoa retrata os Descobrimentos portugueses, realçando a ânsia pela conquista do desconhecido e o esforço heróico da luta com o mar.

O mostrengo
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
A roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tetos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»
Fernando Pessoa, Mensagem, 1934 

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O cão da tristeza está aqui !


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O cão da tristeza está aqui.
Aqui, sem alma, ferrado no meu espanto.
Puxando as verdes charruas do meu pranto
lavrando a dor cinzenta do meu povo.
O cão da tristeza está aqui.
No giz do meu lume, na fogueira acesa
que queima a minha casa, destrói a minha mesa
e magoa o meu sangue e a minha voz.
O cão da tristeza está aqui.
No açaime do medo que nos cala
na sombra do punhal, no frio da bala
apontada ao coração da nossa esperança.

in Joaquim Pessoa, Poemas da Resistência (1968/1971)

Bom fim de semana!

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mais um :)


Quando eu nasci
Ficou tudo como estava,
Nem homens cortaram veias,
nem o Sol escureceu,
nem houve Estrelas a mais…
Somente,
esquecida das dores,
a minha Mãe sorriu e agradeceu.
Quando eu nasci,
não houve nada de novo
senão eu.
As nuvens não se espantaram,
não enlouqueceu ninguém…
P’ra que o dia fosse enorme,
bastava
toda a ternura que olhava
nos olhos de minha Mãe… 

José Régio

***

Como nasci a 6 de Abril, sou do signo Carneiro, com ascendente em Carneiro, portanto sou carneiro em duplicado :))

Signo Carneiro
  • Como o(a) Carneiro reza antes de dormir:
Querido Deus! Dá-me PACIÊNCIA… AGORA!
  • Quantos Carneiros são necessários para trocar uma lâmpada?
Apenas um, mas serão necessárias muitas lâmpadas!
  •   Como irritar o(a)s "Carneiro" 
Fala-lhes sempre com enormes pausas entre as palavras.
Não deixes que falem e, se falarem, corta-lhes a conversa a meio.
Diz-lhes como queres que eles(as) façam as coisas e fica depois a controlar.
Nunca demonstres paixão: age como se não gostasses dele(a).
Levanta a voz sempre que queiras ser ouvido.
Dá-lhes umas palmadas na cabeça, de vez em quando.
Lembra-te que eles(as) gostam muito de dar nas vistas. No meio de um grupo, dirige-te a ele(a) advertindo:
"Pára lá com essa cena de estares sempre a dizer: eu, eu…!"
Entra sem pedir licença e ocupa o tempo dele(a) numa segunda feira de manhã.

Nascidos a 6

São uns eternos apaixonados.
A sua máxima é: antes mal acompanhado do que só! {não estou de acordo com esta ;)}
 Por causa da sua natureza amorosa, planta raízes profundas no lar e na comunidade. 
Os elogios são essenciais para a sua felicidade: não suporta críticas :)...
... portanto, hoje só quero elogios :))
Como esta é a minha canção !
 Dedico-a a todos os meus amigo(a)s!
Beijinhos
Fê Blue Bird

segunda-feira, 4 de abril de 2011

É preciso partir !

@

António, é preciso partir!
O moleiro não fia,
a terra é estéril,
a arca vazia,
o gado minga e se fina.
António, é preciso partir!
A enxada sem uso,
o arado enferruja,
o menino quer pão, a tua casa é fria;
É preciso emigrar!
O vento anda como doido-levará o azeite;
a chuva desata noite e dia-inundará tudo;
e o lar vazio,
o gado definhado,
a noite e o frio por todo o lado,
 só a morte e o frio
por todo o lado António!
É preciso embarcar!
Badalão, badalão!-o sino
 já chora a despedida.
Os juros crescem;
o dinheiro e o rico não têm coração.
E as décimas António?
Ninguém perdoa-que mais para vender?
Foi-se o cordão,
foram-se os brincos,
foi-se tudo!
A fome espia o teu lar.
Para quê lutar com a braveza da terra,
com a indiferença do céu,
com tudo, com a morte, com a fome, com a terra,
com tudo !
Árida, árida a vida.
António, é preciso partir.
António partiu.
E em casa, tudo ficou sem jeito, desamparado, vazio.
Ficou a solidão.

Fernando Namora in As Frias Madrugadas, 1941

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia Internacional para a Consciencialização do Autismo.

Amanhã dia 2 de Abril assinala-se o Dia Mundial da Consciencialização do Autismo.
A data, instituída pela ONU em 2007, pretende ser um marco na sensibilização e na homenagem a todas as pessoas e respectivas famílias que todos os dias vivem esta realidade, enfrentando geralmente muitas dificuldades e discriminações.
Queria partilhar com todos a informação abaixo, que retirei do Blog da escritora Ana Martins que conheci através da minha amiga Mina Viana do Blog " ASPIE'S BLOG "
A Mina Viana tal como a Atena do blog " PESO DOS SENTIDOS " são duas mães extraordinárias e corajosas. Como amiga que sou das duas, não podia deixar passar esta data sem as apoiar e vos dar a conhecer esta excelente iniciativa.
Fê Blue Bird

«Não é um vulgar dia de comemoração. Destina-se a consciencializar a comunidade em que vivemos que esta perturbação de comportamento existe, aliás, só assim faria sentido. Existem várias comemorações a decorrer no dia 2, sendo as com maior visibilidade os edifícios públicos que acendem as luzes em tons de azul. Empire State Building já o faz há 4 anos, as Cataratas de Niagara, o Cristo Redentor no Rio e por cá conseguimos dois pontos de destaque: A Torre dos Clérigos e o Cristo Rei.
E porque é tão importante consciencializar a comunidade? Porque é uma perturbação que passa despercebida a um primeiro olhar e porque as acções e reacções dos portadores dentro do espectro do autismo não serem facilmente entendidos.
 Este livro que vos trago hoje é um bonito e sentido relato na primeira pessoa de uma Mãe de um jovem adulto com Síndrome de Asperger. Da sua vivência, como a sua vida se transformou com o nascimento deste filho querido e do tanto que tem feito para lhe dar o melhor. O mesmo que cada mãe deseja para um filho, é certo. Com as famílias com um elemento com autismo ou Asperger as experiências são vivenciadas ao limite das forças e da coragem. E ainda assim estas famílias conseguem superar todas as adversidades.
A forma de um autista ou Asperger entender o mundo é peculiar, por isso desconcertante, e torna os portadores do espectro pessoas “estranhas”. A meu ver não o são. Porque os observo, os conheço, me deixo embrenhar na sua diferente forma de ver este mundo e quantas vezes chego à conclusão que não só o vêem com mais cores do que nós – os ditos normais – como me deixo encantar com uma descrição de uma realidade que nunca parei para pensar e ver com essa clareza.
Ao ler estas palavras do Bruno, o filho da autora, este raciocínio tão brutalmente literal, ajudou-me a entender todo a elaboração mental que naturalmente fazem para explicar algo de tão simples, e de tão simples, conseguimos chegar ao entendimento do que parece apenas irracional, esquivo e tonto.
«Lá diz o ditado "mais vale tarde que nunca", é muito difícil chegar a horas ao emprego porque há muito trânsito, mesmo saindo de casa para ir para o trabalho cerca de duas horas antes da hora de entrada no emprego com o trânsito completamente parado se chega atrasado.
Na cidade do Porto, a ponte do Freixo é sempre uma boa opção para quem quer sair da cidade do Porto em direcção a Sul, raramente tem muito trânsito. Quem utiliza os transportes públicos para ir para o emprego também muitas vezes chega atrasado porque perde o transporte e tem de esperar por outro alguns minutos... Mas como o provérbio diz "mais vale tarde que nunca", podemos chegar atrasados ao emprego. Se quem chegasse atrasado ao emprego fosse despedido, então quase toda a gente tinha ido para o olho da rua. Mas como o provérbio diz: "mais vale tarde que nunca". É melhor chegarmos tarde ao emprego.
Não é engano é melhor todos chegarmos atrasados ao emprego. É que se formos a horas para o emprego, os terroristas como sabem que as pessoas entram no emprego aquelas horas locais, foi o que aconteceu em Nova Iorque no dia 11 de Setembro de 2001 e em Madrid no dia 11 de Março de 2004 e em Londres no dia 7 de Julho de 2005, onde eles atacaram essas cidades àquelas horas e se chegássemos atrasados estávamos salvos porque a essa hora as bombas já rebentaram e continuávamos vivos que é o mais importante de tudo.
Conclusão: Se chegarmos a horas nunca chegaremos, porque antes de lá chegarmos somos mortos por terroristas. Por isso "mais vale tarde que nunca".»


por Bruno Viana in "O Nosso Tesouro Escondido - Amor Sentido" de Mina Viana

BOM FIM DE SEMANA!