quarta-feira, 27 de junho de 2012

Até para a semana!

Meus queridos amigos e amigas, estou de partida rumo ao sul.
Deixo-vos com um belo e triste poema de um dos meus poetas preferidos,
 que viveu numa cidade onde eu fui muito feliz.
Contrariamente ao final deste poema.
Desejo que felicidade vos visite!
Até para a semana!
Beijinhos


 

 

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade 

domingo, 24 de junho de 2012

Preciso da vossa ajuda .

A legenda que falta



Será que me podem ajudar a fazer uma legenda  para esta foto?

Conto convosco !

*****

OBRIGADA  
Por terem participado e me ajudarem na legendagem desta imagem.
Foi muito interessante pois revelaram diversos sentimentos, 
de compaixão, de tristeza e revolta mas também de esperança.

As vossas legendas:


Lealdade em cativeiro.


O muro das lamentações.


Olhe no fundo dos olhos de um animal ,pois eles também sofrem.


Ainda acredito no brilho do sol.


Não importa a cor mas sim a amizade.


Não quero, não posso pôr um título nesta imagem que é de uma imensa tristeza!


Pensa o cão preto o mesmo que o branco, e toda a gente: a segregação racial é deprimente.


Não nos lixem, tirem-nos daqui.


Sem Palavras.


Nas sombras da miséria humana.


Sufoco.


Apesar de conformados, ainda mordemos!


Temos coração e sentimentos.


A crueldade do ser humano!


Olhando o futuro, espreitando o que se segue.


São as diferenças que nos unem.


Revolta e tristeza.


Tortura da frigideira.


Venham e tragam-nos a Liberdade.


Unidos venceremos a descriminação e a injustiça.


Coisa mais linda.


Cativos.


Prisioneiro?O que conta é olhar.Aventure-se!

*****


"Somos sempre nós que abandonamos os cães, na natural ingratidão com que sacrificamos as melhores e maiores afeições, aos interesses e conveniências. Não tenho notícia de cachorro que houvesse, de vontade própria, se separado do dono, abandonando o amigo, por mais negra que fosse a miséria que com ele partilhasse.

O homem é diferente. É a criatura que mais depressa e com a maior facilidade esquece as amizades. A natureza humana é muito ordinária. E ainda há gente que emprega a palavra "cão" como insulto, como injúria!.."

Vivaldo Coaracy

Beijinhos

sábado, 23 de junho de 2012

MOMENTO DE PAZ !

"Nunca poderemos obter paz no mundo exterior 
até que consigamos estar em paz com nós próprios." 

  Dalai Lama





beijinhos
foto: AmO Images

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O meu menino é d'oiro


mas d'oiro será o seu destino ?

Bom fim de semana.
Beijinhos




 O meu menino é d'oiro
É d'oiro fino
Não façam caso que é pequenino
O meu menino é d'oiro
D'oiro fagueiro
Hei-de levá-lo no meu veleiro.

Venham aves do céu
Pousar de mansinho
Por sobre os ombros do meu menino
Do meu menino, do meu menino
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.

Quantos sonhos ligeiros
p'ra teu sossego
Menino avaro não tenhas medo
Onde fores no teu sonho
Quero ir contigo
Menino de oiro sou teu amigo

Venham altas montanhas
Ventos do mar
Que o meu menino
Nasceu p'r'amar
Venha comigo venham
Que eu não vou só
Levo o menino no meu trenó.


Letra e música: Zeca Afonso
foto: Poder da Imagem

terça-feira, 19 de junho de 2012

Tal como D.Quixote...

... luto diariamente contra moinhos imaginários e adversários poderosos,
e tal como ele sonho, 
que tudo hei-de vencer.



“Num lugar da Mancha, de cujo nome não me quero lembrar, vivia, não há muito tempo, um desses fidalgos que usam lança em hastilheira, adarga antiga, cavalo magro e galgo corredor”.
Maria Bethânia

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender

Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite improvável
Tocar o inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz

E amanhã se este chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu
Delirar e morrer de paixão

E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

domingo, 17 de junho de 2012

OBRIGADA POR ME AMAREM !



Os meus pais, no dia 15/06. Dia em que a minha mãe fez 83 anos.

Desejo-vos uma excelente semana !
Beijinhos

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A Vida É Feita de Pequenos Nadas



(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)
Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas
Somos tantos a não ter quase nada
porque há uns poucos que têm quase tudo
mas nada vale protestar
o melhor ainda é ser mudo
isto diz de um gabinete
quem acha que o casse-tête
é a melhor das soluções
para resolver situações
delicadas
a vida é feita de pequenos nadas
E o que é certo
é que os que têm quase tudo
devem tudo aos que têm muito pouco
mas fechem bem esses ouvidos
que o melhor ainda é ser mouco
isto diz paternalmente
quem acha que é ponto assente
que isto nunca vai mudar
e que o melhor é começar a apanhar
umas chapadas
a vida é feita de pequenos nadas
(Segunda-feira
trabalhei de olhos fechados
na terça-feira
acordei impaciente
na quarta-feira
vi os meus braços revoltados
na quinta-feira
lutei com a minha gente
na sexta-feira
soube que ia continuar
no sábado
fui à feira do lugar
mais uma corrida, mais uma viagem
fim-de-semana é para ganhar coragem)
Muito boa noite, senhoras e senhores
muito boa noite, meninos e meninas
muito boa noite, Manuéis e Joaquinas
enfim, boa noite, gente de todas as cores
e feitios e medidas
e perdoem-me as pessoas
que ficaram esquecidas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas
a vida é feita de pequenos nadas
Ouvi dizer que quase tudo vale pouco
quem o diz não vale mesmo nada
porque não julguem que a gente
vai ficar aqui especada
à espera que a solução
seja servida em boião
com um rótulo: Veneno!
é para tomar desde pequeno
às colheradas
a vida é feita de pequenos nadas
boa noite, amigos, companheiros, camaradas
a vida é feita de pequenos nadas.

Sérgio Godinho

foto: Poder da Imagem


( fim-de-semana é para ganhar coragem) 

BOM FIM DE SEMANA!
Beijinhos 
 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

É um passarinho...

Santo António meu santinho
sei que me vais perdoar
eu sou só passarinho
que pouco sabe rimar 

Porque és bom e és eterno
 aceita este meu pedido
Um Portugal mais Fraterno
E um Povo mais Unido !






Saíra Santo António do convento,
a dar o seu passeio costumado
e a decorar, num tom rezado e lento,
um cândido sermão sobre o pecado.

Andando, andando sempre, repetia
o divino sermão piedoso e brando,
e nem notou que a tarde esmorecia,
que vinha a noite plácida baixando...

E andando, andando, viu-se num outeiro,
com árvores e casas espalhadas,
que ficava distante do mosteiro
uma légua das fartas, das puxadas..

Surpreendido por se ver tão longe,
e fraco por haver andado tanto,
sentou-se a descansar o bom do monge,
com a resignação de quem é santo...

O luar, um luar claríssimo nasceu.
Num raio dessa linda claridade,
o Menino Jesus baixou do céu,
pôs-se a brincar com o capuz do frade.

Perto, uma bica de água murmurante
juntava o seu murmúrio ao dos pinhais.
Os rouxinóis ouviam-se distante.
O luar, mais alto, iluminava mais.

De braço dado, para a fonte, vinha
um par de noivos todo satisfeito.
Ela trazia ao ombro a cantarinha,
ele trazia... o coração no peito.

Sem suspeitarem de que alguém os visse,
trocaram beijos ao luar tranquilo.
O Menino, porém, ouviu e disse:
— Ó Frei António, o que foi aquilo?...

O santo, erguendo a manga do burel
para tapar o noivo e a namorada,
mentiu numa voz doce como o mel:
— Não sei que fosse. Eu cá não ouvi nada...

Uma risada límpida, sonora,
vibrou em notas de oiro no caminho.
— Ouviste, Frei António? Ouviste agora?
— Ouvi, Senhor, ouvi. É um passarinho...

— Tu não estás com a cabeça boa...
Um passarinho a cantar assim!...
E o pobre Santo António de Lisboa
calou-se embaraçado, mas, por fim,

corado como as vestes dos cardeais,
achou esta saída redentora:
— Se o Menino Jesus pergunta mais,
... queixo-me à sua mãe, Nossa Senhora!

Voltando-lhe a carinha contra a luz
e contra aquele amor sem casamento,
pegou-lhe ao colo e acrescentou: — Jesus,
são horas...
------------ E abalaram pró convento.

Augusto Gil, Luar de Janeiro,
Sintra, Manuscrito Editores, 1984

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Vem dar uma voltinha na minha lambreta !








vem dar uma voltinha na minha lambreta
e deixa de pensar no tal Vilela que tem carro e barco à vela
o meu pai tem e a mãe também, que é tão tão sempre a preceito
cá p'ra mim, no meu conceito, se é tão tão e tem tem tem, tem que ter algum defeito

vem dar uma voltinha na minha lambreta
vê só como é bonita, é vaidosa, a rodinha mais vistosa deixa um rasto de cometa
é baixinha mas depois parece feita para dois, sem falar nos etcs que fazem de nós heróis

eu sei que tem estilo jingão, volta e meia vai ao chão quando faz de cavalinho
mas depois passa-lhe a dor, endireita o guiador e regressa de beicinho para o pé do seu amor

vem dar uma voltinha na minha lambreta
eu juro que guio devagarinho, tu só tens de estar juntinho por razões de segurança
e se a estrada nos levar por noite fora até mar, páro na beira da esperança com a luzinha a lumiar

e deixa de pensar no tal Vilela, que tem carro e barco à vela
o pai tem e a mãe também, que é tão tão sempre a preceito
cá p'ra mim, no meu conceito, se é tão tão e tem tem tem, tem que ter algum defeito
se é tão tão e tem tem tem, tem que ter algum defeito
se é tão tão e tem tem tem, tem que ter algum defeito


 Lambreta, by João Monge

foto retirada daqui

BOA SEMANA !
Beijinhos



domingo, 10 de junho de 2012

Este país te mata lentamente.




Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invoscaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

ten.ça

(Antigo) pensão com que o estado premiava serviços considerados relevantes:
“Os Lusíadas· valeram a Luís de Camões uma tença anual de 15.000 réis.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Amor vs Computador :)

«Através do humor vemos no que parece racional, o irracional; 
no que parece importante, o insignificante. 
Ele também desperta o nosso sentido de sobrevivência e preserva a nossa saúde mental.»
Charles Chaplin

*



Se algum dia isto vos acontecer, procurem um médico urgente!!! :)


Bom fim de semana !
beijinhos

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Só aos anjos a lua sorri


Só queria fechar os olhos e dormir... dormir...

que saudades das melodias de embalar da minha infância

que saudades Deus meu!


A Lua nasceu e cresceu no além
A noite chegou também
Vai dormir meu bebé
Vai dormir e sonhar
Deixa a lua crescer lá no ar
A roca poisou e largou sem chorar
Os olhos vai já fechar
Nada pode impedir
Que o bebé durma bem
Nem papão há-de vir
Nem ninguém
Tu verás meu amor
Como é bom sonhos ter

Deus te dê o melhor que houver

Anjo meu faz ó ó

Que eu velo por ti

Só aos anjos a lua sorri.
 


fotos de Tracy Raver


Durmam Bem!
beijinhos


segunda-feira, 4 de junho de 2012

Cavalgar! Cavalgar!

«Não! Não deixes teu pescoço aos grilhões da sorte.
 Mas deixa tua mente destemida cavalgar triunfante sobre todos os azares.»
 Shakespeare

Cavalgada nocturna através do Cáucaso

Cavalgar através da noite, cavalgar
Cavalgar através da noite, cavalgar
 
Há visões, há memórias
Há ecos de imensos cascos
Há fogos, há risadas
Há o som de mil pombas
No veludo da escuridão
Perto da silhueta das árvores silenciosas
Eles estão olhando, estão esperando
Estão testemunhando os mistérios da vida
Cascateando estrelas em sonolentas colinas
Eles estão dançando pelo mar
Erguendo-se sobre a terra, podes sentir sua mão suave
Guiando-os para o seu destino
Leva-me contigo nesta jornada
Onde as fronteiras do tempo estão lançadas para o alto
Em catedrais de floresta
Em palavras de línguas perdidas
Encontra as respostas, faz as perguntas
Encontra as raízes de uma árvore antiga
Deixa-me dançar, deixa-me cantar
Cavalgarei até a lua encontrar o mar

Loreena McKennitt


.
letra original aqui 
fotos  Vikarus 

Desejo-vos uma excelente semana.
beijinhos 
 

sábado, 2 de junho de 2012

BOM FIM DE SEMANA !

"Grande parte da vitalidade de uma amizade reside no respeito pelas diferenças, não apenas em desfrutar das semelhanças. "
James Fredericks




beijinhos

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Que bom que é ser pequenino !




Ser pequenino


 (O inconfundível Marceneiro interpreta esta carinhosa letra do poeta Carlos Conde )

É tão bom ser pequenino,
Ter pai, ter mãe, ter avós,
Ter esp’rança no destino
E ter quem goste de nós.
 
Ver tudo com alegria,
Sem delongas, sem demora,
Ver a vida numa hora
Eternidade num dia.

Ter na mente a fantasia
Dum bem que ninguém supôs,
Ter crença, sonhar a sós,
Co’ a grandeza deste mundo
E, para bem mais profundo,
Ter pai, ter mãe, ter avós.

Ter muito enlevo a sonhar,
Acordar e ter carinho,
Ter este mundo inteirinho
No brilho do nosso olhar.

Viver alheio ao penar
Deste orbe torpe, ferino,
Julgar-se eterno menino,
Supor-se eterna criança,
E, num destino sem esp’rança,
Ter esp’rança no destino.

Ó desventura, ó saudade,
Causas da minha inconstância,
Daí - e pedaços de infância,
Retalhos de mocidade.
Dai-me a doce claridade
Roubando-me ao tempo atroz
Quero ter a minha voz
P’ra cantar o meu passado...

É tão bom cantar o fado
E ter quem goste de nós!...



 
    Três em cada 10 crianças portuguesas são carenciadas 
     Três em cada dez crianças em Portugal são carenciadas, segundo um relatório da UNICEF sobre pobreza infantil que coloca o país quase no final da tabela dos 29 países europeus estudados.