quarta-feira, 27 de julho de 2016

Até Setembro !


Fiz as duas mensagens anteriores e esta em dias seguidos, o que não é meu hábito :) 
Só voltarei aos blogues em Setembro!
 Vou dedicar-me à minha família, principalmente à minha filha (não a vejo há um ano e só a tenho comigo 20 dias), e tentar ir de férias :) 
 Até lá, meus amigos e amigas, fiquem bem e sejam muito felizes.

Beijinhos


ilustração de Mending Lucille


És o meu sol
 O meu sorriso
Tudo aquilo que me faz feliz
 És a minha flor
 A minha luz
A menina que eu sempre quis
 És a primavera
 Um passarinho
 Uma princesa sempre a sorrir
 És o meu mar
 O meu destino
 Um mundo inteiro a descobrir
 És a minha âncora
 O meu navio
 A minha grande e eterna ilha
És a minha vida
 O meu rumo
 És a minha filha !




cliquem para ouvir - ABBA: Slipping Through My Fingers

terça-feira, 26 de julho de 2016

Já fui um passarinho colorido ...

[ O título desta mensagem, vem no seguimento desta outra.]
Pinterest

Nesta nossa breve passagem pela vida, todos nós passamos por momentos marcantes que são pontos de viragem na maneira como encaramos o "nosso mundo".
Os motivos podem ser positivos ou negativos, mas sabemos que a partir daquele instante, tudo se alterou profundamente, nada volta a ser como dantes.
Para mim, foi há dez anos, no dia em que descobri que tinha E.A.,uma doença que explicava as minhas terríveis dores  constantes.
A princípio neguei-a, revoltei-me, era impensável para mim viver para sempre com a sua presença dolorosa e constante. Amaldiçoei-a muitas vezes, andei à deriva muitas mais, mas um dia, tomei a decisão de a enfrentar, ou vencia ela, ou eu.
Comecei por conhecê-la melhor, investiguei até a seu respeito. Afinal, ela não era assim um "monstro" tão grande como supunha, até havia  maneiras de lidar com ela, torná-la mais suportável,  e porque não, até esquecê-la.
Partilhá-la também foi uma boa aposta, afinal havia mais gente com "companheiras" assim.
Aprendi aos poucos a conviver com ela, não posso dizer que gosto dela, mas também já não a odeio.  Caminhamos juntas na estrada da vida, tocando em frente, sempre !

 

Cliquem para ouvir - Tocando em Frente-Almir Sater (a letra foi-me inspiradora nessa época)

[Perante as doenças é preciso reavaliar nossos dias. Perante  doenças físicas e a nossa saúde mental é necessário reflectir: o que ela está buscando me ensinar? Paciência? Persistência? Humildade?
O tronco sofre os golpes do machado para que, derrubado, se torne nova utilidade. A montanha de granito padece a dinamitação, a fim de que se abram veredas para o progresso.
A árvore enfrenta a poda, de modo a exuberar de flores e frutos, na ocasião oportuna. Os grãos passam pela trituração e participam, com isso, da alegria da mesa farta. O bloco de pedra suporta a acção do buril e do cinzel para que liberte a obra de arte que o artista projecta. O violino resiste à distensão de suas cordas, de forma a permitir que o som harmonioso embalsame o ambiente com musicalidade].


 Trecho da palestra que Stephen Hawking 
concedeu para 400 pessoas no Royal Institute em Londres.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Ajudar - Está tudo azul?

É com muito gosto que continuo a participar no projecto que festeja o sete anos do blogue da minha querida amiga Rosélia - ESPIRITUAL-IDADE
Como o seu aniversário é amanhã, esta minha humilde mensagem tem um tom AZUL ainda mais especial.

 *

O AZUL, usado no Tabernáculo foi chamado em hebraico, tekeleth (Êxodo 25:4). Profundo azul escuro, quase roxo.  De acordo com Josefo (Ant. 3.7.7) e Philo esta cor azul simboliza o céu. Esta é a cor que no livro de Esther 1:06 se traduz como violeta. A cor foi usada por príncipes e nobres (Ezequiel 23:06). Os ídolos da Babilônia estavam vestidos de "violeta (tekeleth) e roxo" (Jeremias 10:9). Também as bordas nos cantos das vestes dos hebreus, deveriam ser dessa cor,  para lembrá-los da importância de obedecer aos mandamentos da Lei (Números 15:39-40) pelo qual eles foram santificados, separados. As bordas azuis eram lembretes das promessas de Doutrina Bíblica e simbolizava a vocação celestial (da identificação com o céu azul).

O termo azul vem do persa lazward, “azul, lápis-lazuli” o que é uma clara referência à cor da pedra lápis-lazuli. É a cor do espírito e do pensamento. Simboliza a lealdade, a fidelidade, a personalidade e subtileza. Simboliza também o ideal e o sonho.
A cor azul ajuda a baixar a pressão arterial, acalma e traz clareza mental. Produz tranquilidade, ternura, impetuosidade, paz de espírito e segurança. Reduz o stress e a ansiedade, promovendo a saúde emocional. Favorece as actividades intelectuais e a meditação. Simboliza devoção, fé, aspirações elevadas, sinceridade, confiança e tranquilidade.
O azul transmite favorece a compreensão. É a cor do bem estar e do raciocínio lógico. É a única que tem poder de desintegrar energias negativas, favorecendo a paciência, a amabilidade e a serenidade.




domingo, 24 de julho de 2016

IMAGINARAM !

AGRADEÇO A TODOS QUE IMAGINARAM E QUE PARTICIPARAM NESTE MEU "DESAFIO". 
FOI UNÂNIME A DECISÃO DE SE SALVAR A LUA ! :)

Pinterest


 Ouvi, vindo da Lua que se afundava, um grito:
 "Eu não voltarei !"
  Mudo de espanto, o meu corpo gelado pela brisa fresca, tremia.
O que teria acontecido para
ela tomar esta terrível decisão ?
A noite, fria, serena, calada, assistia sem se importar. 
O mar dormia, alheio a este desenrolar.
Até o vento tinha desaparecido.
 Ignoro se mais alguém se importará por esta ausência prolongada. 
Sei que continuará a haver estrelas, flores, suspiros, esperanças
e amor nas alamedas sob a sombra das ramagens. 
Mas, sem a Lua nada será como dantes. 
 Sentei-me no barco e circundei
aquele pedaço de Lua
e em desespero
lancei-me às aguas
para a salvar. 

com um pouco de medo,
mas não deixaria a lua se afogar,
isso se eu conseguisse ter forças para ajudá-la,
pois sem ela não  haveria mais
luminosidade e nem veríamos o seu sorriso em noites enluaradas. 

 Pediria o socorro da Via Láctea...

 Se hoje à noite a lua se apagar, amanhã sem dúvida o sol voltará a brilhar.
Mas não se pense que ele ofuscará a nossa memória e que a lua seja esquecida.
Não é possível esquecer o que é belo, não é possível esquecer quem tão bem dança como ela, quem ouve as nossas preces e suspiros e, mais importante, quem ilumina o nosso caminho quando se faz noite. E mesmo quando não a conseguimos ver... ela está sempre lá!
Por isso, tem de ser salva... claro que sim!!
Nadamos juntas?

O escuro não nos seduz
Nem dá romance de Amor.
Por isso: Lua, dá luz!
Mostra que é maior
O rubor e o torpor.


emanuel moura
Com certeza as lágrimas se soltariam num eterno silêncio.

 Ana Freire
 Lançava-me à água...
e ensinava-a a nadar...
até que ela por si mesmo, tivesse vontade de se salvar...

 Minhas Pinturas
 Se a lua se jogasse nos braços do mar, quem iria namorar o sol?
Ou estaria a lua indo atrás do sol que todas as tardes se deita em nuvens e ilumina o mar?
Seria o grito da lua de ciúmes?
Como poderia eu, um pequeno ser sem brilho, um grão de areia, interferir nesta questão?

 Roselia Bezerra
 A pobre lua estava desiludida na certa... coitada!
Porém não me afogaria em seu lugar...
tentaria dar a volta por cima e recomeçar a brilhar!
Valeria mais a pena, certamente pois a vida lunar é um precioso dom de Deus!

A Nossa Travessa
Como sei nadar
(fui nadador de competição no Sport Algés e Dafundo em 19 e troca o passo)
e gosto de andar na Lua,
fazia exactissimamente a mesma coisa.

 José Carlos Sant Anna
 Como sabia que a Lua só se afogava por efeito da retórica;
como sabia que o seu desejo era que pensássemos o que seria dos amantes sem a lua, não me preocupei.
 Antes que seja tarde e, por tão verossímil essa possibilidade,
já reúno amantes verdadeiros para um mutirão.

 Maria Isabel Montes
 Que faria? Pedia ajuda ao Sol.

 Crocheteando...momentos!
 Sem hesitar... me lançaria ao mar!!!

 Janita
Tenho pavor das águas profundas, se me lançasse ao mar o mais certo seria morrermos ambas.
Ah, mas gritaria por socorro com toda a força dos meus pulmões,
 algum navegante haveria de aparecer para a socorrer!
Talvez, o Sol, porque não? :)

 heretico
 apaixonava-me - a Lua não resistiria a um amor "adolescente" ...

 lis
Tentaria convence-la a mudar de ideia ... em nome dos namorados.
Estou a mergulhar e sem esta Lua tudo fica triste.
Salvemos o luar, vivamos o amor e encantamento.

 Isabel
Pois não sei que faria, já que tentando salvá-la, certamente nos afundaríamos as duas, ou...
não acredito que a Lua o permitisse!
 Ela haveria de salvar-nos!

 Aline Goulart
O que seria de nós sem a beleza e o romantismo da lua?

*


Um beijinho especial à minha amiga Afrodite  que me dedicou um post e este vídeo no seu blogue: 




sexta-feira, 22 de julho de 2016

IMAGINA !

Imagina hoje à noite a gente se perder
Imagina hoje à noite a lua se apagar
Chico Buarque
 
Al Magnus

 Ouvi, vindo da Lua que se afundava, um grito:
 "Eu não voltarei !"
  Mudo de espanto, o meu corpo gelado pela brisa fresca, tremia.
O que teria acontecido para ela tomar esta terrível decisão ?
A noite, fria, serena, calada, assistia sem se importar. 
O mar dormia, alheio a este desenrolar.
Até o vento tinha desaparecido.
 Ignoro se mais alguém se importará por esta ausência prolongada. 
Sei que continuará a haver estrelas, flores, suspiros, esperanças
e amor nas alamedas sob a sombra das ramagens. 
Mas, sem a Lua nada será como dantes. 
 Sentei-me no barco e circundei aquele pedaço de Lua
e em desespero
lancei-me às aguas para a salvar. 

E tu, amigo(a) navegante, que farias no meu lugar ? 

terça-feira, 19 de julho de 2016

Nada Como Um Dia Após o Outro


cliquem para ouvir - Tiago Iorc - Um Dia Após o Outro

Quero brilhar com o sol 
até ofuscar
mergulhar nesta espuma
e nela ficar.


Quero cantar com o mar
 até afinar
subir para o azul
e nele voar .

Quero dançar com o vento
 até acertar
deitar-me nas nuvens
e nelas amar.

Quero caminhar sorrindo
 e se tropeçar
erguer-me de novo
e continuar.


fotos minhas- 17/07/2016-  09:30 h



"Vive o instante que passa. Vive-o intensamente até à última gota de sangue. É um instante banal, nada há nele que o distinga de mil outros instantes vividos. E no entanto ele é o único por ser irrepetível e isso o distingue de qualquer outro. Porque nunca mais ele será o mesmo nem tu que o estás vivendo. Absorve-o todo em ti, impregna-te dele e que ele não seja pois em vão no dar-se-te todo a ti. Olha o sol difícil entre as nuvens, respira à profundidade de ti, ouve o vento. Escuta as vozes longínquas de crianças, o ruído de um motor que passa na estrada, o silêncio que isso envolve e que fica. E pensa-te a ti que disso te apercebes, sê vivo aí, pensa-te vivo aí, sente-te aí. E que nada se perca infinitesimalmente no mundo que vives e na pessoa que és. Assim o dom estúpido e miraculoso da vida não será a estupidez maior de o não teres cumprido integralmente, de o teres desperdiçado numa vida que terá fim. "

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente IV'

quinta-feira, 14 de julho de 2016

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ESTÁ TUDO AZUL ?


 

Por vezes questiono porque estou há tanto tempo neste "mundo virtual dos blogues", e sempre chego à mesma conclusão : A interacção entre os "bloggers" tem sido tão positiva e as amizades tão bonitas e  sinceras, que fazem com que valha a pena as muitas horas que aqui dedico.
Estas amizades entendem-se até ao Brasil, e a  Roselia Bezerra é uma das minhas queridas amigas neste país irmão.
Portanto, é com muito prazer que aceito o seu convite, e homenageio deste modo, os sete anos do seu blogue "Espiritual-Idade".




Projecto: "ESTÁ TUDO AZUL ?"
Para festejar os 7 anos do blogue ESPIRITUAL-IDADE
Quando pensei num perfil e num "nick" para iniciar este blogue, escolhi o (pois é assim que me trata uma amiga brasileira de há muitos anos) blue bird, porque o pássaro para mim simboliza,  a pureza, a alma e principalmente a liberdade, às vezes o passarinho pode mudar o tom da sua cor, ficar um pouco claro  em momentos de melancolia ou quase negro na dor, mas nunca vai deixar de voar e deixar de ser azul.
Este é o "poema" que na altura escrevi para o perfil e que diz muito sobre a mudança que na época aconteceu na minha vida.




Já fui um passarinho colorido
   com lindas penas, envaidecido.
   Um dia, minhas penas perdi.
   Quebrei, chorei, quase desisti.
  Aos poucos renasceram novas penas
   de um AZUL forte e luminoso.

   E, num dia de sol, 
cauteloso,
   olhei para o CÉU,
   minhas asas abri
   e voei
   VOEI PARA MIM ! »


21/09/09

Mesmo para quem não liga a futebol, o amor a Portugal falou mais alto.

PORTUGAL, CAMPEÃO EUROPEU DE FUTEBOL!


portugal desporto.jpg
Ontem, foi um dia glorioso para o desporto nacional. Começou logo pela manhã, nos Europeus de Atletismo, em Amesterdão, onde Sara Moreira se sagrou campeã europeia na meia-maratona e Jéssica Augusto conquistou o bronze na mesma prova. 

Da parte da tarde, as cores lusas voltaram a estar em destaque. Patrícia Mamona sagrou-se campeã europeia do triplo salto e Tsanko Arnaudov conquistou a medalha de bronze no lançamento do peso. Juntando estas medalhas ao ouro conquistado por Ana Dulce Félix nos 10 000 metros, na passada quarta-feira, faz um total de 5 medalhas para Portugal nesta competição.

Passando para o ciclismo, o português Rui Costa foi ontem segundo classificado na etapa da Volta a França.

E, para acabar o dia da melhor maneira, a Selecção Nacional A sagrou-se campeã europeia de futebol, em Paris.

PARABÉNS, PORTUGAL!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

DESTINO (A VÁRIAS MÃOS)

tecendo o próprio destino


O meu obrigada a TODOS que aceitaram este meu desafio.  Melhor do que as minhas palavras, o comentário da  Mariazita diz tudo. Bem-hajam!   .
" ...de realçar que a maioria, se não a totalidade, aposta na recuperação da jovem, o que significa, na minha óptica, forçosamente de "deformação profissional" :))) (a psicologia) que o ser humano tem sempre fé em si mesmo, ainda que perante as maiores adversidades. Seja em que circunstâncias for há sempre a luzinha ao fundo do túnel...

Aquele corpo tão falsamente provocante que caminhava para o abismo, era o seu, e ela por mais que tentasse não conseguia aliená-lo.
Detestara-o naquela noite e em todas as outras noites em que o usava. Queria que ele não lhe pertencesse, sentia a maldição que pesava sobre si e desejava ser uma pessoa normal, que se entrega, que recebe, que aceita e nada receia.
Só via falência na sua vida. Não existia nenhuma razão no mundo que a pudesse impedir.
A quem poderia interessar que ela vivesse, que trabalhasse, que amasse. Para quê? Para quem?
A desculpa da euforia permanente produzida pelo álcool era mais razoável, pois conseguia afastar a falta do amor que não conheceu, dos beijos que não deu, dos livros que não leu e da vida que não viveu.
Mas hoje estava sóbria!
Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.


Foi, então, que ouviu um choro...
Depois de muito procurar avistou a caminha portátil, com a bebé abandonada.
Fez tudo para a merecer, mudou-se par uma aldeia-lar e conseguiu realizar o seu sonho.
Arrumou o passado dentro de um armário e deitou a chave fora.
Nunca mais andou sozinha, nem deprimida. 

Saiu dali, naquele exato ,momento, bem registrado na sua mente, focada no que iria fazer dali em diante.
Caminhou, voltando para quem deixara pra trás e que a deixava tão amargurada... Para diante da delegacia , faz a denúncia. Sofrera calada, esquecera de si mesma, dera-se aquele maldito homem... Agora, seria questão de tempo... A polícia o encontraria lá no endereço, ainda bêbado, malcheiroso e certamente, com a faca com a qual a perseguira...
Sua vida seria bem melhor a partir de agora. Dera-se uma chance, recomeçaria!

Antes de recomeçar pegou do chão um pedaço de vidro que ainda restava de uma garrafa quebrada da noite anterior ,reflectindo nela a sua própria imagem desgastada pelas maleitas da vida ,por momentos quebrou-se tudo ,as lágrimas escorriam ,dilaceravam o seu coração pela nova oportunidade que a vida lhe estava a dar .

-Decidiu se impor perante à vida, disse não ao álcool e a qualquer empecilho à vida plena e livre...

Assim decidida procurou o sítio propício e para lá se dirigiu.
Um homem de olhar indefinido e passo decidido, barrou-lhe o caminho. Não lhe perguntou a onde ia, fez-lhe uma pergunta inesperada."Há quanto tempo morreste?" e sem esperar resposta o homem continuou "Aposto que decidiste morrer há muito, talvez quando eras muito nova... acontece quando nos consideramos mortos, vamos morrendo, morrendo, ao longo do tempo..."
Surpreendida já não tanto por o desconhecido lhe ter interrompido o caminho mas por aquelas palavras lhe terem dado uma visão diferente ao seu percurso de vida. Interrogou-se se não teria alguma vez desistido antes de começar.
Sem pensar que o fazia, sentou-se numa pedra que por ali havia. O homem acompanhou-a e sentou-se noutra. E por ali ficaram a conversar até a noite chegar. Depois (e porque há sempre um depois) sentiu-se ressuscitar. 

Caminhou, suave mas decididamente, passo após passo, segura pelas suas certezas mas saboreando cada um deles, fechou os olhos e continuou a direito esperando a cada momento sentir que o chão acabava, sentiu a brisa que ao de leve lhe afagou os cabelos, o som que produzia no restolhar das folhas de árvores e arbustos próximos e sentiu-se, de repente, inundada de luz e calor conforme o sol descobriu das nuvens enquanto se punha à sua freno no horizonte distante.
Abriu os olhos e contemplou a luz, cor-de-laranja forte que transformava as nuvens em farripas de algodão cor-de-rosa no céu, pensou no Amor que ainda não tinha conhecido, nos beijos que não tinha dado, nos livros que lhe faltava ler, na vida que faltava viver…
…e parou, a um passo da falésia, com o abismo a abrir-se à sua frente, não mais como um convite, mas como uma demonstração de beleza!
Não há nenhum vazio que não possa ser preenchido, se soubermos com o que o preencher!
Virou as costas e caminhou com renovada certeza! Começaria pêlos livros…
…o resto a própria vida traria…

Um destino que ela mesmo procurou através da sombra dos momentos vividos pela bebida,mas ao deparar-se
com os penhascos,pensou em não atirar-se ao sono profundo,relevou e voltou ao caminho de casa para um novo recomeço de vida,quem sabe
àquele amor que não conhecia,poderia aparecer e deixá-la saborear os beijos que tanto desejou.
E assim o seu destino já estava decidido para voltar a ser feliz.

Não pensou duas vezes, subiu nos saltos e decidiu deixar tudo para trás, caminhando em direcção de um novo porvir. Casou-se com alguém que a beija com paixão e lhe traz livros e flores!
Minhas Pinturas
Resolveu rever todos os momentos que perdeu com a bebida e com a auto piedade, virou as costas para o abismo que antes a convidava como um fim mais rápido, e começou ali mesmo a traçar um plano de vida, sem a bengala do álcool e com toda a coragem para lutar.

Completamente desiludida da vida, resolve mesmo avançar para o abismo à sua frente, no alto daquela rocha, no cimo da montanha e, sem mais, avança um simples passo e deixa-se precipitar naquele vazio, à sua frente, sentindo o seu corpo sem o menor apoio no espaço, completamente abandonado !!!
Talvez que essa estranha sensação de se sentir no vazio e sem respiração, a faz acordar repentinamente desse terrível pesadelo e voltar à realidade, ainda ofegante e bafejante, com o coração a bater fortemente, a sentir-se respirar e bem suportada pelo seguro colchão da sua cama !... 

Eram precisamente seis horas e dezoito minutos... e ela foi até à beira do precipício... Olhou para baixo...
A sua vida tinha batido no fundo... e quando se está no fundo... é quando se tem a mais bela e realística percepção de tudo, o que está à nossa volta... Quando se chega ao fundo... o única caminho... é pensar em subir...
Hoje estava sóbria... E ali prometeu a si mesma... passaria o resto da vida, procurando motivos para contrariar o que o destino, lhe parecia ter reservado, quando a conduziu até ali... o destino faz-se em cada dia... desde que estejamos vivos... nada está pré-destinado...
Ela decidiu contrariar o que o destino tinha em mente para ela... e decidiu procurar outro destino... onde os seus sonhos tivessem lugar...
Virou costas ao precipício...
Há medida que saia dali... sentia-se mais leve... e mais perto do céu... estava em paz. Perdoou-se a si mesma. Sentiu-se pronta para a vida... como nunca tinha estado, até então... 

Naquele preciso momento, seis horas e dezoito minutos, quando procurava de dentro da bolsa, a chave de casa, ansiosa para se estender na cama, após um percurso solitário, de uma noite inteira vagueando sem destino, toda a sua vida lhe passou pela mente, como se estivesse a assistir a um filme.
Sentou-se num degrau das escadas, olhou para o céu. Viu um clarão de luz intensa e, maravilhada, assistiu ao primeiro nascer do Sol em toda a sua vida.
Não! Os beijos que nunca lhe deram, o amor que nunca lhe dedicaram, os livros que não leu, enfim, a vida que nunca teve…Nada, nada mesmo, se poderia comparar à dádiva de estar viva e ver nascer um novo dia…
Voltou a descer as escadas e caminhou serena e confiante pelo passeio da rua, deserto àquela hora matinal. Havia despertado dentro de si a certeza de que o mais importante na vida, não é aquilo que se recebe e sim o que nos damos a nós mesmos.
Dali em diante iria olhar-se com mais carinho, gostar mais de si…Abandonar o cigarro, o álcool, os falsos amigos…Quem sabe aquela promessa de emprego na Livraria do Shoping não se concretizaria e os livros que nunca leu, ela, finalmente os leria? Ergueu a cabeça, sorriu e trauteando aquela velha canção aprendida na sua meninice, ensaiou uns passos de dança e seguiu em direcção ao seu novo Destino

talvez um pássaro azul a salve.
ou uma lágrima de emoção.
um poema sem dono.
ou uma memória
ou a brisa a lamber o rosto.

nunca, nada está perdido
definitivamente

Decidiu que ia morrer.
Tomada a decisão, arrepiava-a poder também falhar a meio e foi por isso que decidiu atirar-se da ponte, que ficava perto. Ainda estava escuro, mas não tardaria que o sol nascesse. Um estranho silêncio antecipava a madrugada. Estacionou o carro num parque perto e começou a caminhar até ao meio da ponte.
Sentia como nunca o ar frio no rosto, como se lhe lavasse a cara e confirmasse que estava certa.
Foi então que o viu. Mesmo no local que ela tinha escolhido, um homem de costas para ela, debruçava-se sobre a protecção, ali onde o rio era mais fundo.
Ele ouviu os seus passos e despertou do seu torpor. Virou-se para ela. Era um homem de meia idade, com cicatrizes de um lado do rosto que ao invés de o desfigurarem, realçavam o azul intenso dos seus olhos e a atraíram.
Subitamente, sem saber porquê, quis salvá-lo.
Lembrou-se das muitas vezes que tinha conseguido reinventar-se, apesar de todos os revezes, nunca antes até àquela hora, tinha pensado em desistir.
Começou a falar com ele. Disse-lhe que tinha frio e passou logo depois para os todos argumentos que conseguia lembrar-se para que ele não se atirasse, Ele era muito mais forte que ela. Se o resolvesse fazer, não conseguiria impedi-lo.
Percorreu todos os lugares comuns na procura da ideia salvadora, que não conseguia encontrar. Ele só olhava para ela, sem lhe responder, sem que nada no seu rosto ou olhar lhe dissessem que estava sequer a escutá-la.
Até que ele lhe disse: “está mesmo frio. Vamos mas é tomar o pequeno-almoço”.
E foram. Os dois.
Algum tempo mais tarde, quando já começava a conhecê-lo, a entregar-se, a receber e a aceitar, soube que ele não tinha ido ali para se matar, mas que apenas gostava de olhar para o rio.

Hoje estava sóbria.
Começou um lindo trabalho em uma comunidade local.
Dava palestras e auxiliou a muitos pacientes que, assim como ela,lutavam contra a terrível doença do alcoolismo.
 
 Manu
Voltou para trás, abriu vagarosamente a porta de casa, subiu os degraus da escada que a conduziram ao quarto...abriu o roupeiro, deu uma olhadela pelas roupas há muito abandonadas e que lhe lembraram momentos de brilho em salões onde tinha sido a estrela, onde rodopiava ao som dos acordes da orquestra. Ele pegava-lhe na mão e fazia com ela deslizasse, qual pena, pelo salão , onde todos tinham os olhos postos nela.
Hoje não o tinha a ele, mas sentiu pela primeira vez de há muitos anos a esta parte, que tinha chegado a hora de recomeçar.
Sozinha? Por que não?
Sentiu que ela era o centro do seu mundo e que nada nem ninguém daí para a frente a impediria de ser feliz.
Vestiu aquele vestido vermelho que adorava, borrifou umas gotas de perfume pelo corpo, colocou a música do Chet Baker e dançou até de madrugada, caindo exausta na cama.
Mal os primeiros raios de sol raiaram, abriu os olhos e percebeu que uma nova mulher tinha nascido!

Contemplou o céu e toda a beleza com que a mãe natureza a presenteia e, chegou à conclusão que vale a pena viver simplesmente por ela, é então que ela vai perceber que tudo quanto pensava e sentia não fazia sentido.

Pegou no espelho que tinha na carteira e olhou para a imagem que ele reflectia e disse:
- Joana nunca mais vais ver este rosto deprimido porque, a partir de hoje, vai nascer outra mulher, completamente renovada. Interessa-me que sejas feliz e só isso é razão suficiente para que olhes em frente e caminhes decidida.  




a ouvir - You Raise Me Up - Instrumental with lyrics

segunda-feira, 4 de julho de 2016

DESTINO


cliquem se quiserem ouvir - Chet Baker - Alone Together

Aquele corpo tão falsamente provocante que caminhava para o abismo, era o seu, e ela por mais que tentasse não conseguia aliená-lo.
Detestara-o naquela noite e em todas as outras noites em que o usava. Queria que ele não lhe pertencesse, sentia a maldição que pesava sobre si e desejava ser uma pessoa normal, que se entrega, que recebe, que aceita e nada receia.
Só via falência na sua vida. Não existia nenhuma razão no mundo que a pudesse impedir.
A quem poderia interessar que ela vivesse, que trabalhasse, que amasse. Para quê? Para quem?
A desculpa da euforia permanente produzida pelo álcool era mais razoável, pois conseguia afastar a falta do amor que não conheceu, dos beijos que não deu, dos livros que não leu e da vida que não viveu.
Mas hoje estava sóbria!
Eram precisamente seis horas e dezoito minutos quando ela decidiu o seu destino.



Será que os amigo(a)s comentadores podem decidir este destino ?

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Receita contra o calor.



Receita contra o calor *

Ingredientes:

• Um pedaço de terra.
• Duas ou três árvores (escolher aquelas que dão boa sombra).
• Um rio (com água limpa e fresca)
• Flores (a gosto)
• Aves (também a gosto)
• Brisa q.b.


Sente-se na margem do rio.
Coloque os pés na água fresca
(até os sentir ligeiramente empurrados pela corrente).
Feche os olhos.
Ouça os pássaros.
Relaxe e aprecie o momento.

BOM PROVEITO !


Se não conseguirem fazer esta receita, podem tentar esta opção :)



BOM FIM DE SEMANA!