segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Música às segundas-feiras.

 
Gabriel Pacheco



Pica do 7′António Zambujo

De manhã cedinho
Eu salto do ninho e vou para a paragem
De bandolete à espera do sete
mas não pela viagem

Eu bem que não queria
mas um certo dia eu vi-o passar
E o meu peito céptico
por um pica de eléctrico voltou a sonhar

A cada repique
que soa do clique daquele alicate
Num modo frenético
o peito céptico toca a rebate

Se o trem descarrila o povo refila e eu fico num sino
Pois um mero trajecto no meu caso concreto é já o destino

Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira desta vida vã
Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá

Que triste fadário e que itinerário tão infeliz
Cruzar meu horário com o de um funcionário de um trem da carris
Se eu lhe perguntasse
se tem livre passe para o peito de alguém
Vá-se lá saber talvez eu lhe oblitere o peito também

Ninguém acredita no estado em que fica o meu coração
Quando o sete me apanha
Até acho que a senha me salta da mão
Pois na carreira desta vida vã

Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá
Mais nada me dá a pica que o pica do sete me dá

Letra e Música: Miguel Araújo






"(...) Ouvir o CD do António Zambujo me prendeu à necessidade de ouvir de novo, de novo e de novo. Quero ouvir muito, mais vezes, mais fundo. É a língua portuguesa. É a história do fado. É o fato de eu ter sempre só gostado de cantoras de fado, nunca verdadeiramente de cantores. Há nele dois elementos que – para além do prazer imediato de ouvir-se uma voz naturalmente musical e relaxada – compõem para mim um grande passo: que seja um homem a cantar fado tão lindamente – e que o diálogo com a música brasileira se apresente tão orgânico, já não-pensado, já resultante de forças históricas que vêm se expandindo há décadas. O que se ouve em Zambujo é algo já que vai mais fundo. É um jovem cantor de fado que, intensificando mais a tradição do que muitos de seus contemporâneos, faz pensar em João Gilberto e em tudo que veio à música brasileira por causa dele. Quando Zambujo canta “Nem às paredes confesso”, vamos ao fundo do fado e, ao mesmo tempo, sentimos a cultura da bossa nova e da pós-bossa nova já na corrente sangüínea da canção portuguesa. Quando ele canta um Vinicius com Antônio Maria (esse seu xará com acento circunflexo), a composição soa enfaticamente “moderna” e americanizada , embora o tratamento seja de fado. E o mais incrível é que “Lábios que beijei” não soa menos americanizada e “moderna” do que aquela. Não pelo arranjo, que é fadista, mas pelo Brasil que há ali. É de arrepiar e fazer chorar. Sentimos a força da cultura de língua portuguesa – aquela que, afinal de contas, mais me interessa – construindo-se."
(Caetano Veloso)


13 comentários:

  1. nice post!

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    Fashion style !
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  2. Que a música nos anime, minha amiga!
    Mas anda difícil...
    Por mim dispenso o fado.
    Beijinho

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  3. Belo momento querida amiga ,musica e letra divina ,nada como começar assim a semana embalado nesta linda melodia ,e aproveitando o embalo vou dar uma voltinha na minha lambreta kkkkk ,beijinhos no coraçao

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  4. Oi Fê
    Uma música linda! Gostoso chegar aqui e ser embalada por uma melodia tão envolvente. Me trouxe tranquilidade. Eu amo música!
    Uma ótima semana
    Beijos

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  5. Amiga Fê que melodia gostosa em meus ouvidos, meus sentidos estão alegres e em festas. Gostei muito!

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  6. Que bem escolheste a música, o texto e o cantor, para esta bela segunda-feira Musical, amiga Fê!

    Também me deu muita pica ouvir a pica do 7 do António Zambujo, de quem muito gosto e tantas vezes já lá esteve na minha 'casinha'...! :)

    O Caetano Veloso soube bem definir o sentimento de um português que cantando, espalha por toda a parte o engenho e a Arte da nossa cultura musical.

    Parabéns, amiga.

    Continua a dar-nos boa música! :)

    Beijinhos.

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  7. O Zambujo, vem trazer coisas novas... novas roupagens
    É uma lufada de ar fresco a que tenho estado atento

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  8. Adoro esta música.
    Com uma letra que me diz muito sendo eu neto do condutor do 7 do Tovim
    Beijinhos

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  9. Sintonia perfeita, música poema e imagem :)
    beijinhos

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  10. A minha Mãe costumava andar no Eléctrico 28, por causa disso, há uns anos, até lhe dei um livro sobre esse eléctrico. Para quem queira conhecer Lisboa, não há melhor... A volta é imensa!...

    Beijo.

    (Fê, não consigo comentar no seu blog dos gatos...)

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  11. Gosto muito, muito do António Zambujo..:-))
    Obrigada pela Partilha
    Beijinho
    Teresa

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  12. Amiga à segunda bem preciso de musica. Beijinhos

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Obrigada por estarem desse lado!
Fê Blue Bird