quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Hallelujah !

De vez em quando recebo a visita de um passarinho azul. Ele sabe  quando preciso dele. Ontem encostou-se ao meu ouvido e sussurrou:
"-Não te preocupes, tudo vai correr bem, ele vai conseguir, eu sei !"
E ali ficou ternamente pousado nos meus ombros, enquanto as lágrimas me caiam pelo rosto.
O amor de mãe é tão imenso quanto o céu, tão profundo como todos os mares do mundo, tão inacreditavelmente belo... e contudo este imenso amor também nos faz sofrer, e ficamos com um aperto no peito quando vemos o olhar triste no rosto de um filho.
O meu passarinho visita-me poucas vezes, penso que se guarda para momentos tão importantes como este.
Ainda chorava quando ele partiu, mas a sua tarefa estava concluída e por isso eu lhe agradeço eternamente.
Fê blue bird





Bom fim de semana!
beijinhos

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Depois deste comentário amigo e sincero, mudei a imagem do cabeçalho e perfil .

 Amiga Laura tens razão, apesar das minhas "penas" já não terem a força e a beleza de outrora, ainda voo por aí. Com esforço confesso...
 Um beijinho também para ti.
 

Para ser sincera:

A imagem que abre a página, desculpa, não está de acordo com o que de ti conheço. Não te vejo, Passarinho Azul, a comer dócil e tranquilamente na mão de quem quer que seja.

Também, e relativamente ao teu símbolo, Fê, o acho pouco afirmativo. Tu, que és de voos rasgados, apresentas-te como um passarinho parado e estático?! Não, tu não és assim! És de luta!

O poema sim, enformas-te nele ou ele se ajusta a ti. Porque és de luta!

Desculpa, Fê! Pediste a opinião e eu dei-ta.

Beijinho

Laura


Fiquei feliz e agradeço também todos os outros  comentários.
Porque são vocês, meus amigos e amigas, aí desse lado que me fazem sempre voltar!

Aproveito também para me colocar à disposição, de quem gosta destas minhas mudanças :)
 para vos ajudar e dar dicas de como podem mudar o visual do vosso blogue.
 Terei muito gosto nisso.

Beijinhos
Fê Blue bird

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Escuta, escuta:



Escuta, escuta:
tenho ainda uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei,
não vai salvar o mundo,
 não mudará a vida de ninguém
- mas quem é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco mais.
Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua. 

Eugénio de Andrade


Poema:
Foto:
Fê Blue Bird

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

É preciso acreditar, É preciso acreditar !

Ninguém merece perder a capacidade de ACREDITAR.
Mesmo quebrada, ainda tenho essa LUZ dentro de mim.
Fê blue bird

É preciso acreditar, É preciso acreditar
que o sorriso de quem passa
é um bem para se guardar
que é luar ou sol de graça
que nos vem alumiar ... com amor alumiar

É preciso acreditar, É preciso acreditar
que a canção de quem trabalha
é um bem para se guardar
E não há nada que valha
a vontade de cantar ... a qualquer hora cantar

É preciso acreditar, É preciso acreditar
que uma vela ao longe solta
é um bem para se guardar
que se um barco parte ou volta
passará no alto mar ... e é livre o alto mar

É preciso acreditar, É preciso acreditar
Que esta chuva que nos molha
é um bem para se guardar
que há sempre terra que colha
um ribeiro a despertar .... para um pão por despertar.


 Letra de Leonel Neves
Música de Luiz Goes

domingo, 18 de novembro de 2012

Tem dias que a gente se sente assim ...

O amigo Rogério Pereira, despertou a minha atenção com o seu comentário, fui pesquisar e...
Roda Viva é uma canção do cantor e compositor brasileiro Chico Buarque de Holanda. Foi classificada em terceiro lugar no III Festival de Música Popular Brasileira, Setembro e Outubro do ano de 1967.[1]
A música Roda Viva foi escrita para a peça de teatro de mesmo nome, também de autoria de Chico Buarque. A peça não tinha a ver com política, mas com a trajectória de um cantor massificado pelo esquema da televisão. Em Julho de 1968 a peça foi montada em São Paulo quando o CCC invadiu o teatro, destruiu o cenário e espancou os actores.
fonte: Wikipédia

Roda Viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir

Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

                   Chico Buarque (1967)

Desejo-vos uma excelente semana 
beijinhos

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Morres de fraco? Morres de atrevido .

depenado mas ousado

Aflito coração, que o teu tormento
Que os teus desejos, tácito, devoras.
E ao doce objecto, às perfeições que adoras,
Só te vás explicar com o pensamento.

Infeliz coração, recobra alento
Seca as inúteis lágrimas que choras!
Tu cevas o teu mal, porque demoras
Os voos ao ditoso atrevimento.

Inflama surdos ais, que o medo esfria;
Um bem tão suspirado e tão subido,
Como se há-de ganhar sem ousadia?

Ao vencedor afoite-se o vencido;
Longe o respeito, longe a cobardia,
Morres de fraco? Morre de atrevido.


BOCAGE


Desejo-vos um excelente fim de semana
beijinhos

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Aos que vierem depois de nós


Realmente, vivemos tempos muito sombrios!
A inocência é loucura.
 Uma fronte sem rugas denota insensibilidade.
Aquele que ri ainda não recebeu a terrível notícia que está para chegar.

Que tempos são estes,
 em que é quase um delito falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
 não poderá jamais ser encontrado pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem (se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: "Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!"

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como, se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo e, sem temores,
deixar correr o breve tempo.
Mas evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos,
antes esquecê-los é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo.
 Realmente, vivemos tempos sombrios.

Para as cidades vim em tempos de desordem, quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia.
 Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas.
E a meta achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente, ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo que me foi concedido na terra.

Vós, que surgireis da maré em que perecemos,
lembrai-vos também, quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios de que pudestes escapar.
 
Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país do que de sapatos,
através das lutas de classes, desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos que também o ódio contra a baixeza endurece a voz.
Ah, os que quisemos preparar terreno para a bondade não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós com indulgência. 



Bertolt Brecht
(Tradução de Manuel Bandeira)

terça-feira, 13 de novembro de 2012

E se nada acontecer?

 "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça." 


E se nada acontecer?

Se os rostos deformados e os mendigos, os olhos famintos e as mãos que interrogam, a carne que sangra e afoga os desejos;

Se tudo isso se transformar em cinza e ausência e a vida acenar ainda?

E se o silêncio pesar sobre o grito de angústia, se a esfinge recolher seu sorriso transfigurado, se todos os sonhos forem abortados… e se nada acontecer?
E se tudo isso não tiver a menor importância?
  imagem: links da Fê



domingo, 11 de novembro de 2012

Aproximem-se, a lareira já está acesa.

 
 A vida é um incêndio, nela dançamos salamandras mágicas.
Que importa restarem cinzas se a chama foi bela e alta?
Em meio aos toros que desabam, cantemos a canção das chamas!

Cantemos a canção da vida, na própria luz consumida...

Mario Quintana

São servidos? :)


Desejo-vos uma excelente semana
beijinhos

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

{ vem e vai vai e vem a esperança. }


Mother and Son
(by Pedro Almeida)

 No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.
Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.
Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.
E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.
Só nossa vontade
alcança
da esperança
humana realidade. 



Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

imagem : Links da Fê


Desejo-vos um excelente fim de semana
Beijinhos

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Obrigada !

É sempre bom receber um prémio. Melhor ainda, quando o recebemos nove vezes!!! :)
A AMIZADE é a principal força motivadora deste meu blogue.
Os nove amigos que me ofereceram o prémio Dardos foram :

 Brown Eyes

Utópico

Gisa


JP


  A. João Soares
 
Sonhadora (Rosa Maria)

«O Prémio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade que em 2008, concedeu no seu blog, Leyendas e el pequeno Dardo, os primeiros Dardos, destinados a quinze blogues, que deveriam indicar outros blogues igualmente merecedores. Assim o prémio se espalhou pela internet, e destina-se a reconhecer os valores e empenho demonstrados por cada escritor de blogue. As regras do Prémio Dardos são: »
  1.  Exibir o selo;
  2.  Linkar quem o premiou;
  3.  Escolher outros blogues para indicar o prémio;
  4.  Avisar os escolhidos.

Como todos vós o merecem, vou quebrar a terceira regra e oferecê-lo com muito prazer a todos os meus amigos e amigas.
«Os amigos são semelhantes aos sapatos. Uns apertam, outros ficam largos, só os que se ajustam aos nossos pés nos ajudam a caminhar pela vida.» Eugénio Leandro Pascoal Salvador
Obrigada por serem do meu número :)

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Os Lobos e Ninguém

 
Os Lobos e Ninguém 

Cresceu nas pedras
Falou sozinho com a voz de relento
Soube do sabor da morte, da sorte e do vento.
Cresceu calado
Dormiu sozinho na terra batida
Marchou descalço no pó dos caminhos da vida.
Guardou os rebanhos dos lobos à chuva e ao frio
Suou tardes de terra dura na ponta do estio
Comeu do pão magro
Da magra soldada
Largou a enxada
Largou o noivado
Largou p´ra cidade mais perto
Para um pão mais certo.
Malhou no ferro
Abriu trincheiras, estradas.
Sonhou.
Andou no mato perdeu a infância.
Matou.
Marchou caldo
Dormiu sozinho na terra batida
Caiu descalço no pó dos caminhos da vida.
E os lobos lá longe.
E as asas de abutre sem cara.
E o medo na tarde, na farda, no corpo, na arma
Soldado na morte
Do mato no norte
Na sorte do vento
No fogo da terra
Nascido descalço
Crescido nas pedras
Dormido sozinho
No pó do caminho
Enxada
Pão magro
Relento
Soldado
Na ponta do estio.
E o medo na tarde
E os lobos lá longe.
E as asas de abutre sem cara.

  José Luís Tinoco
imagem: meus links

sábado, 3 de novembro de 2012

...não zombarás de minhas mudanças!

«Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças! 
As pirâmides que novamente construíste Não me parecem novas, nem estranhas;
 Apenas as mesmas com novas vestimentas.»

 William Shakespeare 


Já fui um passarinho colorido, com lindas penas, envaidecido. 
Um dia, minhas penas perdi. Quebrei, chorei, quase desisti. 
Mas...renasceram novas penas, de um AZUL forte e glorioso
e num dia de sol, cauteloso, olhei para o céu, minhas asas abri
e voei... VOEI PARA MIM!