quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

ATÉ 2013 !

links da Fê
não é fácil o caminho do sonho quando a realidade nos acorda em sobressalto
então escutamos aquele amigo querido que mora dentro de nós
e descobrimos que apesar do peso das nossas asas 
AINDA CONSEGUIMOS VOAR !

Desejo a todos vós meus queridos companheiros de sonhos

Um FELIZ ANO NOVO !

Até 2O13 !

beijinhos



Na Terra dos Sonhos 

Andava eu sem ter onde cair vivo
Fui procurar abrigo nas frases estudadas do senhor doutor
Ai de mim não era nada daquilo que eu queria
Ninguém se compreendia e eu vi que a coisa ia de mal a pior

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Andava eu sozinho a tremer de frio
Fui procurar calor e ternura nos braços de uma mulher
Mas esqueci-me de lhe dar também um pouco de atenção
E a minha solidão não me largou da mão nem um minuto sequer

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar

Se queres ver o Mundo inteiro à tua altura
Tens de olhar para fora, sem esqueceres que dentro é que é o teu lugar
E se às duas por três vires que perdeste o balanço
Não penses em descanso, está ao teu alcance, tens de o reencontrar

Na terra dos sonhos, podes ser quem tu és, ninguém te leva a mal
Na terra dos sonhos toda a gente trata a gente toda por igual
Na terra dos sonhos não há pó nas entrelinhas, ninguém se pode enganar
Abre bem os olhos, escuta bem o coração, se é que queres ir para lá morar 


Jorge Palma


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

O que há em mim é sobretudo cansaço !

  O que há em mim é sobretudo cansaço —

Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada: 


 Cansaço assim mesmo, ele mesmo,


Cansaço !!!
Álvaro de Campos, in "Poemas"

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

{ voar em tons de esperança }

*  FELIZ  NATAL  *

para todos vós meus Amigos e Amigas.

 Desejo-vos

TUDO O QUE DESEJO PARA MIM !

beijinhos

[  se quiserem podem levar este meu simples presente, é vosso! ]



  vivo a minha história no meio dos outros
voo perto de mansinho e em veludo
morrem-me sonhos
nascem-me ideias
e o mundo continua a girar à minha volta
impiedoso, solene, cruel, apático e malévolo
estou cansada de palavras sem jeito
de sonos inquietos e  interrompidos
de gente míope e insensata
estou farta de névoas, de maldade, de ódios e desilusões
quero voar no azul mais profundo deste céu
aquele que me traz o cheiro do espanto
do amor, do riso e do pranto
da força e da alegria em tons de esperança

.


feliz-navidad-043 Recados

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Menino triste.

desenho de Moisés Correia
enquanto neste país houver 
uma criança com fome a soluçar 
como posso à noite adormecer 
e escrever palavras sem GRITAR!

Odeio quem nos faz passar por isto
não consigo saber e perdoar !




Meu amigos, peço-vos que se puderem façam uma visita ao blogue Desenh.ar.te do autor do desenho em cima.

Beijinhos e bom fim de semana

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

{ esconde-me }



esconde-me... 
 
como se eu fosse a flor mais rara do teu jardim
 retira os espinhos que me nasceram na alma
 abre trilhos de ternura na raiz
e deita fios de água na seiva desordenada

depois... 
 
ao desfolhares as minha pétalas
 pelo tempo já gastas e desbotadas
guarda-as na caixa dos teus sonhos
como se fossem preciosas pérolas...

 de lágrimas

.




retirado do meu baú

domingo, 9 de dezembro de 2012

Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Têm aqui a minha!
Espero pela vossa.


beijinhos e boa semana 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Onde te encontrares, levanta os olhos!



último discurso
de “O Grande Ditador”
            Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.
            Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.
            O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos.  A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.
            A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloquente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.
            Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!
            Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, una-mo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
            É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, una-mo-nos!
            Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Desejo-vos um excelente fim de semana!

 Beijinhos 
 imagem: Links da Fê

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O que será que será ?



O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas?
Que andam sussurrando em versos e trovas?
Que andam combinando no bréu das tocas?
Que anda nas cabeças, anda nas bocas?
Que andam acendendo velas nos becos?
Que estão falando alto pelos botecos?
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza.
Será, que será.
O que não tem certeza, nem nunca terá?
O que não tem conserto, nem nunca terá?
O que não tem tamanho?

O que será, que será?
Que vive nas ideias desses amantes?
Que cantam os poetas mais delirantes?
Que juram os profetas embriagados?
Que está na romaria dos mutilados?
Que está na fantasia dos infelizes?
Que está no dia a dia das meretrizes?
No plano dos bandidos, dos desvalidos?
Em todos os sentidos.
Será, que será.
O que não tem decência, nem nunca terá?
O que não tem censura, nem nunca terá?
O que não faz sentido?

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar?
Por que todos os risos vão desafiar?
Por que todos os sinos irão repicar?
Por que todos os hinos irão consagrar?
E todos os meninos vão desembestar?
E todos os destinos irão se encontrar?
E mesmo o Padre Eterno,
Que nunca foi lá,
Olhando aquele inferno
Vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá?
O que não tem vergonha, nem nunca terá.?
O que não tem juízo?


 Letra e música: Chico Buarque


domingo, 2 de dezembro de 2012

A Terra não se vende !



Uma obra-prima em forma de canção.
Uma grande homenagem à América Latina,


Tú no puedes comprar al viento.

Tú no puedes comprar al sol.

Tú no puedes comprar la lluvia.

Tú no puedes comprar el calor.

Tú no puedes comprar las nubes.

Tú no puedes comprar los colores.

Tú no puedes comprar mi alegría.


Tú no puedes comprar mis dolores.

  Maria Rita, Susana Baca &; Totó la Momposina



Boa semana! 
beijinhos 

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Hallelujah !

De vez em quando recebo a visita de um passarinho azul. Ele sabe  quando preciso dele. Ontem encostou-se ao meu ouvido e sussurrou:
"-Não te preocupes, tudo vai correr bem, ele vai conseguir, eu sei !"
E ali ficou ternamente pousado nos meus ombros, enquanto as lágrimas me caiam pelo rosto.
O amor de mãe é tão imenso quanto o céu, tão profundo como todos os mares do mundo, tão inacreditavelmente belo... e contudo este imenso amor também nos faz sofrer, e ficamos com um aperto no peito quando vemos o olhar triste no rosto de um filho.
O meu passarinho visita-me poucas vezes, penso que se guarda para momentos tão importantes como este.
Ainda chorava quando ele partiu, mas a sua tarefa estava concluída e por isso eu lhe agradeço eternamente.
Fê blue bird





Bom fim de semana!
beijinhos

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Depois deste comentário amigo e sincero, mudei a imagem do cabeçalho e perfil .

 Amiga Laura tens razão, apesar das minhas "penas" já não terem a força e a beleza de outrora, ainda voo por aí. Com esforço confesso...
 Um beijinho também para ti.
 

Para ser sincera:

A imagem que abre a página, desculpa, não está de acordo com o que de ti conheço. Não te vejo, Passarinho Azul, a comer dócil e tranquilamente na mão de quem quer que seja.

Também, e relativamente ao teu símbolo, Fê, o acho pouco afirmativo. Tu, que és de voos rasgados, apresentas-te como um passarinho parado e estático?! Não, tu não és assim! És de luta!

O poema sim, enformas-te nele ou ele se ajusta a ti. Porque és de luta!

Desculpa, Fê! Pediste a opinião e eu dei-ta.

Beijinho

Laura


Fiquei feliz e agradeço também todos os outros  comentários.
Porque são vocês, meus amigos e amigas, aí desse lado que me fazem sempre voltar!

Aproveito também para me colocar à disposição, de quem gosta destas minhas mudanças :)
 para vos ajudar e dar dicas de como podem mudar o visual do vosso blogue.
 Terei muito gosto nisso.

Beijinhos
Fê Blue bird

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Escuta, escuta:



Escuta, escuta:
tenho ainda uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei,
não vai salvar o mundo,
 não mudará a vida de ninguém
- mas quem é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco mais.
Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua. 

Eugénio de Andrade


Poema:
Foto:
Fê Blue Bird

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

É preciso acreditar, É preciso acreditar !

Ninguém merece perder a capacidade de ACREDITAR.
Mesmo quebrada, ainda tenho essa LUZ dentro de mim.
Fê blue bird

É preciso acreditar, É preciso acreditar
que o sorriso de quem passa
é um bem para se guardar
que é luar ou sol de graça
que nos vem alumiar ... com amor alumiar

É preciso acreditar, É preciso acreditar
que a canção de quem trabalha
é um bem para se guardar
E não há nada que valha
a vontade de cantar ... a qualquer hora cantar

É preciso acreditar, É preciso acreditar
que uma vela ao longe solta
é um bem para se guardar
que se um barco parte ou volta
passará no alto mar ... e é livre o alto mar

É preciso acreditar, É preciso acreditar
Que esta chuva que nos molha
é um bem para se guardar
que há sempre terra que colha
um ribeiro a despertar .... para um pão por despertar.


 Letra de Leonel Neves
Música de Luiz Goes

domingo, 18 de novembro de 2012

Tem dias que a gente se sente assim ...

O amigo Rogério Pereira, despertou a minha atenção com o seu comentário, fui pesquisar e...
Roda Viva é uma canção do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque de Holanda. Foi classificada em terceiro lugar no III Festival de Música Popular Brasileira, Setembro e Outubro do ano de 1967.[1]
A música Roda Viva foi escrita para a peça de teatro de mesmo nome, também de autoria de Chico Buarque. A peça não tinha a ver com política, mas com a trajectória de um cantor massificado pelo esquema da televisão. Em Julho de 1968 a peça foi montada em São Paulo quando o CCC invadiu o teatro, destruiu o cenário e espancou os actores.
fonte: Wikipédia

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

                   Chico Buarque (1967)

Desejo-vos uma excelente semana 
beijinhos

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Morres de fraco? Morres de atrevido .

depenado mas ousado

Aflito coração, que o teu tormento
Que os teus desejos, tácito, devoras.
E ao doce objecto, às perfeições que adoras,
Só te vás explicar com o pensamento.

Infeliz coração, recobra alento
Seca as inúteis lágrimas que choras!
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os voos ao ditoso atrevimento.

Inflama surdos ais, que o medo esfria;
Um bem tão suspirado e tão subido,
Como se há-de ganhar sem ousadia?

Ao vencedor afoite-se o vencido;
Longe o respeito, longe a cobardia,
Morres de fraco? Morre de atrevido.


BOCAGE


Desejo-vos um excelente fim de semana
beijinhos

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aos que vierem depois de nós


Realmente, vivemos tempos muito sombrios!
A inocência é loucura.
 Uma fronte sem rugas denota insensibilidade.
Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.

Que tempos são estes,
 em que é quase um delito falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
 não poderá jamais ser encontrado pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem (se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como, se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo e, sem temores,
deixar correr o breve tempo.
Mas evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos,
antes esquecê-los é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo.
 Realmente, vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem, quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia.
 Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas.
E a meta achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente, ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré em que perecemos,
lembrai-vos também, quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar.
 
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país do que de sapatos,
através das lutas de classes, desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece a voz.
Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós com indulgência. 



Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

E se nada acontecer?

 "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça." 


E se nada acontecer?

Se os rostos deformados e os mendigos, os olhos famintos e as mãos que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;

Se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a vida acenar ainda?

E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados… e se nada acontecer?
E se tudo isso não tiver a menor importância?
  imagem: links da Fê



domingo, 11 de novembro de 2012

Aproximem-se, a lareira já está acesa.

 
 A vida é um incêndio, nela dançamos salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam, cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida, na própria luz consumida...

Mario Quintana

São servidos? :)


Desejo-vos uma excelente semana
beijinhos

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

{ vem e vai vai e vem a esperança. }


Mother and Son
(by Pedro Almeida)

 No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade. 



Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

imagem : Links da Fê


Desejo-vos um excelente fim de semana
Beijinhos

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obrigada !

É sempre bom receber um prémio. Melhor ainda, quando o recebemos nove vezes!!! :)
A AMIZADE é a principal força motivadora deste meu blogue.
Os nove amigos que me ofereceram o prémio Dardos foram :

 Brown Eyes

Utópico

Gisa


JP


  A. João Soares
 
Sonhadora (Rosa Maria)

«O Prémio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade que em 2008, concedeu no seu blog, Leyendas e el pequeno Dardo, os primeiros Dardos, destinados a quinze blogues, que deveriam indicar outros blogues igualmente merecedores. Assim o prémio se espalhou pela internet, e destina-se a reconhecer os valores e empenho demonstrados por cada escritor de blogue. As regras do Prémio Dardos são: »
  1.  Exibir o selo;
  2.  Linkar quem o premiou;
  3.  Escolher outros blogues para indicar o prémio;
  4.  Avisar os escolhidos.

Como todos vós o merecem, vou quebrar a terceira regra e oferecê-lo com muito prazer a todos os meus amigos e amigas.
«Os amigos são semelhantes aos sapatos. Uns apertam, outros ficam largos, só os que se ajustam aos nossos pés nos ajudam a caminhar pela vida.» Eugénio Leandro Pascoal Salvador
Obrigada por serem do meu número :)