segunda-feira, 4 de julho de 2016

DESTINO


cliquem se quiserem ouvir - Chet Baker - Alone Together

Aquele corpo tão falsamente provocante que caminhava para o abismo, era o seu, e ela por mais que tentasse não conseguia aliená-lo.
Detestara-o naquela noite e em todas as outras noites em que o usava. Queria que ele não lhe pertencesse, sentia a maldição que pesava sobre si e desejava ser uma pessoa normal, que se entrega, que recebe, que aceita e nada receia.
Só via falência na sua vida. Não existia nenhuma razão no mundo que a pudesse impedir.
A quem poderia interessar que ela vivesse, que trabalhasse, que amasse. Para quê? Para quem?
A desculpa da euforia permanente produzida pelo álcool era mais razoável, pois conseguia afastar a falta do amor que não conheceu, dos beijos que não deu, dos livros que não leu e da vida que não viveu.
Mas hoje estava sóbria!
Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.



Será que os amigo(a)s comentadores podem decidir este destino ?

35 comentários:

  1. ~~~
    Foi, então, que ouviu um choro...
    Depois de muito procurar avistou a caminha portátil, com a bebé abandonada.
    Fez tudo para a merecer, mudou-se par uma aldeia-lar e conseguiu realizar o seu sonho.
    Arrumou o passado dentro de um armário e deitou a chave fora.
    Nunca mais andou sózinha, nem deprimida.
    Fim

    Que bela ideia! Incentivar a imaginação!
    Beijinhos.
    ~~~

    ResponderEliminar
  2. Saiu dali, naquele exato ,momento, bem registrado na sua mente, focada no que iria fazer dali em diante.

    Caminhou, voltando para quem deixara pra trás e que a deixava tão amargurada... Para diante da delegacia , faz a denúncia. Sofrera calada, esquecera de si mesma, dera-se aquele maldito homem... Agora, seri8a questão de tempo... A polícia o encontraria lá no endereço, ainda bêbado, malcheiroso e certamente, com a faca com a qual a perseguira...

    Sua vida seria bem melhor a partir de agora. Dera-se uma chance, recomeçaria!


    Adorei, Fê! Meu final foi trágico, mas foi a inspiração que e veio... bjs, chica

    ResponderEliminar
  3. Antes de recomeçar pegou do chão um pedaço de vidro que ainda restava de uma garrafa quebrada da noite anterior ,reflectindo nela a sua própria imagem desgastada pelas maleitas da vida ,por momentos quebrou-se tudo ,as lágrimas escorriam ,dilaceravam o seu coração pela nova oportunidade que a vida lhe estava a dar .

    Beijinhos querida amiga

    ResponderEliminar
  4. Boa noite, querida Fê!
    -Decidiu se impor perante à vida, disse não ao álcool e a qualquer empecílio à vida plena e livre...
    Bjm muito fraterno

    ResponderEliminar
  5. Assim decidida procurou o sítio propício e para lá se dirigiu.
    Um homem de olhar indefinido e passo decidido, barrou-lhe o caminho. Não lhe perguntou a onde ia, fez-lhe uma pergunta inesperada."Há quanto tempo morreste?" e sem esperar resposta o homem continuou "Aposto que decidiste morrer há muito, talvez quando eras muito nova... acontece quando nos consideramos mortos, vamos morrendo, morrendo, ao longo do tempo..."
    Surpreendida já não tanto por o desconhecido lhe ter interrompido o caminho mas por aquelas palavras lhe terem dado uma visão diferente ao seu percurso de vida. Interrogou-se se não teria alguma vez desistido antes de começar.
    Sem pensar que o fazia, sentou-se numa pedra que por ali havia. O homem acompanhou-a e sentou-se noutra. E por ali ficaram a conversar até a noite chegar. Depois (e porque há sempre um depois) sentiu-se ressuscitar.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Desculpe mas não me contive... levei para o meu espaço com a imagem e tudo

      Eliminar
  6. Caminhou, suave mas decididamente, passo após passo, segura pelas suas certezas mas saboreando cada um deles, fechou os olhos e continuou a direito esperando a cada momento sentir que o chão acabava, sentiu a brisa que ao de leve lhe afagou os cabelos, o som que produzia no restolhar das folhas de arvores e arbustos próximos e sentiu-se, de repente, inundada de luz e calor conforme o sol descobriu das núvéns enquanto se punha à sua frento no horizonte distante.
    Abriu os olhos e comtemplou a luz, cor-de-laranja forte que transformava as nuvens em farripas de algodão cor-de-rosa no céu, pensou no Amor que ainda não tinha conhecido, nos beijos que não tinha dado, nos livros que lhe faltava ler, na vida que faltava viver…
    …e parou, a um passo da falésia, com o abismo a abrir-se à sua frente, não mais como um convite, mas como uma demonstração de beleza!
    Não há nenhum vazio que não possa ser preenchido, se soubermos com o que o preencher!
    Virou as costas e caminhou com renovada certeza! Começaria pêlos livros…
    …o resto a própria vida traria…


    :)

    ResponderEliminar
  7. Está-se sempre a tempo de mudar o destino por mais difícil que ele seja.
    Um abraço e boa semana.
    Andarilhar

    ResponderEliminar
  8. Belo e melancólico texto!!

    Beijinhos e um dia feliz

    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  9. Não sei o que dizer, Fê. Isto é de uma beleza tão grande que fico sem palavras.
    Beijinho, amiga.

    ResponderEliminar
  10. Um destino que ela mesmo procurou através da sombra dos momentos vividos pela bebida,mas ao deparar-se
    com os penhascos,pensou em não atirar-se ao sono profundo,relevou e voltou ao caminho de casa para um novo recomeço de vida,quem sabe
    àquele amor que não conhecia,poderia aparecer e deixá-la saborear os beijos que tanto desejou.
    E assim o seu destino já estava decidido para voltar a ser feliz.
    Bjs Fê.
    Carmen Lúcia.

    ResponderEliminar
  11. Não pensou duas vezes, subiu nos saltos e decidiu deixar tudo para trás, caminhando em direção de um novo porvir. Casou-se com alguém que a beija com paixão e lhe traz livros e flores! Beijinhos, Fê! Amo finais felizes!

    ResponderEliminar
  12. Viver é o destino...seja qual for...por muito penoso que seja!
    beijinhos

    ResponderEliminar
  13. Resolveu rever todos os momentos que perdeu com a bebida e com a auto piedade, virou as costas para o abismo que antes a convidava como um fim mais rápido, e começou ali mesmo a traçar um plano de vida, sem a bengala do álcool e com toda a coragem para lutar.
    beijinhos, Léah

    ResponderEliminar
  14. Completamente desiludida da vida, resolve mesmo avançar para o abismo à sua frente, no alto daquela rocha, no cimo da montanha e, sem mais, avança um simples passo e deixa-se precipitar naquele vazio, à sua frente, sentindo o seu corpo sem o menor apoio no espaço, completamente abandonado !!!

    Talvez que essa estranha sensação de se sentir no vazio e sem respiração, a faz acordar repentinamente desse terrível pesadelo e voltar à realidade, ainda ofegante e bafejante, com o coração a bater fortemente, a sentir-se respirar e bem suportada pelo seguro colchão da sua cama !...

    ResponderEliminar
  15. Eram precisamente seis horas e dezoito minutos... e ela foi até à beira do precipício... Olhou para baixo...
    A sua vida tinha batido no fundo... e quando se está no fundo... é quando se tem a mais bela e realística percepção de tudo, o que está à nossa volta... Quando se chega ao fundo... o única caminho... é pensar em subir...
    Hoje estava sóbria... E ali prometeu a si mesma... passaria o resto da vida, procurando motivos para contrariar o que o destino, lhe parecia ter reservado, quando a conduziu até ali... o destino faz-se em cada dia... desde que estejamos vivos... nada está pré-destinado...
    Ela decidiu contrariar o que o destino tinha em mente para ela... e decidiu procurar outro destino... onde os seus sonhos tivessem lugar...
    Virou costas ao precipício...
    Há medida que saia dali... sentia-se mais leve... e mais perto do céu... estava em paz. Perdoou-se a si mesma. Sentiu-se pronta para a vida... como nunca tinha estado, até então...

    ResponderEliminar
  16. Naquele preciso momento, seis horas e dezoito minutos, quando procurava de dentro da bolsa, a chave de casa, ansiosa para se estender na cama, após um percurso solitário, de uma noite inteira vagueando sem destino, toda a sua vida lhe passou pela mente, como se estivesse a assistir a um filme.
    Sentou-se num degrau das escadas, olhou para o céu. Viu um clarão de luz intensa e, maravilhada, assistiu ao primeiro nascer do Sol em toda a sua vida.
    Não! Os beijos que nunca lhe deram, o amor que nunca lhe dedicaram, os livros que não leu, enfim, a vida que nunca teve…Nada, nada mesmo, se poderia comparar à dádiva de estar viva e ver nascer um novo dia…
    Voltou a descer as escadas e caminhou serena e confiante pelo passeio da rua, deserto àquela hora matinal. Havia despertado dentro de si a certeza de que o mais importante na vida, não é aquilo que se recebe e sim o que nos damos a nós mesmos.
    Dali em diante iria olhar-se com mais carinho, gostar mais de si…Abandonar o cigarro, o álcool, os falsos amigos…Quem sabe aquela promessa de emprego na Livraria do Shoping não se concretizaria e os livros que nunca leu, ela, finalmente os leria? Ergueu a cabeça, sorriu e trauteando aquela velha canção aprendida na sua meninice, ensaiou uns passos de dança e seguiu em direcção ao seu novo Destino…


    Um beijinho, Amiga Fê!!

    ResponderEliminar
  17. Eheheh, é só finais felizes! Bom, li a história completa no Rogério e passei para te parabenizar também.

    Adorei o Chet Baker como música de fundo!

    Beijocas

    ResponderEliminar
  18. MUITO BOM, PARABÉNS

    Poema do Amigo Gil António.

    Beijinhos

    http://quadrasepensamentos.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  19. talvez um pássaro azul a salve.
    ou uma lágrima de emoção.
    um poema sem dono.
    ou uma memória
    ou a brisa a lamber o rosto.

    nunca, nada está perdido
    definitivamente

    beijo

    ResponderEliminar
  20. A imagem é lindíssima, o texto prendeu-me e não estava nada à espera da pergunta no final...
    O seu destino não está a parecer-me nada bom...
    Vou ler o que escreveram nos comentários que antecedem...

    ResponderEliminar
  21. Decidiu que ia morrer.
    Tomada a decisão, arrepiava-a poder também falhar a meio e foi por isso que decidiu atirar-se da ponte, que ficava perto. Ainda estava escuro, mas não tardaria que o sol nascesse. Um estranho silêncio antecipava a madrugada. Estacionou o carro num parque perto e começou a caminhar até ao meio da ponte.
    Sentia como nunca o ar frio no rosto, como se lhe lavasse a cara e confirmasse que estava certa.
    Foi então que o viu. Mesmo no local que ela tinha escolhido, um homem de costas para ela, debruçava-se sobre a protecção, ali onde o rio era mais fundo.
    Ele ouviu os seus passos e despertou do seu torpor. Virou-se para ela. Era um homem de meia idade, com cicatrizes de um lado do rosto que ao invés de o desfigurarem, realçavam o azul intenso dos seus olhos e a atraíram.
    Subitamente, sem saber porquê, quis salvá-lo.
    Lembrou-se das muitas vezes que tinha conseguido reinventar-se, apesar de todos os revezes, nunca antes até àquela hora, tinha pensado em desistir.
    Começou a falar com ele. Disse-lhe que tinha frio e passou logo depois para os todos argumentos que conseguia lembrar-se para que ele não se atirasse, Ele era muito mais forte que ela. Se o resolvesse fazer, não conseguiria impedi-lo.
    Percorreu todos os lugares comuns na procura da ideia salvadora, que não conseguia encontrar. Ele só olhava para ela, sem lhe responder, sem que nada no seu rosto ou olhar lhe dissessem que estava sequer a escutá-la.
    Até que ele lhe disse: “está mesmo frio. Vamos mas é tomar o pequeno-almoço”.
    E foram. Os dois.
    Algum tempo mais tarde, quando já começava a conhecê-lo, a entregar-se, a receber e a aceitar, soube que ele não tinha ido ali para se matar, mas que apenas gostava de olhar para o rio.



    ResponderEliminar
  22. Vou levar a imagem e o desafio para a dona-redonda, com link para aqui :)

    ResponderEliminar
  23. Olá, Fê
    Antes de mais... parabéns pelo desafio!
    Depois de dar uma vista de olhos aos comentários acho que estão previstas todas as hipóteses, sendo de realçar que a maioria, se não a totalidade, aposta na recuperação da jovem, o que significa, na minha óptica, forçosamente de "deformação profissional" :))) (a psicologia) que o ser humano tem sempre fé em si mesmo, ainda que perante as maiores adversidades. Seja em que circunstâncias for há sempre a luzinha ao fundo do túnel...
    Tem aqui respostas muito interessantes mas a que mais me agradou, e a que eu própria daria, é a primeira, a da Majo Dutra. Impecável!

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderEliminar
  24. Como é bom pegar a rédeas da nossa vida.

    ResponderEliminar
  25. Hoje estava sóbria.
    Começou um lindo trabalho em uma comunidade local.
    Dava palestras e auxiliou a muitos pacientes que, assim como ela,lutavam contra a terrível doença do alcoolismo.

    Adorei participar do desafio, Fê querida.
    Obrigada por brincar junto por lá.
    Muitos beijinhos de
    Verena e Bichinhos.

    ResponderEliminar
  26. Voltou para trás, abriu vagarosamente a porta de casa, subiu os degraus da escada que a conduziram ao quarto...abriu o roupeiro, deu uma olhadela pelas roupas há muito abandonadas e que lhe lembraram momentos de brilho em salões onde tinha sido a estrela, onde rodopiava ao som dos acordes da orquestra. Ele pegava-lhe na mão e fazia com ela deslizasse, qual pena, pelo salão , onde todos tinham os olhos postos nela.

    Hoje não o tinha a ele, mas sentiu pela primeira vez de há muitos anos a esta parte, que tinha chegado a hora de recomeçar.
    Sozinha? Por que não?
    Sentiu que ela era o centro do seu mundo e que nada nem ninguém daí para a frente a impediria de ser feliz.
    Vestiu aquele vestido vermelho que adorava, borrifou umas gotas de perfume pelo corpo, colocou a música do Chet Baker e dançou até de madrugada, caindo exausta na cama.
    Mal os primeiros raios de sol rairam, abriu os olhos e percebeu que uma nova mulher tinha nascido!

    Beijinhos Fê

    ResponderEliminar
  27. Contemplou o céu e toda a beleza com que a mãe natureza a presenteia e, chegou à conclusão que vale a pena viver simplesmente por ela, é então que ela vai perceber que tudo quanto pensava e sentia não fazia sentido.

    Beijinho

    ResponderEliminar
  28. Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.
    Pegou no espelho que tinha na carteira e olhou para a imagem que ele reflectia e disse:
    - Joana nunca mais vais ver este rosto deprimido porque, a partir de hoje, vai nascer outra mulher, completamente renovada. Interessa-me que sejas feliz e só isso é razão suficiente para que olhes em frente e caminhes decidida.

    ResponderEliminar
  29. Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.
    Pegou no espelho que tinha na carteira e olhou para a imagem que ele reflectia e disse:
    - Joana nunca mais vais ver este rosto deprimido porque, a partir de hoje, vai nascer outra mulher, completamente renovada. Interessa-me que sejas feliz e só isso é razão suficiente para que olhes em frente e caminhes decidida.

    ResponderEliminar
  30. Meus queridos amigos e amigas,
    Estou grata a todos que participaram e que comentaram.
    É tão bom ter AMIGOS!

    Beijinhos

    ResponderEliminar

  31. tinha lido no Rogério e só agora tive oportunidade de ler tudo...
    muito interessante!
    a foto do Duarte é muito bela.
    beijinhos
    :)

    ResponderEliminar
  32. Acabei de ler no Rogério e vim aqui ver como era. Interessante desafio com bastantes colaboradores cada um à sua maneira deu a continuação .

    ResponderEliminar



Obrigada por estarem desse lado!
Fê Blue Bird