sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Não recuso um bom desafio :)


Recebi do Observador proprietário do blogue REFLEXOS este "presente" em forma de selo, ao mesmo tempo que me desafiou a reflectir no desafio que se segue :)

Respeitar as seguintes regras:
- Avisar o blogueiro que o indicou quando postar o mesmo; (Observador está descansado)
- Seja sincero nas respostas ou não responda; ( sou sempre sincera)
- Terá que fazer 5 indicações do mesmo para que tenha continuidade; ( bem feito!)
- No final da ‘postagem’ dedicar um tema a quem o indicou. (estou a pensar...)
- Se for contra estas regras recuse fazer o mesmo. (não recuso um desafio de um benfiquista)

Bem , vamos a isto :)

Perguntas:
1° - Algo que você não fala para ninguém
Não há nada que não eu não possa falar.
 2° - Se você pudesse ouvir apenas uma música no próximo mês, qual seria?
"Enola Gay", sucesso da banda dos anos 80, OMD, porque será? :)
3° - Um sentimento que nunca sentiu?
  Já senti todos os sentimentos.
4° - A pessoa mais importante para você?
Não tenho uma, tenho muitas felizmente.
5° - Agora aonde você queria estar?
Queria estar junto de pessoas honestas e competentes que soubessem como governar este país.
6° - Já deram um tapa na sua bunda, gostou?
Não, não deram, e detesto violência! :)
7° - Quem levaria para uma ilha deserta?
Não obrigava ninguém a tamanho sofrimento:)
8° - Quem você mandaria pro Iraque com uma camisa escrita "I love USA"?
O Cavaco, o Coelho, o Portas, o Gaspar e......tantos...tantos...
9° - ? oxıɐq ɐɹd ɐçǝqɐɔ ǝp ɐpıʌ ɐns ɐ ɐxıǝp ǝnb O
Falta de saúde e dinheiro :(
10° - Se alguém lhe dissesse que você poderia realizar um sonho agora, qual seria?
Ver os meus filhos felizes.
11° - Algo que gostaria de fazer, mas que não tem ou teve oportunidade?
Ter uma grande empresa onde pudesse dar emprego a quem está desempregado.
12° - Você não sai de casa sem o quê?
Sem as chaves de casa.
13° - Já beijou ou beijaria alguém do mesmo sexo?
Já beijei e vou beijar sempre familiares e amigas.
14° - O que estaria fazendo se não estivesse fazendo isto?
Á procura de tema para um post, assim já está resolvido.
15° - O que está pensando agora?
A quem vou passar este desafio :)

 E os nomeados são:



Observador este tema é para ti, espero que gostes! :)


beijinhos e bom fim de semana!



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Falta de Ética !



O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida emitiu um parecer considerando que o Ministério da saúde «pode e deve» racionar o acesso aos tratamentos mais caros para pessoas com cancro, sida e doenças reumáticas, para além do acesso a meios de diagnóstico como TACs, ecografias e ressonâncias magnéticas.

A justificação para tão ético e humano parecer é a «luta contra o desperdício e a ineficiência, que é (sic) enorme em saúde».
A lógica da decisão, para tratar as pessoas ou as deixar morrer (e/ou deixar sofrer e degradar a qualidade do resto da sua vida quando tal é evitável) é um critério resultante de uma criativa reelaboração do Juramento de Hipócrates: a relação custo/benefício.
«Tudo depende do custo dos tratamentos e da avaliação de se prolongam a vida durante tempo suficiente para justificar os gastos.»
Um critério, é verdade, já alegado pelo negócio das seguradoras para evitarem diminuir os lucros - o que não espantará muito, já que o actual Ministro da Saúde foi figura central na instauração de tais empreendedoras actividades em Portugal, e certamente para elas voltará quando o despedirmos das suas actuais funções, ou acabar de desmantelar o SNS.

Supõe-se que se seguirá a definição burocraticamente justificada de a quantos euros temos direito para cada mês de vida que possamos conquistar ou, no caso das doenças reumáticas, por cada intensidade de dor e grau de imobilização que nos possa ser evitado.
Isto para que seja com total racionalidade de gestão financeira que nos venham um dia a anunciar:
«A senhora desculpe, mas a sua esperança de vida não justifica o dinheirão que a gente podia gastar consigo. Olhe... encomende a alma a Deus e prepare-se para bater a bota, que a sua vida não vale o que custa.»

Que gente é esta, cujas mães certamente não merecem os mesmos insultos que os filhos?

 Para quem depende de tratamentos "caros" para ter alguma qualidade de vida, só faltava mais isto para nos dar cabo de vez com a saúde.




terça-feira, 25 de setembro de 2012

O dobro de quem somos


"Nunca limites o amor, filho, nunca por preconceito algum limites o amor.
O miúdo perguntou: porque dizes isso, pai.
O pescador respondeu: porque é o único modo de também tu, um dia, te sentires o dobro do que és. "

Valter Hugo Mãe
 in "O filho de mil homens"

domingo, 23 de setembro de 2012

sou uma alma de Outono...


Outono, mestre-pintor
cismando um dia nas cores 
que ao mundo havia de dar 
trouxe a paleta e os pincéis 
e a caixinha das tintas
e começou a pintar

fez amarelo e com ele
pintou folhas e florestas 
pôs tom vermelho no Sol
acobreando o arrebol
com pinceladas de festas

o céu pintou de cinzento
 num acesso de tristeza
 mas depois arrependido
 da sua pouca brancura 
colocou-lhe nuvens brancas 
salpicadas de ternura

 quando veio o orvalho brando
 de suas lágrimas feito 
tombou paleta e pincéis
 rolaram tintas pelo chão
 e sua obra deixou 
julgando ter fracassado
ferindo-lhe o coração

 quando o Inverno chegou
 vendo tal obra de amor 
admirou secretamente
 o outono, mestre-pintor


ilustração em lápis de cor de Márcia Széliga

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

TRÊS ANOS A BLOGAR !!!

"- Hoje fazemos três anos ! "Diz a menina ao lindo passarinho azul pousado ao seu lado.
"-É verdade Fêzinha, apesar da nossa pouca idade já percorreremos um longo caminho juntos. Mas o melhor desta aventura tem sido o afecto e companhia dos nossos amigos e amigas. É tão bom uma amizade assim !!!  " Responde o passarinho na sua voz doce de passarinho :)
Responde a menina com olhar sonhador, aquele olhar que só se tem com esta idade: "-É verdade, sem eles não existíamos. Sabes passarinho tenho um grande desejo para este nosso dia de aniversário, ABRAÇAR TODOS OS NOSSOS AMIGOS e agradecer-lhes o carinho e amizade que nos têm dado desde que nascemos."
"-Então, vamos lá concretizar esse desejo!  ", diz o passarinho enquanto levanta voo e vai chamar todos AMIGOS para um GRANDE ABRAÇO de grupo !
Quem chega primeiro ? :)



Desculpem esta maneira simples e infantil, afinal são só três aninhos :), de assinalar o aniversário deste blogue. 
 Um blogue que só existe porque vos tenho desse lado!

MUITO OBRIGADA!
 GRANDE ABRAÇO!!!


É Tão Bom!

Sérgio Godinho

Vale a pena ver
castelos no mar alto
Vale a pena dar o salto
pra dentro do barco
rumo à maravilha
e pé ante pé desembarcar na ilha
Pássaros com cores que nunca vi
que o arco-íris queria para si
eu vi
o que quis ver afinal 

É tão bom uma amizade assim
Ai, faz tão bem saber com quem contar
Eu quero ir ver quem me quer assim
É bom pra mim e é bom pra quem tão bem me quer

Vale a pena ver
o mundo aqui do alto
vale a pena dar o salto
Daqui vê-se tudo
às mil maravilhas
na terra as montanhas e o mar as ilhas
Queremos ir à lua mas voltar
convém dar a curva
sem se derrapar
na avenida do luar

terça-feira, 18 de setembro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

hoje vesti-me de esperança...


...quando vi os teus olhos brilharem .




"A esperança é uma ave que pousa na alma,

canta melodias sem palavras e nunca cessa."

Emily Dickinson



domingo, 16 de setembro de 2012

EU VI ESTE POVO A LUTAR



Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Sobre as águas calmas
Um vulcão de fogo
Toda a terra treme
Nas vozes deste povo

Mesmo no silêncio
Sabemos cantar
Povo por extenso
É unidade popular

Somos sete rios
Rios de certeza
Vamos lá cantando
No fragor da correnteza

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

A fruta está podre
Já não se remenda
Só bem cozidinha
No lume da contenda

Nós queremos trabalho
E casa decente
E carne do talho
E pão para toda a gente

Ai, meus ricos filhos
Tantos nove meses
Saem do meu ventre
Para a pança dos burgueses

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão

Alça meu menino
Vê se te arrebitas
Que este peixe podre
Só é bom para os parasitas

Só a nosso mando
É que há liberdade
Vamos lá lutando
P’ra mudar a sociedade

Bandeira vermelha
Bem alevantada
Ai minha senhora
Que linda desfilada

Eu vi este povo a lutar
Para a sua exploração acabar
Sete rios de multidão
Que levavam História na mão


Letra e música: José Mário Branco

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

BASTA!

Quantos de nós sonhámos no esplendor da juventude alcançar as estrelas.
Quantos no amadurecer da vida ainda continuamos a sonhar com o firmamento coberto das mais belas constelações
Quantos morreram por um sonho.
Quantos nos conseguem levar a seguir os seus sonhos.
Quantos ainda nos roubam os sonhos, nos tiram as estrelas, nos ferem de morte ao vermos os nossos filhos sem capacidade de sonhar.
Quando essa luminosa luz se extingue e se vê a estrela ir embora e o coração já não treme, e o corpo já não resiste .
Quando essa réstia de luz lentamente se apaga, só há um caminho a seguir :

LUTAR !

Porque o fim do sonho não é um acabar dos sonhos.
Quem sonha, sonhará até ao fim,
até ao expirar.



Impossível é não Viver !
Se te quiserem convencer de que é impossível, diz-lhes que impossível é ficares calado, impossível é não teres voz. Temos direito a viver. Acreditamos nessa certeza com todas as forças do nosso corpo e, mais ainda, com todas as forças da nossa vontade. Viver é um verbo enorme, longo. Acreditamos em todo o seu tamanho, não prescindimos de um único passo do seu/nosso caminho.

Sabemos bem que é inútil resmungar contra o ecrã do telejornal. O vidro não responde. Por isso, temos outros planos. Temos voz, tantas vozes; temos rosto, tantos rostos. As ruas hão-de receber-nos, serão pequenas para nós. Sabemos formar marés, correntes. Sabemos também que nunca nos foi oferecido nada. Cada conquista foi ganha milímetro a milímetro. Antes de estar à vista de toda a gente, prática e concreta, era sempre impossível, mas viver é acreditar. Temos direito à esperança. Esta vida pertence-nos.

Além disso, é magnífico estragar a festa aos poderosos. É divertido, saudável, faz bem à pele. Quando eles pensam que já nos distribuíram um lugar, que já está tudo decidido, que nos compraram com falinhas mansas e autocolantes, mostramos-lhes que sabemos gritar. Envergonha-mo-los como as crianças de cinco anos envergonham os pais na fila do supermercado. Com a diferença grande de não sermos crianças de cinco anos e com a diferença imensa de eles não serem nossos pais porque os nossos pais, há quase quatro décadas atrás, tiveram de livrar-se dos pais deles. Ou, pelo menos, tentaram.

O único impossível é o que julgarmos que não somos capazes de construir. Temos mãos e um número sem fim de habilidades que podemos fazer com elas. Nenhum desses truques é deixá-las cair ao longo do corpo, guardá-las nos bolsos, estendê-las à caridade. Por isso, não vamos pedir, vamos exigir. Havemos de repetir as vezes que forem necessárias: temos direito a viver. Nunca duvidámos de que somos muito maiores do que o nosso currículo, o nosso tempo não é um contrato a prazo, não há recibos verdes capazes de contabilizar aquilo que valemos.

Vida, se nos estás a ouvir, sabe que caminhamos na tua direcção. A nossa liberdade cresce ao acreditarmos e nós crescemos com ela e tu, vida, cresces também. Se te quiserem convencer, vida, de que é impossível, diz-lhe que vamos todos em teu resgate, faremos o que for preciso e diz-lhes que impossível é negarem-te, camuflarem-te com números, diz-lhes que impossível é não teres voz.

José Luís Peixoto, in 'Abraço'
  José Luís Peixoto, in 'Abraço'

terça-feira, 11 de setembro de 2012

100 Palavras

faltam-me as palavras...
ou talvez as guarde numa incapacidade de as tornar mais explicitas e claras
ou talvez se amontoem num qualquer canto à espera que eu as retire
ou talvez elas não queiram ser escritas nem vistas nem ditas
faltam-me as palavras...
e após uma breve angústia
encontro-as
noutras bocas

ABISMO - Poder da Imagem



Ninguém disse
Que os dias eram nossos
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre mais uma madrugada

Ninguém disse
Que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
Mais uma gargalhada

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar me no mundo e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim


 Mafalda Veiga & Susana Félix - Por Outras Palavras

terça-feira, 4 de setembro de 2012

[procure ser árvore]


“Poesia não é para compreender mas para incorporar
Entender é parede: procure ser árvore.”
Manoel de Barros


 no meu pomar
há uma árvore
que não dá frutos
mas mantém
 o perfume da primavera

e o outono quando vem
perdoa
árvores estéreis
com alma




ilustração: Paul Bond