segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Música às segundas-feiras.

Uma lágrima a cair...


Rogier van der Weyden
uma lágrima a cair
de um nono andar
uma ruiva na janela a chorar
outra lágrima a cair
do mesmo andar
e o resto não se sabe
e o resto não se diz
e o polícia a correr
atrás de um ladrão
cai a trela
cai o dono
foge o cão
o vendedor de jornais
vai subindo a rua
a gritar
o amor quando acontece
nunca é de mais
não se esquece
nunca mais
uma lágrima a cair
de um nono andar
uma ruiva na janela a chorar
outra lágrima a cair
do mesmo andar
e o resto não se sabe
e o resto não se diz
e o polícia a correr
atrás de um ladrão
cai a trela
cai o dono
foge o cão
o amor quando acontece
nunca é de mais
não se esquece
nunca mais

Nuno Rodrigues
(Transmédia, 1988)



*
" Nunca nos devemos envergonhar das nossas lágrimas. " 
Charles Dicken 

BOA SEMANA !

Fê blue bird


Em 1988, a RTP mudou a fórmula de escolha da canção representante ao Euro-festival. Convidou cinco compositores e a sexta canção seria a vencedora do Prémio Nacional de Música.
O Prémio Nacional de Música realizou-se no dia 5 de Março de 1988 na Figueira da Foz. Uma das oito canções finalistas era "Nono Andar" da autoria de Nuno Rodrigues (ex-Banda do Casaco). Inicialmente estava previsto que a canção fosse defendida por Mila Ferreira mas após a desistência da cantora acabou por ser interpretada pelo projecto Ana e Suas Irmãs.
O projecto esteve envolto num clima de mistério: a cantora nunca tirou a mascarilha ao  longo dos ensaios e chegou a constar, em relatos da época, que se tratava de uma jovem de esmerada educação, cujo pai, capitão da marinha mercante, não aceitava o envolvimento da filha mais velha no meio artístico. Ela não deveria revelar a sua identidade para depois regressar a casa perfeitamente tranquila... 
Na noite do espectáculo acabou por tirar a mascarilha mas nada se soube da sua identidade. O tema vencedor do PNM foi "Déjà Vue" de Dora mas a canção escolhida para participar no Festival da Eurovisão acabaria por ser "Voltarei".
A edição em single contou com a colaboração de Né Ladeiras.
Em 2001, Nuno Rodrigues idealizou o disco "Canções de Embalar" dedicado ao seu filho. Um dos temas, "Que Nome Lhe Vamos Dar", usava a música de "Nono Andar" mas com nova letra e com a interpretação de Sara Tavares.

13 comentários:

  1. Música linda,não a conhecia!! Valeu! Linda semana!bjs,chica

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  2. Maravilhoso momento querida amiga ,feliz semana cheia de paz e amor ,muitos beijinhos

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  3. Prima, podes cer, eu já tive vergomha de chorar em público, mas agora, deixo correr as lágrimas sempre que elas chegam aos olhos.
    Kis :>}

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  4. Gostei da imagem, do poema, da música e da história. Obrigada :)
    um beijinho e uma boa semana

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  5. Amiga, seja em privado ou publicamente, se me emocionar, eu choro! Até porque não me consigo controlar e as lágrimas aliviam a tristeza e a amargura.
    Ao iniciar a leitura da canção do Nuno Rodrigues que fala da lágrima que cai do momo andar, apertou-se-me o coração:(

    Lembrei-me da notícia dada hoje no programa da SIC, de manhã, em que uma menina de 10 ou 12 anos, agora não me ocorre, caiu ou atirou-se ( ainda não sabiam) de um décimo andar. Bateu nim carro que estava estacionado na rua e não resistiu aos ferimentos. Horrível!
    A tua imagem da Senhora a chorar, deixou-me triste, Fê!

    O post é lindo e a informação que nos deixas reavivou a minha memória, dessas canções mas temos de pensar em algo mais encorajador, minha amiga.

    Um beijinho grande e pensa lá noutra Desgarrada para uma 2ª feira!!

    Um grande abraço de muita amizade .

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  6. Só me envergonho das lágrimas que não chorei

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  7. Seja a mensagem de serenidade na atitude de alegria interior que devemos ter a cada dia...

    Um bom dia de reis e um beijinho amigo

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  8. E por que 'carga de água' haveríamos de ter vergonha de chorar?
    Beijinho

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  9. “Pareceu ao médico que ouvia chorar, um som quase inaudível, como só pode ser o de umas lágrimas que vão deslizando lentamente até às comissuras da boca e aí se somem para recomeçarem o ciclo eterno das inexplicáveis dores e alegrias humanas”.
    José Saramago Ensaio sobre a cegueira.

    Bjo.

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  10. Opá! Não chamem a chorona, para aqui :)
    beijinhos

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  11. quando o meu pai morreu, jurei que nunca mais ia chorar na minha vida.
    levei mais de 20 anos sem verter uma única lágrima.
    só o voltei a fazer quando li uma cronica do MST na revista Máxima, e escrevi nessa altura para a revista que publicou em destaque a minha carta.
    hoje choro mas ainda me incomoda fazer em público.
    :)

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  12. Muito interessante esta história, principalmente conhecida quando o festival deixou de ter interesse. Beijinhos

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Obrigada por estarem desse lado!
Fê Blue Bird