sexta-feira, 28 de março de 2014

Há momentos...

 ... em que temos que brindar a vida com a beleza que passa despercebida.

BOM FIM DE SEMANA !









Só se Pode Ser Feliz Simplificando

Só se pode ser feliz simplificando, simplificando sempre, arrancando, diminuindo, esmagando, reduzindo; e a inteligência cria em volta de nós um mar imenso de ondas, de espumas, de destroços, no meio do qual somos depois o náufrago que se revolta, que se debate em vão, que não quer desaparecer sem estreitar de encontro ao peito qualquer coisa que anda longe: raio de sol em reflexo de estrelas. E todos os astros moram lá no alto.


Florbela Espanca, in "Diário do Último Ano"

terça-feira, 25 de março de 2014

" Desculpe... Não foi possível processar a sua solicitação. Tente novamente ou retorne mais tarde. "

Sempre que tento seguir um blogue que me agrada, "apanho" com esta "informação". 
Também sei que ninguém consegue "seguir" os meus blogues, 
portanto o melhor mesmo é continuar esperando...
de preferência deitada :) 


CANSEI !


domingo, 23 de março de 2014

[ Menininha do meu coração...

...tenho tantas saudades tuas.]





Menininha do meu coração
Eu só quero você a três palmos do chão.
Menininha não cresça mais não,
Fique pequenininha na minha canção.
Senhorinha levada, batendo palminha,
Fingindo assustada do bicho-papão.

Menininha, que graça é você,
Uma coisinha assim, começando a viver.
Fique assim, meu amor, sem crescer,
Porque o mundo é ruim, é ruim, e você
Vai sofrer de repente uma desilusão
Porque a vida somente é seu bicho-papão.

Fique assim, fique assim, sempre assim
E se lembre de mim pelas coisas que eu dei.
E também não se esqueça de mim
Quando você souber, enfim,
De tudo que eu guardei.

Valsa Para Uma Menininha 

Toquinho

imagem retirada daqui

*

BOA SEMANA !


 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz.

Toshiyuki Enoki

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Não fui eu que gastei
Mais do que era para mim
Não fui eu que tirei
Não fui eu que comi

Não fui eu que comprei
Não fui eu que escondi
Quando estavam a olhar
Não fui eu que fugi

Não é essa a razão
Para me querem moldar
Porque eu não me escolhi
Para a fila do pão
Este barco afundou
Houve alguém que o cegou
Não fui eu que não vi

Eu não quero pagar por aquilo que eu não fiz
Não me fazem ver que a luta é pelo meu país
Eu não quero pagar depois de tudo o que dei
Não me fazem ver que fui eu que errei

Talvez do que não sei
Talvez do que não vi
Foi de mão para mão
Mas não passou por mim
E perdeu-se a razão
Todo o bom se feriu
foi mesquinha a canção
Desse amor a fingir
Não me falem do fim
Se o caminho é mentir
Se quiseram entrar
Não souberam sair
Não fui eu quem falhou
Não fui eu quem cegou
Já não sabem sair

Meu sonho é de armas e mar
Minha força é navegar
Meu Norte em contraluz

Meu fado é vento que leva e conduz.

 – Tiago Bettencourt


*

BOM FIM DE SEMANA


quinta-feira, 20 de março de 2014

Olá Primavera !



*

I 
Olá! Bons dias! Em Março,
Que mocetona e que jovem
A terra! Que amor esparso
Corre os trigos, que se movem
Às vagas dum verde garço!

Como amanhece! Que meigas
As horas antes de almoço!
Fartam-se as vacas nas veigas
E um pasto orvalhado e moço
Produz as novas manteigas. 
 Toda a paisagem se doura;
Tímida ainda, que fresca!
Bela mulher, sim senhora,
Nesta manhã pitoresca,
Primaveril, criadora!
 

quarta-feira, 19 de março de 2014

Pai, todos os dias são teus !

[ sei que neste país há pais chorando...]
Ilustração de Magarita Sikorskaia



“Porque choras, pai? – perguntou a Dora.
Não choro, filha, estou a dar de beber a um peixe que existe dentro de mim….
Dora colou-me os braços à volta do pescoço.
Pai, és um poeta! – murmurou num sorriso.
E tu um poema, respondi.”
[In: Diário dos Infiéis]
João Morgado

*
PAI !
Todos os dias celebro o teu sorriso.
Gosto muito de ti !



segunda-feira, 17 de março de 2014

Verde que te quero verde.


Romance sonâmbulo

Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramos.
O barco sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra na cintura,
ela sonha na varanda
verde carne, cabelo verde,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Debaixo da lua cigana,
as coisas a estão olhando
e ela não pode olhá-las.


Verde que te quero verde.
Grandes estrelas de escarcha
vêm com o peixe de sombra
que abre o caminho da alba.
A figueira arranha o vento
com a lixa de seus ramos
e o monte, gato matreiro,
eriça suas fibras acres.
Mas quem virá? e por onde?
Ela continua na varanda,
verde carne, cabelo verde,
sonhando no mar amargo.


- Compadre, quero trocar
meu cavalo por sua casa,
meu arreio pelo espelho,
minha faca por sua manta.
Compadre, venho sangrando
desde os portos de Cabra.
- Se eu pudesse, seu moço,
este trato se fechava.
Mas eu já não sou eu
nem já é minha a minha casa.
- Compadre, quero morrer
decentemente em minha cama.
De arma branca, pode ser,
com os lençóis de cambraia.
Não vês a ferida que tenho
do peito até a garganta?
- Trezentas rosas morenas
leva teu peitilho branco.
Teu sangue respinga e cheira
ao redor de tua faixa.
Mas eu já não sou eu.
Nem já é minha a minha casa.
- Deixai-me subir ao menos
até as altas varandas:
deixai-me subir!, deixai-me
até as verdes varandas!
Avarandados da lua
por onde estronda a água


Já sobem os dois compadres
até as altas varandas.
Deixando um rastro de sangue.
Deixando um rastro de lágrimas.
Tremulavam nos telhados
pequenos faróis de lata.
Mil pandeiros de cristal
feriam a madrugada.


Verde que te quero verde.
Vento verde. Verdes ramos.
Os dois compadres subiram.
O longo vento deixava
na boca um gosto raro
de fel, de menta e alfavaca.
- Compadre! Onde está, dize-me?
Onde está tua menina amarga?
- Quantas vezes te esperou!
Quantas vezes te esperara,
de cara alegre, negras tranças,
nesta verde varanda!


Sobre a boca da cisterna
a cigana tremia.
Verde carne, cabelo verde,
com olhos de fria prata.
O gelo da lua, em pedaços,
ampara-a sobre a água.
A noite se tornou íntima
como uma pequena praça.
Guardas civis bêbados
na porta golpeavam.
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramos.
O barco sobre o mar. 
E o cavalo na montanha. 


Federico García Lorca,
 Tradução de Salomão Sousa
 *

BOA SEMANA ! 




sexta-feira, 14 de março de 2014

BOM FIM DE SEMANA !


Quando o tempo for remendo,
Cada passo um poço fundo
E esta cama em que dormimos
For muralha em que acordamos,
Eu seguro
E o meu braço estende a mão que embala o muro.


Quando o espanto for de medo,
O esperado for do mundo
E não for domado o espinho 
Da carne que partilhamos,
Eu seguro.
O sustento é forte quando o intento é puro.


Quando o tempo eu for remindo,
Cada poço eu for tapando
E esta pedra em que dormimos
Já for rocha em que assentamos,
Eu seguro.
Deixo às pedras esse coração tão duro.


Quando o medo for saindo
E do mundo eu for sarando
Dessa herança eu faço o manto 
Em que ambos cicatrizamos 
E seguro.
Não receio o velho agravo que suturo. 


Abraços rotos, lassos,
Por onde escapam nossos votos.
Abraso os ramos secos, 
Afago, a fogo, os embaraços
E seguro,
Alastro essa chama a cada canto escuro.


Quando o tempo for recobro,
Cada passo abraço forte
E o voto que concordámos
É o amor em que acordamos,
Eu seguro:
Finco os dedos e este fruto está maduro.


Quando o espanto for em dobro,
o esperado mais que a morte,
Quando o espinho já sarámos
No corpo que partilhamos,
Eu seguro.
O que então nascer não será prematuro.


Uníssonos no sono,
O mesmo turno e o mesmo dono,
Um leito e nenhum trono.
Mesmo que brote o desabono
Eu seguro,
Que o presente é uma semente do futuro.


Samuel Uria e Marcia



*

Vou voar até ao sul !

BOM FIM DE SEMANA !





terça-feira, 11 de março de 2014

Que outro rumo deverei seguir na minha rota ?




Cidade
Sem muros nem ameias
Gente igual por dentro
gente igual por fora
Onde a folha da palma
afaga a cantaria
Cidade do homem
Não do lobo mas irmão
Capital da alegria

Braço que dormes
nos braços do rio
Toma o fruto da terra
E teu a ti o deves
lança o teu
desafio

Homem que olhas nos olhos
que não negas
o sorriso a palavra forte e justa
Homem para quem
o nada disto custa
Será que existe
lá para os lados do oriente
Este rio este rumo esta gaivota
Que outro rumo deverei seguir
na minha rota?

 
Tema incluído no álbum "Como se fora seu filho", de 1983.
 José Afonso no espectáculo do Coliseu, antes de cantar "Utopia":

 "A utopia com que sempre sonhei é concretizável."
*

"Utopia" (José Afonso)
in the album "A Terra do Zeca" by Davide Zaccaria.
Tribute to José Afonso.

sábado, 8 de março de 2014

Mulheres - III

Clarice Lispector“Toda mulher leva um sorriso no rosto e mil segredos no coração.”

Marci McDonald

 

  A Arte de Ser Amada 

 

Eu sou líquida mas recolhida
no íntimo estanho de uma jarra
e em tua boca um clavicórdio
quer recordar-me que sou ária

aérea vária porém sentada
perfil que os flamingos voaram.
Pelos canteiros eu conto os gerânios
de uns tantos anos que nos separam.

Teu amor de planta submarina
procura um húmido lugar.
Sabiamente preencho a piscina
que te dê o hábito de afogar.

Do que não viste a minha idade
te inquieta como a ciência
do mundo ser muito velho
três vezes por mim rodeado
sem saber da tua existência.

Pensas-me a ilha e me sitias
de violinos por todos os lados
e em tua pele o que eu respiro
é um ar de frutos sossegados.

Natália Correia, in "O Vinho e a Lira"


"Sou pássaro de fogo
Que canta ao teu ouvido... "


Para nós mulheres, todos os dias são de comemoração
e é bom que os homens não se esqueçam disso.

Estive com alguns problemas de saúde e só agora vos posso desejar
um excelente fim de semana !



terça-feira, 4 de março de 2014

MULHERES - II

Florbela Espanca
“Eu julgo que a mulher verdadeiramente digna é aquela a quem repugna uma traição, seja ela de que natureza for.”

Poema Azul

O mar beijando a areia
O céu e a lua cheia
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu
E a lua cheia
Que prateia os cabelos do meu bem
Que olha o mar beijando a areia
E uma estrelinha solta no céu
Que cai no mar
Que abraça a areia
Que mostra o céu e a lua cheia
um beijo meu

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 3 de março de 2014

MULHERES - I

Agustina Bessa-Luís
“Nós, as mulheres, o que nos faz amar um homem é aparentá-lo com tudo o que amamos - o tempo da crise, da puberdade, da gestação, do enigma; os primeiros rostos, as primeiras carícias, os primeiros medos.”
Agustina Bessa-Luís
Carol Cavalaris

Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas. 



Cecília Meireles, in 'Poemas (1942-1959)'


sábado, 1 de março de 2014

TERRAKOTA - CURRUPUTU


TERRAKOTA - CURRUPUTU

Fugi de minha terra tão cedo
Toda a fuba que havia era o medo
Me prometeram vida futura
mas caí na pura escravatura

Há vai haver problema quando o sistema é um dilema
Há vai haver problema quando há dilema no sistema
Há vai haver dilema quando o sistema é um problema
Há vai haver dilema quando o problema é o sistema

sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!

Curruputu,quem é que te mandou? Aleijado ...
O governo é paralitico.....super litíco ....
Agora no meio da politica, vida apócaliptica
Vamos falar um bokadinho de beleza mana ... iá? ... aauuuéééé

Beleza oriental, Beleza africana
Beleza ocidental, Beleza americana
Tudo na mesma panela fazendo uma misceginação total
Uma difusão sem igual

sabadi sabada !sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada !sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada !sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada !sabadi ? sabadi sabada!

e pr´a falar verdade,eu cito...

o governo, consumismo, xenofobia, nacionalismo
o patrão .. ai! o racismo, a politica, o sistema ...
mete nojo, está podrido, fai skifo, va casser,
bakhul, num st´á lá, bomboklad, va bruler,
já foi, foliboda, i´nudjo, eza e´lenguité,
a´nhambata,andato a male, mete nojo, mete nojo....

“enquanto os governantes e seus partidários se aperaltam sem gratidão ... Zé luna e Adão se enchem de pó, ferro e betão .... mas Deus dá o frio conforme o cobertão”

Makuro (8 vezes)

“attention,attention les amis!
l’ordinateur monde va exploser
on ne peut plus le cacher les amis,
ce systeme Il faut le stopper,ou bien..
il va nous tomber sur la téte ...
et qu’est-ce-qu’on va faire pour manger ? ”

porra dread...

há problema....
vai ter que resolver já !
há problema....
a maka cresce e a paciênçia mirra !
há problema....
o tempo escasseia, o maxibombo vai bazar !

sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!
sabadi sabada ! sabadi ? sabadi sabada!





" Se você pode andar, você pode dançar. Se você pode falar. você pode cantar. "

BOM FIM DE SEMANA !