sexta-feira, 29 de novembro de 2013

(lá fora faz tanto frio)


Perfeito vazio


Xutos & Pontapés

Aqui estou eu
Sou uma folha de papel vazia
Pequenas coisas
Pequenos pontos
Vão me mostrando o caminho

Às vezes aqui faz frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no Vazio
As vezes aqui faz frio

Sei que me esperas
Não sei se vou lá chegar
Tenho coisas p'ra fazer
Tenho vidas para a acompanhar

Às vezes lá faz mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio

(lá fora faz tanto frio)

Bem-vindos a minha casa
Ao meu lar mais profundo
De onde saio por vezes
Para conquistar o mundo

Às vezes tu tens mais frio
Às vezes eu fico imóvel
Pairando no vazio
No perfeito vazio
Às vezes lá faz mais frio
No teu peito vazio



Bom Fim de Semana ! 

Aprenda sobre a epilepsia

"Muitas vezes é difícil de identificar e distinguir os diversos tipos de convulsões, este vídeo é absolutamente esclarecedor, portanto peço-vos que o vejam até ao fim. Eu inicialmente, quando me falavam de epilepsia, a imagem que tinha era que a pessoa caía e tinha espasmos pelo corpo todo, mas hoje sei que não existe apenas um tipo de convulsão e sei também que as ausências que o meu filho manifesta,  se devem a descargas eléctricas que ocorrem provocando essas mesmas crises. "


Visitem o site da EPI e Ajudem a Ajudar !
 *

{ Meu filho, vais ficar bem, eu sei . }


domingo, 24 de novembro de 2013

Gostam do meu novo visual ? :)

[ um pouco arejado para a época, mas é o que se pode arranjar :) ]
" As pessoas têm medo das mudanças. Eu tenho medo que as coisas nunca mudem. "
Chico Buarque
Boa semana !




 Bei mir bist du scheen-“To Me You’re Beautiful”

 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ESSES



BASTA !

Os que trazem a tarde
a estrebuchar rosas,
pela trela,
como um cão,
e põem rosas nas janelas,
nos sorrisos que nos dão.

Os que amassam flores
no pão dos pobres

Os que mascaram de rosas
o não

Os que aos Domingos
dão às crianças
um tostão

Os que têm ninhos
de andorinhas
nos beirais
e chicotes
nos dedos,
sub-reptícias gestapos caiadas
do livor
dos degredos

Os que roubam estrelas
aos olhos da gente
para vendê-las
à socapa

Os que instalam
alto-falantes de riso
na mágoa salina
das costas curvada,
no grito preciso
das raivas sangradas

Os que nos matam de rosas
às punhaladas.


In De Palavra em Punho – Antologia Poética da Resistência – De Fernando Pessoa ao 25 de Abril, org. José Fanha, ed. Campo das Letras





terça-feira, 19 de novembro de 2013

Quem nos salva destas lágrimas.




Na Espanha, como por cá, a falta de emprego obriga milhares de jovens a deixar o seu país. Jovens qualificados que, entre outras coisas, sabem produzir vídeos que se tornam virais na Internet, muito por culpa das redes sociais.
O vídeo foi até agora visto por mais de três milhões de pessoas. Os culpados por estes jovens terem que viver longe são, segundo eles, políticos, banqueiros e empresários especuladores.
Para que uns quantos tenham cada vez mais, muitos têm que ter cada vez menos. Para que alguns conduzam carros com grandes cilindradas, e se sintam donos do mundo,  muitos têm que ir para longe dos seus. Por enquanto os que vão ainda sabem, ainda fazem.
Infelizmente a resposta à questão de Almeida Garrett:
«E eu pergunto aos economistas políticos, aos moralistas, se já calcularam o número de indivíduos que é forçoso condenar à miséria (…) para produzir um rico?»
Continua a ser muitos, cada vez mais, porque cada vez há menos para tirar a cada pobre e os ricos não abdicam de ficar cada vez… mais ricos!





domingo, 17 de novembro de 2013

BOA SEMANA !


 Dois amigos contemplavam um lago a perder de vista.
À volta, montes e vales, céu em tons de azul, nuvens brancas a passar. 
Uma paisagem deslumbrante.
Pacificadora.
Um deles - sorriso nos lábios e olhos a brilhar - decidiu abrir o coração:
"Acho que o Céu… o Céu deve ser mais ou menos isto".
"Não” - respondeu o outro.
“Eu acho que o Céu” – disse envolvendo o amigo num abraço –
“deve ser mais ou menos isto"




Um abraço para todos !

Boa Semana!


sexta-feira, 15 de novembro de 2013

PARA TI !

BOM FIM DE SEMANA ! 

“Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta.
De sol quando acorda.
De flor quando ri.
Ao lado delas, a gente se sente no balanço de uma rede
que dança gostoso numa tarde grande, sem relógio e sem agenda.
Ao lado delas, a gente se sente comendo pipoca na praça.
Lambuzando o queixo de sorvete.
Melando os dedos com algodão doce da cor mais doce que tem pra escolher.
O tempo é outro.
E a vida fica com a cara que ela tem de verdade,
mas que a gente desaprende de ver.”

Ana Jácomo


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Uma mãe nunca devia envelhecer...

... e nunca devia adoecer.
Tem força Mãe!


" mãe, eu sei que ainda guardas mil estrelas no colo.
eu, tantas vezes, ainda acredito que mil estrelas são
todas as estrelas que existem."

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Isto vai, caro amigo.




ÇA IRA


Isto vai, caro amigo.
Não como nós queremos, é certo,
mas isto vai.

Por noites de insónia e alcatrão
por laranjas e lábios ressequidos
por desespero na voz e escuridão
isto vai, caro amigo.

Por mágoas acesas e relógios
pelo sabor dos braços na alegria
pelo odor das plantas venenosas
isto vai, caro amigo.

Pelo cabo axial que liga a nossa esperança
pela luz dos cabelos, pelo sal
pela palavra remo, pela palavra ódio
isto vai, caro amigo.

Pela ternura e pela confiança
pela vontade e força, as nossas casas
pelo fervor com que inventamos (e depois calamos)
isto vai, caro amigo.

Pelos carris do medo, pelas árvores
pela inocência e fome, pelos perigos
pelos sinais fraternos, pelas lágrimas
isto vai, caro amigo.

Pela rudeza do espaço
e em jardins falsíssimos

isto vai, caro amigo.

 João Rui de Sousa



João Rui de Sousa é um poeta discreto e de grande qualidade. Nasceu em 1928. Continua a publicar. O seu último livro é "Quarteto para as próximas chuvas", ed D. Quixote. Iniciou a publicação de poesia na revista CASSIOPEIA que fundou com António Ramos Rosa e José Bento.

domingo, 10 de novembro de 2013

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

[ solidão ]

Quando as nossas dores se diluem
 na imensidão de dores que nos rodeiam
 sentimos uma enorme solidão
.




Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!


Florbela Espanca