segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Só te peço... que me faças companhia.


Julgamos que a vida nos escapa e na realidade a vida é isso
Às vezes fico com a vista parada
─ por exemplo numa parede ─
durante um bom bocado. Os olhos
deixam de ver por fora e o corpo
parece que não o sinto. Então
normalmente dou-me conta
(e não mo explico e espanto-me)
desta coisa estranha que é viver,
e faço-me perguntas que cortam
e o que sou concentra-se num ponto
e a única coisa que sinto é que eu
─ a voz que vive em mim e que me diz
isto e aquilo sem palavras ─
também serei menos um. Em breve.
Que tudo o que penso agora,
o que pensei e chegarei a pensar
há muito que não é nada.

Juan Miguel López

Poesia Espanhola, anos 90

Organização e trad. de Joaquim Manuel Magalhães

domingo, 24 de fevereiro de 2013

escuta...

...as aves do paraíso.

São aves de pequeno a médio porte, que podem medir de 15 a 120 cm de comprimento (incluindo a cauda) e com uma característica marcante e surpreendente: a plumagem exuberante dos machos da maioria das espécies.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

*The Versatile Blogger Award e 7 coisas sobre mim*





As minhas amigas, Ana do blogue «Memórias de Um Grande Amor» e Alexandra do blogue  »Ouso Escrever» contemplaram-me com este prémio o que desde já agradeço.

Mas, como "não há bela sem senão" (onde eu que eu já ouvi isto), lançaram-me o seguinte desafio:


  •  Agradecer às pessoas que me deram esta nomeação e incluir um link para o seu blog (o que já fiz com todo o gosto)
  •   Escolher 15 blogs e nomeá-los com o "The Versatile Blogger Award"; (o que não vou fazer, pois sou das que quebram esta regra, mas desafio todos o que comentarem este post a levá-lo !)
  •   Escrever 7 coisas sobre mim ...
...a minha querida amiga 
 fez-me o favor de com este presente, escrever tudo sobre mim


"É que eu gosto do riso de tudo. De flores. De gente. De bichos.
Dos dias de céu azul lisinho.
Das noites carregadas de cachos de estrelas.
Da canção que as ondas cantam quando tocam a areia.
Às vezes, eu vejo até o riso contido do que
não tem coragem de rir."
 
(Ana Jácomo)

desejo a todos um excelente fim de semana!

 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O povo é quem mais ordena dentro de ti, ó cidade

Grândola Vila Morena

Zeca Afonso

Grândola, vila morena
Terra da fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade 

Dentro de ti, ó cidade
O povo é quem mais ordena
Terra da fraternidade
Grândola, vila morena 

Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, igualdade
Grândola, vila morena
Terra da fraternidade 

Terra da fraternidade
Grândola, vila morena
Em cada rosto, igualdade
O povo é quem mais ordena 

À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade
Jurei ter por companheira
Grândola, a tua vontade 

Grândola a tua vontade
Jurei ter por companheira
À sombra duma azinheira
Que já não sabia a idade

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

♥ Final Feliz ♥



Depois do  NamoroPrimeiro Beijo ,  Ciúme e  Perdão,

segue ...

...  primeiro a tua mão sobre o meu seio
Matias Quetglas
pintura de  Matias Quetglas

Primeiro a tua mão sobre o meu seio.
Depois o pé - o meu - sobre o teu pé.
Logo o roçar urgente do joelho
e o ventre mais à frente na maré.

É a onda do ombro que se instala.
É a linha do dorso que se inscreve.
A mão agora impõe, já não embala
mas o beijo é carícia, de tão leve.

O corpo roda: quer mais pele, mais quente.
A boca exige: quer mais sal, mais morno.
Já não há gesto que se não invente,
ímpeto que não ache um abandono.

Então já a maré subiu de vez.
É todo o mar que inunda a nossa cama.
Afogados de amor e de nudez
Somos a maré alta de quem ama

Por fim o sono calmo, que não é
Senão ternura, intimidade, enleio:
O meu pé descansando no teu pé,
A tua mão dormindo no meu seio.

Rosa Lobato Faria



DIVIRTAM-SE! :)




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Será que vai dar certo ?

 Depois do Namoro e do Primeiro Beijo 

vem o ciúme e o pedido de perdão :)

 
O Ciúme

 Entre as tartáreas forjas, sempre acesas,
 Jaz aos pés do tremendo, estígio nume (1),
 O carrancudo, o rábido (2) Ciúme, 
Ensanguentadas as corruptas presas. 

Traçando o plano de cruéis empresas,
 Fervendo em ondas de sulfúreo lume,
 Vibra das fauces o letal cardume
 De hórridos males, de hórridas tristezas.

 Pelas terríveis Fúrias (3) instigado, 
Lá sai do Inferno, e para mim se avança 
O negro monstro, de áspides (4) toucado.

 Olhos em brasa de revés me lança;
 Oh dor! Oh raiva! Oh morte!... 
Ei-lo a meu lado Ferrando as garras na vipérea (5) trança. 

 Bocage

  (1) Plutão, deus dos infernos. (2) Raivoso, furioso (3) Demónios do mundo infernal. (4) Serpentes venenosas. (5) De víbora
 
 


terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

♥ Primeiro Beijo

Recebi o teu bilhete
Para ir ter ao jardim
A tua caixa de segredos
Queres abri-la para mim

E tu não vais fraquejar
Ninguém vai saber de nada
Juro não me vou gabar
A minha boca é sagrada

De estar mesmo atrás de ti
Ver-te da minha carteira
Sei de cor o teu cabelo
Sei o shampoo a que cheira

Já não como já não durmo
E eu caia se te minto
Haverá gente informada
Se é amor isto que eu sinto

Quero o meu primeiro beijo
Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa

Promete lá outro encontro
Foi tão fugaz que nem deu
Para ver como era o fogo
Que a tua boca prometeu

Pensava que a tua lingua
Sabia a flor do jasmim
Sabe a chiclete de mentol
E eu gosto dela assim

 Quero o meu primeiro beijo
Não quero ficar impune
E dizer-te cara a cara
Muito mais é o que nos une
Que aquilo que nos separa



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Namoro



Lenços dos namorados


Os lenços dos namorados são uma peça de artesanato e vestuário típico do Minho, cuja origem remonta os séculos XVII e XVIII.  Estes lenços são fabricados a partir de panos de linho fino ou de lenços de algodão, e são bordados com motivos variados com significados próprios. Os símbolos mais comuns que encontramos nos lenços estão relacionados com o amor: corações, motivos florais, chaves, pássaros e ramos. Nos lenços mais antigos, os erros ortográficos eram comuns, dada a falta de instrução das raparigas que os costuravam.
As moças começavam a bordá-los na infância, usando-o inicialmente como adereço do seu traje, quer na bainha da saia ou no bolso do avental. Mais tarde, o lenço seria oferecido ao rapaz por quem ela se apaixonara, que o passaria a usar em público por cima do casaco domingueiro, no bolso, ou ao pescoço, como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação.

mandei-lhe um cartão...
mandei-lhe um recado...
mandei fazer-lhe um feitiço...
ofertei-lhe isto e aquilo...
e... ela disse que não...
tocaram uma rumba dancei com ela...
olhei-a nos olhos...pedi-lhe um beijo...
na..ra...narara...na...ra
e ... ela disse que sim...

Ai, o Amor!


Viriato Cruz e Sérgio Godinho - Dupla perfeita.





domingo, 10 de fevereiro de 2013

Desmascaremo-nos, pois.


CARNAVALIZANDO-SE

 
Desmascaremo-nos, pois.
Desnudemo-nos, então.
Irreconhecidamente belos, feios
Com máscaras ou sem.
Elevados. Depravados. Santificados.
Rebaixados. Degradados. Renovados.
Ridicularizados. Dicotómicos. Desestabilizados.
Invertidos. Convertidos. Divertidos. Obscenos.
Profanamente divinos.
Infernalmente paradisíacos
Parodisíacos.
Ritualísticos.
Permutos. Absurdos.
Exageros. Aconchegos.
Desapegos.
Heroicamente romanceados.
Dissonantes. Mutantes.
Carnavalizantes.

  Maria Ivanúcia Lopes da Costa[1]


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Queria tanto...






Queria tanto... ser contadora de histórias para crianças, com lágrimas por uma queda, com risos de um baloiço.
Queria tanto... ser a criança das minhas histórias, com malmequeres brancos e amarelos num jardim donde se vêem animais ao olhar para as nuvens
Queria tanto... entrar nas minhas histórias, em histórias que nunca ou talvez aconteceram, iria ter comigo e com as gentes que as povoaram.
Ah ! Se eu pudesse ser criança ou contadora de histórias e cada uma dessas histórias adormecesse serenamente quem as quisesse ouvir ao fim do dia, seria tão bom ... queria tanto!


BONS SONHOS!

BOM FIM DE SEMANA!
beijinhos

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

um pouco de céu...

...um pouco de LUZ 

*

Quando é que eu serei da tua cor,
Do teu plácido e azul encanto,
Ó claro dia exterior,
Ó céu mais útil que o meu pranto?




 os últimos raios de sol espreitam por entre as persianas
 penetrando na minha sala como agulhas de ouro que se estendem pelos móveis e livros
 mergulhando os objectos num lago de luz e sombra
baixo os olhos para o computador
 mas eles não conseguem entender porque abandono eu esta bela luz

que caprichosos são os meus olhos...


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Ah! só quem vem das trevas e das noites escuras pode amar assim o imenso mundo do sol!


Desfloramento

Venho das noites escuras
e aprendi a ver nas trevas
e a ler nas trevas.

Venho das noites escuras
e sei o grande soluço das sombras
e os cânticos impotentes dos peregrinos.

Venho das noites escuras
daí o meu amor imenso pela luz!

Quanto mais treva era a treva
melhor eu aprendia a amar a luz do sol
e dos meus olhos sempre mais e mais abertos
a luz interior irradiando aniquilava as sombras...

E sendo sempre noite já a pouco e pouco era mais manhã.

E cada vez mais enorme e definitiva amanhã subia
apesar da treva apesar do silêncio apesar de tudo!
O negrume da noite era uma incandescência prenhe.

A flor romântica das trevas esfolhou-se-me nos dedos.

E então nasci.

E então vi que estava nu
e alegrei-me por estar nu
enfim!

Sorvi os frutos da terra
e já não me souberam a papel impresso!

Sacudi a poeira que me tinham ensinado
e comecei então a saber.

Sob as palavras surgiu enfim a voz
e a canção ardente da vida já não encontrou algodão nos meus ouvidos.

Ah! só quem vem das trevas e das noites escuras
pode amar assim o imenso mundo do sol!






BOA SEMANA !

Beijinhos


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Vergonha !

«Maior que a tristeza de não haver vencido é a vergonha de não ter lutado!»
Rui Barbosa




Num mundo em que há migalhas e desperdícios
pratos cheios de restos enfastiados
e bocas a salivar sem ter pão;
e em que há crianças tristes, maltrapilhas,
que não terão nem livros nem recreios
nem mesmo infância no seu coração,

num mundo onde os enfermos são tratados
com a caridade irónica dos homens
proprietários dos próprios hospitais;
onde alguns já nasceram infelizes
e hão de viver sem segurança e paz
sem meios de lutar, abandonados;
e outros, trazem do berço as regalias
que hão de inutilizar, despreocupados;

num mundo onde há mãos cheias, transbordantes,
e há mendigando, pobres mãos vazias;
onde há mãos duras, ásperas , cansadas,
e suaves mãos, inúteis e macias;
onde uns tem casa grande, com jardins,
e outros, quartos estreitos, sem paisagem;

num mundo onde os artistas, prisioneiros,
fazem "roda" nos mesmos  quarteirões
sonhando sempre uma impossível viagem;
e há homens displicentes nos navios
carregando kodaks distraídas
que tem mais alma que seus olhos frios;

num mundo, onde os que podem, não tem filhos,
e os que tem filhos, quase sempre lutam
porque não podem construir um lar;

num mundo onde o mais leve olhar humano
vê-se que não há nada em seu lugar,
e onde no entanto fala-se em Direito,
em Justiça, em Razão, em Liberdade;

num mundo, onde os que plantam, pouco colhem,
e os que colhem, não sabem, na verdade,
de onde vem as colheitas que consomem;

num mundo, onde uns jejuam muitos dias
e outros, por vício, muitas vezes comem...

- sinto a angústia fatal de ter nascido
e a suprema vergonha de ser homem!




Bom fim de semana!