sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Talvez um dia me encontre...


Foi sem mais nem menos
Que um dia selei a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que me deu para arrancar sem destino nenhum


Foi sem graça nem pensando na desgraça
Que eu entrei pelo calor
Sem pendura que a vida já me foi dura
P´ra insistir na companhia


O tempo não me diz nada
Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada
A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa
Não partiu para parte incerta
Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar
Sem paredes, sem ter portas nem janelas
Nem muros para derrubar


Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre


Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar
De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar
Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio
E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu


Talvez um dia me encontre
Assim talvez me encontre


Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar
Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar
Será que existe em mim um passaporte para sonhar
E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar


Foi sem mais nem menos
Que um dia selou a 125 azul
Foi sem mais nem menos
Que partiu sem destino nenhum
Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer
Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer


Mas Deus leva os que ama
Só Deus tem os que mais ama

125 Azul

Trovante


BOM FIM DE SEMANA PARA TODOS.
beijinhos

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

PEDRAS NUAS

À minha amiga PEDRAS NUAS  dedico este meu post.

«Sonho de olhos abertos,escancarados e atentos ao que me envolve.»
Quando eu morrer...
Quero que fiquem contentes
Quero que se embebedem
Quero gargalhadas a ecoar nos meus ouvidos
Quero que  lancem foguetes
Quero que se riam e riam mais ainda
Mais do que antes
Quero que corram para a praia
Nus e tontos e loucos
Uns a cavalgar os outros…
Amem-se muito
Amem-se todos
Sou o rei! Viva o rei!
Ordeno que se divirtam!
E a minha última vontade
Nunca exigi nada…
Porque o nada é coisa nenhuma…
E durante a temporada
Que por cá andei
Nunca  acertei o meu passo ao vosso
E a minha vida foi aquilo
Que todos viram…
Pura diversão
Sem gastar mal
Um tostão…
Comprem-me
um smoking
Não peço mais nada
Por favor
Nada de rezas
Nada de lágrimas
Nada de missas
Nada de cânticos
Nada de terços
E que as portas do Inferno
Se abram para mim…
Não, para o céu não
Não quero santidades…
Antes o pecado
Rubro
Quente
Soberbo
Alegre
Antes queimado
Bem-humorado
Sempre… até à eternidade….
PEDRAS NUAS
Poema - Pedrasnuas
Voz - Teresa M.Queiroz
Musica - Miguel Franciscus
Fotos - Sonja Valentina e Teresa Amaro

terça-feira, 27 de setembro de 2011

«dez réis de esperança»


Se não fosse esta certeza
que nem sei de onde me vem,
não comia, não bebia,
nem falava com ninguém.

Acocorava-me a um canto,
no mais escuro que houvesse,
punha os joelhos à boca
e viesse o que viesse.

Não fossem os olhos grandes
do ingénuo adolescente,
a chuva das penas brancas,
a cair impertinente,

aquele incógnito rosto,
pintado em tons de aguarela,
que sonha no frio encosto
da vidraça da janela,

não fosse a imensa piedade
dos homens que não cresceram,
que ouviram, viram, ouviram,
viram e não perceberam,

essas máscaras selectas,
antologia do espanto,
flores sem caule, flutuando
no pranto do desencanto,

se não fosse a fome e a sede
dessa humanidade exangue,
roía as unhas e os dedos
até os fazer em sangue.

António Gedeão (1958)
foto de Mário Pires

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

OBSERVADOR

O post de hoje é dedicado ao amigo OBSERVADOR do blogue REFLEXOS


"Reflexos" aceita as vossas reflexões



Depois de muito reflectir vejo o Observador assim :)
DA OBSERVAÇÃO
Não te irrites, por mais que te fizerem...
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e subtil recreio...
Mário Quintana

domingo, 25 de setembro de 2011

E houve silêncio na casa de Juízo.



E pela terceira vez Deus abriu o Livro da Vida do Homem.
E Deus disse ao Homem:
" Má foi a tua vida, e com o mal pagaste o bom e com maldade a doçura. Às mãos que te alimentaram feriste e aos seios que te amamentaram desprezaste. O que veio para ti com água foi de ti sedento e aos homens banidos que te esconderam de noite nas suas tendas traíste tu antes da madrugada.
Ao teu inimigo que te poupou [apanhaste] numa emboscada, e ao amigo que andava contigo vendeste por um preço e aos que te trouxeram. Amor deste em troca luxúria. "
E o Homem respondeu e disse:
"Tudo isso eu fiz."
E Deus fechou o Livro da Vida do Homem e disse:
" Por certo que te mandarei para o Inferno. Mesmo para o inferno te mandarei."
E o Homem gritou:
"Não podes."
E Deus disse ao Homem:
"Por que não te posso eu mandar para o Inferno, e por que razão?
Porque no Inferno tenho eu sempre vivido" respondeu o Homem.
E houve silêncio na Casa de Juízo.
E depois de um tempo Deus falou e disse ao Homem:
"Visto que não te posso mandar para o Inferno, por certo te mandarei para o Céu. Mesmo para o Céu te mandarei. "
E o Homem clamou:
" Não podes."
E Deus disse ao Homem:
" Por que não te poderei eu mandar para o Céu, e por que razão?"
"Porque nunca e em nenhum lugar pude imaginá-lo" respondeu o Homem.
E houve silêncio na casa de Juízo.
***

excerto de poema em prosa de Óscar Wilde, traduzido por Fernando Pessoa e  publicado na revista Egoísta, Número especial de Junho de 2008, dedicado  a Fernando Pessoa.

imagem de Mugsy Redhouse, SOUTH AFRICA

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Pequenas Maravilhas



Se era uma vez
Castelos de papel
Gnomos e cristais
Motivos de canções
Decerto são pequenas maravilhas
Duendes brincalhões
E desanoiteceu
Na saga dos anões
Na luz de cada olhar
Na trilha das formigas
Nas estrelas
Em cada grilo
Quem descobrir tamanha grandeza
Verá a tribo a dançar ao rito da chuva
Será a festa da terra a nova semente
As folhas pelo chão
O branco algodão
As lágrimas de amor
As pérolas marfim
Os frutos da suprema natureza
O raio multicor
Um feixe de luar
Lembranças e quintais
E tudo que sonhar
Aviva o país das maravilhas
(E amanheceu)
Cigarras e flores, contos de fadas
Não há um bem maior que a pequena criança

Composição : Flávio Venturini e Murilo Antunes
 Imagem: Tracy Raver

«Que eu não perca a beleza e a alegria de ver, mesmo sabendo que muitas lágrimas brotarão dos meus olhos e escorrerão por minha alma.»
Chico Xavier
Desejo-vos um excelente fim de semana.
Beijinhos

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Dois anos de blogue


 OBRIGADA A TODOS !

Quando escrevi este primeiro post, estava muito longe de imaginar  o quanto este blogue viria a ser importante para mim e principalmente que duraria tanto tempo :)       
Sempre defendi, acreditei e acredito no valor da amizade e da partilha, no respeito pelos outros, pelas suas ideias e opções.
Comprovo aqui todos os dias que ainda tenho razão, tudo o que tenho dado tenho recebido a dobrar, as amizades que conquistei  fazem valer a pena todos os minutos que aqui dedico.
Agradeço-vos pois amigos e amigas por estes dois anos de convivência. Agradeço-vos pelos afectos, pelos laços de amizade, pela troca de ideias e de afagos neste mundo onde os abraços também podem ser apertados e verdadeiros.
O meu "Só te peço 5 minutos" está em festa,  pois o imenso perfume que lhe chega dos mais variados espaços, ampliando paisagens e paragens,  disfarça o "mau odor" em que vivemos.

Beijinhos carinhosos,
FÊ BLUE BIRD 


 Podem servir-se :)

do BOLO
do CHAMPANHE
do ABRAÇO

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

MINA


O post de hoje é dedicado à minha amiga MINA do blogue "Aspie's Blog"


Mãe e filho de mãos dadas trilhando os caminhos do autismo/asperger. Numa partilha intimista e de coração aberto em sonhos e desalentos, numa vida vivida... Ter um filho asperger não é o fim do mundo, mas o princípio de uma nova vida... Valorizando os afectos...
MINA


 

Querem saber!?...
Que poderei eu dizer...
Apenas sou uma mãe igual a si.
E tantas outras por aí.
Umas vezes obstinada.
Noutras resignada.
Não sei se virei chata...
Nem sei se isso me importa!...
Também não consigo fingir.
E é isto que estou a sentir.
Não posso ficar parada.
Tenho de virar a "enxada".
Continuar esta missão...
De ajudar o meu filho.
E amá-lo sem condição...
Pois ele é o maior brilho.
Da minha constelação...
 
Mãe Mina

  

«O Sonho da igualdade só cresce no terreno do respeito pelas diferenças.»
Augusto Cury

O Beijo do SOL

Acabei de receber por email e não posso deixar de partilhar.Como talvez saibam, o maestro Pedro Osório está muito doente, peço que lhe satisfaçam este pedido.


De : Pedro Osório
Objet : O meu primeiro vídeo
Caros amigos,
Acabei de me estrear a fazer e montar um vídeo. É um vídeo-clip sobre
uma música de um disco meu que está para sair.
Coloquei-o no You-tube e, como sabem, só acima de um certo número de
visionamentos é que ele aparece nos motores de busca.
Peço-vos então que visitem este endereço

http://www.youtube.com/watch?v=FyRUwKUigMo

Talvez não se aborreçam e, se tal acontecer, por favor passem aos vossos amigos.
Aqui fica desde já o meu agradecimento.

Pedro Osório

domingo, 18 de setembro de 2011

Meia Noite em Paris


Acabei de assistir à mais recente obra de Woody Allen Meia Noite em Paris.
Um filme delicioso, inteligente, bem filmado, engraçado, louco e cativante.  Woody Allen no seu melhor a deixar a sua imaginação voar pelos céus estrelados de Paris.
Os primeiros planos são postais. A fotografia suave e colorida ajuda a definir o tom num filme que começa como uma simples apresentação turística da cidade.
Depois encontramos Gil Pender (Owen Wilson) um actor que tem muito de desajeitado como Woody Allen,  e a sua noiva, Inez (Rachel McAdams). 
Gil é um argumentista de Hollywood desiludido à procura de escrever o grande romance da sua vida. É um tipo nostálgico, enfadado com o presente, chateado consigo próprio e à procura de algo.
À meia-noite em Paris, um Peugeut muito vintage apanha-o, de repente... e mais não digo :)
Eventualmente, Gil há-de encontrar o que precisa. A nós importa fazer esta viagem com ele, e ainda apreciar os dotes artísticos da primeira dama francesa :)
Recomendo-vos, pois são 100 minutos que valem a pena.


Desejo-vos uma excelente semana.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

LAURA


A minha amiga LAURA do blogue " RÉSTIAS DE SOL" é a homenageada de hoje.

uma moça simples e mais nada...


Há vozes que cantam o amor !...

Há vozes que cantam o amor
Há ternura nos seus sorrisos
Há saudade nos cantares
Há dores de amor
Pedaços da alma
Que se vão
Recordações que nos ficam
No coração
Sentimentos que ficaram
Aprisionados
E ainda revivem em momentos
De solidão
Porque o amor
É algo que sempre vai existir
É algo porque toda a vida
Hei-de percorrer
Caminhos
Irei ao seu encontro
E dele nunca me desviarei
Nem nunca me perderei
Porque o amor
Estará sempre comigo!...

LAURA
@


You may say I'm a dreamer But I'm not the only one I hope some day You'll join us And the world will be as one
 "Sonhar o sonho impossível,
Sofrer a angústia implacável,
Pisar onde os bravos não ousam,
Reparar o mal irreparável,
Amar um amor casto à distância,
Enfrentar o inimigo invencível, 
Tentar quando as forças se esvaem,
Alcançar a estrela inatingível:
Essa é a minha busca, alcançar aquela estrela. .
Miguel de Cervantes, Don Quixote de la Manch"

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Guma Kimbanda


O post de hoje é dedicado ao meu amigo Guma Kimbanda do blogue "Serra da Leba".

«As minhas palavras são olhos nos olhos! Os silêncios, falam por si! Escrevo porque as palavras ficam, e o que dizemos segue com a brisa quente e húmida de um dia de cacimbo! Todos os dias a toda a hora, agradeço cada milésimo de segundo como se fosse o último, porque aos poucos me vou dissolvendo na natureza que é minha mãe.»

@

Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim? 

"João e Maria"- Chico Buarque

"meninos" Telas e Mambos do Guma


descalcei-me e fui sentir os pés na terra
não sei por quanto tempo caminharei
mas enquanto o chão pulsar
e puder ver o que natureza encerra
muito mais eu te darei
guma



segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Que quer dizer “cativar”?

campos de ouro
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços”.
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…
- Começo a compreender, disse o principezinho.
(…)
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo?
Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste. Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor… Cativa-me, disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos, Se tu queres um amigo, cativa-me!
Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto…


Antoine de Saint-Exupèry


Desejo-vos uma excelente semana!






domingo, 11 de setembro de 2011

9/11

@
"O mal que os homens praticam sobrevive a eles; o bem quase sempre é sepultado com eles."
William Shakespeare

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

JANITA

A minha amiga JANITA do blogue " O CANTINHO DA JANITA " é a homenageada de hoje.




«Sou exigente comigo e, por vezes, demasiado complacente com os que me rodeiam. Aprecio gente frontal e sincera. Detesto a hipocrisia e os "jogos de cintura".  Não suporto ser injustiçada nem assistir a quem o seja.»
@

Alma de Mulher

Nada mais contraditório do que ser mulher...

Mulher que pensa com o coração,
age pela emoção e vence pelo amor.
Que vive milhões de emoções nun só dia
e transmite cada uma delas num único olhar.

Que cobra de si a perfeição e vive

arrumando desculpas para os erros,
daqueles a quem ama.
Que hospeda no ventre outras almas, dá à luz
e depois fica cega, diante da beleza dos filhos que gera.

Que dá as asas, ensina a voar, mas que não quer ver partir

os pássaros, mesmo sabendo que eles não lhe pertencem.
Que se enfeita toda e perfuma o leito, ainda
que seu amor nem perceba mais tais detalhes.

Que como numa mágica transforma

em luz e sorriso as dores que sente na alma,
só pra ninguém notar.
E ainda tem que ser forte para dar os ombros
pra quem neles precise chorar.

Feliz do homem que por um dia souber,

entender a Alma da Mulher!!!
 Fátima Ayache


“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo. Cada um de nós faz parte de um todo. A morte de alguém deixa-me mais só, porque eu faço parte da Humanidade. Por isso, nunca procures saber por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Ernest Hemingway







quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Isa GT

Temporada II
«Homenagem aos meus amigos»
Continuando com a "ideia" que tive aqui , vou dar início à segunda temporada desta série :)
A primeira homenageada é a minha amiga ISA GT do blogue " Doce ou Travessura"


«À medida que os anos passam, por muito que aprenda, cada vez sei menos, por este andar, vou morrer sem saber nada, só espero que por causa disso, não me obriguem a repetir tudo outra vez. Provisoriamente, habitante do Planeta Terra, sou alérgica à falta de ética e à hipocrisia. Apartidária na política e na religião, mas sempre contra a indiferença e a abstenção. Como disse Alphonse Karr (1808-1890), também eu "Creio no Deus que fez os homens e não no Deus que os homens fizeram". Doce-ou-Travessura é um blogue sem "stress", onde posso falar muito a sério ou, apenas, falar de coisas sérias a brincar.»


 Imagem de Maitena 



A vida é um corridinho,
Corre, corre, sem parar,
Dés que um homem vem ao mundo
Té que vai a enterrar.
Nasce a gente e de repente,
Corre este risco sem par,
De morrer logo à nascença
Ou de ter que cá ficar.

Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.

Em miúdo corre e chora
Prá mãe lhe dar de mamar
Depois pula, rasga e estraga,
Pelos jardins a brincar.
Corre depois para a escola,
Corre aos livros pra estudar,
Corre depois na parada,
Quando vai pra militar.

Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.

Corre o tempo e volta à terra,
Com ideias de casar.
Corre logo ao bailarico,
Corre à procura dum par.
Correm banhos na igreja.
Corre a nova no lugar,
Té que um dia mai-la noiva,
Correm ambos pró altar.

Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.

Correm dias bem felizes,
Correm horas de bem-estar,
Pois num berço pequenino,
Está um bebé a chorar.
Mas passados anos correm
dez pimpolhos no seu lar
Corre-lhe o suor em bica,
Pra família sustentar.

Corre, corre, corridinho.
Corre, a vida sem parar.

Corre aqui, pede acolá,
Corre ao prego pra pagar
ao padeiro, ao merceeiro,
pra vestir e pra calçar.
Corre um mês e outro mês,
E ele, aflito, pra arranjar,
com que pague a casa, a luz
e ao doutor que o vai tratar.

Corre, corre, corridinho,
Corre, a vida sem parar.

Já cansado de correr,
Certo dia, ao levantar,
Corre-lhe um frio plo espinhaço,
Corre à cama e dá-lhe um ar.
Corre o pranto na família,
Corre a gentinha a espreitar.
A correr vem um anjinho
que logo o leva plo ar.

Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.
Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.

Corridinho chega ao céu,
Bate à porta pra entrar,
Corre S. Pedro a abrir,
Pró caminho lhe indicar.
—Corre já pra'quela nuvem
Que é ali o teu lugar,
Pois no fim desta corrida
tens direito a descansar.

Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.
Corridinho, corridinho,
Lá vai ele a aboar.


sábado, 3 de setembro de 2011

fui e regressei com a 'Saudade' no peito




A saudade é uma andorinha,
mas uma andorinha estranha:
quando, num peito se aninha,
as outras não acompanha…


Saudade – coisa que a gente
não explica nem traduz;
faz do passado, presente,
e traz sombras, sendo luz…


Saudade – febre que a gente
sem querer, pode apanhar,
nunca mata de repente,
vai matando, devagar…


Saudade – a princípio é pena
que nos deixa uma partida;
depois é dor que condena
a morrer dentro da vida…


se é triste sentir saudade,
muita saudade de alguém,
maior infelicidade
é não tê-la de ninguém.


Yde Schloenbach Blumenschein
(Colombina)
Partilho convosco um tema de um grupo fantástico, que tive o prazer de ver ao vivo na Fatacil.


Beijinhos a todos
Fê Blue Bird