quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Quase tudo !

Tens
viagens, postais
de lugares de todas as cores.
Tens
 fotos antigas, novas 
de amantes e de amores. 
Tens
roupas, jóias
preciosas em demasia. 
Tens
 carros, pinturas
famosas e serigrafias. 
Tens
 quase tudo
 não te faltam haveres.
Falta
no meio de tanta coisa
tu te quereres.

Fê blue bird
Sergio Cerchi

cliquem para ouvir - Paulo Gonzo - Dei-Te Quase Tudo 

 *

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

{ nenhum deus tem o direito de nos roubar os sonhos }


"Encapsuled" de Jackson Carvalho


Em tempos sonhei que um deus tinha escondido num lugar secreto todos os sonhos do mundo.
Sonhos de amor, de amizade, de respeito, de esperança, de liberdade, de memórias preciosas.
Estavam todos amontoados em pilhas e guardados por monstros de mil cabeças.

Nunca mais ninguém sonhou .

Os mares secaram, os peixes sufocaram, os pássaros famintos deixaram de voar, os cereais mirraram, as moscas poisaram nas caras das crianças.

Alguns morreram na busca daquele lugar.

Muitos desistiram de o procurar.

Outros não sabem para que servem os sonhos, nem o arco-íris, nem as rosas...

Acordei chorando. As minhas lágrimas sabiam a mar...














Aviso:
           Meus amigos e amigas, a partir de hoje os comentários passa a ser moderados.


sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Outono, Mestre-Pintor.

Ilustrei um antigo "poema" meu com um quadro recente
para celebrar a estação que me está na alma.
 BOM FIM DE SEMANA !

pintura minha- óleo sobre tela, Julho 2016

~~*~~

Outono, Mestre-Pintor
cismando um dia nas cores que ao mundo havia de dar 
trouxe a paleta e os pincéis e a caixinha das tintas e começou a pintar.

Fez amarelo e com ele, pintou folhas e florestas 
pôs tom vermelho no Sol acobreando o arrebol com pinceladas modestas.

O céu pintou de cinzento num acesso de tristeza
 mas depois arrependido da sua pouca brancura 
colocou-lhe nuvens brancas salpicadas de ternura.

Depois veio o orvalho brando de suas lágrimas feito 
tombou paleta e pincéis rolaram tintas pelo chão
e sua obra deixou julgando ter fracassado
mergulhou na solidão.

Quando o Inverno chegou vendo tal obra de amor 
admirou secretamente
 o Outono, Mestre-Pintor.




@


estão a ouvir - Celtic Music - Autumn's Child

 

 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

SETE ANOS A BLOGGAR E O NOSSO CORAÇÃO NÃO MUDA DE LUGAR !

Quando em 2009 escrevi isto, estava muito longe de imaginar que passados sete anos ainda estaria por aqui :)

Tantas coisas entretanto se passaram, tantas amizades se construíram e outras tantas infelizmente desapareceram,  tantas partilhas nos enriqueceram, tantas palavras que sentimos, tantos desabafos e tantos gritos que soltámos ... quantas vezes em silêncio.

Coloquei no lado direito do meu blogue, todos os vossos nomes, uns AMIGOS mais antigos outros mais recentes, mas todos com um lugar especial no meu coração, pois sem vós e o vosso apoio constante, este blogue não existia.

A melhor maneira, talvez a mais simples, mas decerto a mais sincera que encontrei para vos demonstrar a minha gratidão, foi através da poesia, pintura e música, as artes que são quase sempre constantes neste meu/vosso blogue.

UM BEIJINHO GRATO A TODOS !


cliquem para ouvir - Joe Cocker - With a little help from my friends



Aos meus amigos queridos :


" Por onde andamos nós ,

que raramente nos falamos ?

Engolidos pela pressa , ou

pela saga do compromisso?

Ó Deus , que maratona é essa ?

Deixo um recado de saudade para

você pensar .

Por mais que a vida corra e o

mundo agite , por favor acredite :

o nosso coração não muda de lugar .



O tempo e a distância costumam nos

arrastar.

É como se folhas de outono se separassem

pelo sopro de algum vento .

Mas nosso coração não muda de lugar .



Conservo a mão estendida , o peito aberto,

o ombro compreensivo , o pensamento alerta .

A qualquer hora você pode chamar .

O meu carinho permanece vivo.

É que nosso coração não muda de lugar ."



Flora Figueiredo

ACHEI LINDO !




sábado, 17 de setembro de 2016

Às vezes eu tenho a impressão de que alguns sorrisos são ondas que começam no coração, brincam de sol nos olhos e, instantaneamente, levam clarão para a boca, para o rosto todo, para a vida inteirinha. *

*Ana Jácomo
Photographer Sandi Ford

Dorme meu menino a estrela d'alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô

Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer
Ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô, ô


Canção De Embalar
Zeca Afonso



BOM FIM DE SEMANA!

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

{ Espero por ti }

 Moody- foto tirada em Agosto de 2016 pela minha filha
A minha filha sempre teve uma fascinação por animais, principalmente felinos. Em criança todos os seus peluches eram de gatos, tigres e afins, por isso não resisti, quando ela há quase catorze anos me implorou para ficar com a Moody, uma gatinha cinzenta, abandonada na escola que frequentava.
O único problema era convencer o pai, que "não gostava" de gatos ,  mas aquela "coisinha" pequena e fofa soube cativá-lo, quando logo no primeiro dia pulou para o seu colo. 
A Moody tem sido para nós uma companheira e uma amiga, por vezes traquinas, outras vezes silenciosa, mas nunca indiferente.
É na cama da Inês que ela continua a dormir mesmo na sua ausência, e sei, que ela a espera com a mesma ansiedade e saudade que nós.
~~*~~

Ausência

 

Por muito tempo achei que a ausência é falta. 

E lastimava, ignorante, a falta. 

Hoje não a lastimo. 

Não há falta na ausência. 

A ausência é um estar em mim.

E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus
                                                                            [braços, 

que rio e danço e invento exclamações alegres, 

porque a ausência, essa ausência assimilada, 

ninguém a rouba mais de mim.


Carlos Drummond de Andrade, in 'O Corpo'

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

PROCURO-TE

procuro-te
 nas noites de insónia entre as nebulosas
e quando te encontrar
 não me digas de onde vens
 não me mates o desejo
 não limites o meu sonho
 não arranques o veludo de que é feita a distância que existe entre nós.

  estão a ouvir - Red Sky - Dan Philipson

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Desafio mais que superado !

 [ Um beijinho grato a TODOS OS AMIGO(A)S que participaram tão criativamente neste meu desafio.]


 
Sabia que tinha chegado o momento, não podia continuar a viver naquela agonia, tinha que começar de novo.
" Foi para casa. Olhou-se ao espelho. As ondas do mar pareciam ter-lhe dado uma resposta ao tormento. Viu um rosto ainda jovem, olhos expressivos e assegurou a ela mesma que não deixaria de viver por causa de alguém que não lhe merecia.
Aproveitaria cada minuto de sua vida e saberia dar um ponto final ao relacionamento que tanto mal lhe fazia.
Só de pensar nisso, agora sentindo-se mais forte, calçou um sapato de saltos, trocou a roupa por uma que lhe caia muito bem e foi ao encontro dele para tudo terminar. Mais uma olhada no espelho. Gostou do que viu. Forte, poderosa e dona do SEU nariz! Assim saiu...

Rapidamente colocou alguns pertences necessários em sua mala, como os cartões de crédito, identidade e poucas roupas. Em seguida, partiu para a rodoviária onde escolhera morar noutro Estado, mais longe. Recomeçaria onde ninguém a conhecia. Certa estava, que nunca mais voltaria àquele lugar, não voltaria àquela casa e esqueceria todas as pessoas, uma drástica ruptura com seu passado, onde sempre fora infeliz. Estava consciente que merecia mais da vida. E foi atrás de seu novo sonho.
Tinha chegado o momento, de me amar em primeiro lugar, de buscar a minha felicidade, não iria terminar a minha vida sem lutar para ser feliz, não podia continuar a viver naquela agonia, tinha que começar de novo. Então sem nada levar que me lembrasse aqueles dias, fui embora para tentar a sorte e quem sabe um dia um novo amor rsrs
Abriu a porta e continuou a respirar no mesmo ritmo, esse momento era decisivo e não poderia fraquejar. Os olhos dava sinal que algumas lágrimas foram vertidas. Enxugou-a delicadamente com a ponta dos dedos. Seu coração fora do céu ao inferno, mas havia tomado à decisão certa. Nunca mais o veria! Caminhou em direção ao banheiro, ligando a banheira em seguida, colocou gotas de óleos, perfume de jasmim pra não dar bolhas na água, ligou o aquecedor e relaxou por alguns minutos. Colocou sua melhor camisola, deitou entre os lençóis de cetim de frente pra janela. A lua com seu brilho refletiam seu corpo dourado, e as cortinas bailava com o vento cantando na janela. Entre os lençóis, abriu os olhos e viu a luz vindo da janela, e teve uma sensação renovada e tranquila. Colocou uma roupa fresquinha soltou os belos cabelos, pegou a chave do carro, respirou fundo... E assim saiu feliz!

 AC
Correu para casa, abriu a porta e... deu de chofre, no espelho da entrada, com um vulto agitado, ansioso, de lábios contraídos. Foi um choque. Aquela era ela? Que raio estava a fazer da sua vida?
Tentou acalmar-se. Dirigiu-se para a sala e, ainda com gestos tensos, preparou um gin tónico. Sentou-se, agitando o gelo no copo, quando irrompe, inesperadamente, o som da campainha. Quem seria?
Dirigiu-se para a porta, de copo na mão direita, enquanto a esquerda, vá lá saber-se o porquê, empunhava a arma. Era ele. Olhou-a, sorridente, e estendeu a mão direita para a bebida. Foi então que ela, obedecendo a um estranho impulso, descarregou a arma na caixa de bolos que ele trazia na outra mão.
Voltou muito mais calma...
Era agora!
Há muito que sonhava rever Paris, onde tinha feito um estágio.
Arrumou cuidadosamente a mala.
Sabia que enquanto saboreasse vagarosamente a cidade-luz, traçaria um plano para iniciar uma vida saudável.

 ..Ligou a radiola, colocou um disco de Amália Rodrigues no volume máximo.Foi até a cozinha abriu aquele vinho reservado e sorveu lentamente cada gota, como um liquido dos deuses da energia. Sentiu o rubor na face, abriu a janela. Vê uma estrela cadente, fez um pedido fervoroso e a olhar o céu adormece recostada na poltrona.

E escreveu o que lhe ia na alma.
Ficou um texto lindo.
Depois, publicou-o na blogosfera e desafiou os amigos a darem-lhe outro fim.

Disparou para o monitor acabando com ele, vestiu-se rapidamente e foi ao encontro daquele que ela esperava, pois até então era uma simples história escrita no teclado do monitor e que agora poderia ser real.

 
Voltou para perto do mar. Sentou-se na areia e esperou que o fascínio da lua em seus olhos, tão consumidos de procurar a luz, exorcizasse os seus sonhos...

 ... e saiu de casa, ligou o motor do automóvel que explodiu em glória num ensaio da próxima telenovela!

“Correu para casa, abriu a porta e " , ... 10 meses se desvaneceram num ápice, como que por magia !
Bastou-lhe vê-lo ali na sua frente, para que, sem mais delongas , dúvidas, interrogações, se unissem num grande abraço , seguido de uma entrega mútua de um amor louco, por que tanto ansiava !

Afinal, passada essa "loucura" de momento e "regressados à terra", ela ficou então a saber!
Ele tinha viajado para um outro país, sofrido um grave acidente com incêndio do carro alugado e perda da documentação, tendo-se arrastado para bem longe a apanhado boleia, com perda total de memória, muito tempo de internamento hospitalar e uma profunda amnésia de vários meses ! ...


…ao entrar na sala, viu-o sentado na sua poltrona preferida. Na mão direita segurava um copo de balão, com dois dedos de brandy, agitando-o em movimentos circulares. Um leve sorriso bailava-lhe nos lábios. Aqueles lábios que um dia ela tantas vezes beijou.
Havia, no entanto, um estranho brilho nos seus olhos. Pareciam-lhe duas lâminas de aço, frios e sem o mais pequeno assomo de doçura, de saudade, de emoção. Olhou-o demoradamente. De súbito, o homem que tanto desejou rever, pareceu-lhe um ser desconhecido, um estranho, um intruso.
Voltou-se, deu uns passos em direcção à porta da rua e abriu-a de par em par. Lá fora, a tormenta havia amainado e a lua brilhava no firmamento, esplendorosa, na sua luz de prata. Com uma força e uma certeza inexplicáveis, a voz saiu-lhe da garganta, segura e serena:
-- Sai! Não quero saber por onde andaste nem o que vens cá fazer. Quero-te fora da minha vida. Vai, e não me apareças cá mais.

Depois dele ter saído, tirou a gabardina, atirando-a para o chão, sentou-se na poltrona, levou aos lábios o copo por onde ele havia bebido, bebeu tudo de um só trago e, inclinando a cabeça para trás, soltou a gargalhada mais alegre, livre e solta de toda a sua vida…
A arma? Deve tê-la perdido na praia e uma vaga levou-a para o fundo do mar!...




... Por longos momentos o silêncio apoderou-se dela ,sufocando-lhe a ténue respiração que o seu coração gélido emanava ,ela tinha a noção de ter chegado ao fundo do poço ,naquele momento exacto viu o vazio que tinha sido a sua vida ,agora apenas lhe restava o amanhã para ser feliz ....

“Correu para casa, abriu a porta e " ignorou o infiel.
Buscou alguns pertences pessoais, meteu-os numa mala e partiu para um Cruzeiro de sonho.
Tinha a certeza que outro iria ocupar aquele espaço.

“Correu para casa, abriu a porta e lá estava ele, em pé na penumbra, mas mesmo assim ela notou uma cicatriz em sua testa, ficaram parados alguns instantes sem nenhuma palavra
Seus corpos tremiam, seus lábios se desejavam, ele se aproximou colocou suas mãos em volta da sua cintura, ela o afastou com carinho, precisava saber o porque?
E com a voz embargada explicou, sofrera um acidente, ficara em coma e quando recobrou a consciência foi ela, a primeira coisa que veio a sua mente, e ali estava desejando retomar sua vida junto do seu grande amor.
Ela ficou imóvel, serena, e com um gesto de carinho acariciou sua cicatriz, afastou seus cabelos, abraçaram-se e entregaram-se ao desejo acumulado durante 10 meses.
E assim foram felizes para sempre!

Nem a chuva conseguia lavar toda aquela tristeza que durante tantos meses e horas invadira seu coração. Aquela espera interminável estava enlouquecendo-a, foi até ao mar seu confidente, gritou toda a sua dor, sua revolta, ali só ela e as ondas, deixou-se envolver naquelas aguas, até sentir que precisava reagir. Dar um basta naquela tristeza e solidão. Já mais calma voltou para casa e decidida resolveu partir dali para sempre, tomou um banho como para livrar seu corpo do cheiro, do toque daquele lugar, vestiu o vestido que nunca tinha usado antes, perfumou-se, e para acabar com toda e qualquer possibilidade de voltar a procura-lo, pegou a arma atirou no monitor, Jogou todas as roupas, fotos, lembranças dele na enxurrada e pouco a pouco tudo foi sumindo sendo levado junto com aquela agua barrenta para longe.
Olhou em volta, pegou sua bolsa, escancarou a porta, as janelas, para que a chuva invadisse aquele lugar que fora só deles e agora de ninguém. Entrou no carro e partiu para longe, onde ele mesmo que quisesse nunca mais a acharia.


 
VOLTOU PARA CASA PENSANDO EM DAR UM FIM AQUELE SOFRIMENTO, LIGOU O COMPUTADOR, ACREDITANDO SER ESTA A ÚLTIMA VEZ QUE O FARIA APONTOU A ARMA E LÁ ESTAVA ELE, PEDINDO-LHE PERDÃO E EXPLICANDO QUE SEU NOT HAVIA ESTRAGADO, DAÍ SEU INESPERADO SUMIÇO. ESCONDEU A ARMA NA GAVETA DA ESCRIVANINHA E SORRINDO, NADA COBROU, ESTAVA TÃO FELIZ! 

Depois de muito refletir caminhou decidida para a casa. Olhou-se no espelho e viu um ser humano reduzido a trapo.
Um grito de agonia surgiu de dentro do seu ser. Sofrer... sofrer... Isso é vida? Todas as noites agitava-se neste tormento e foi neste momento que uma luz acendeu em seu coração. Mereço mais! Mereço ser feliz! Lá fora a chuva caia mansamente. Sem olhar para trás saiu em busca da sua felicidade. Felicidade que dependia apenas dela. Não precisava de muletas. Sabia caminhar sozinha. Nadou até o veleiro e partiu para além mar. O sorriso no rosto fê-la perceber que já era feliz!

Correu para casa, abriu a porta... e foi directa para a sala...
Descarregou a arma... disparando sobre o aparelho de som...
Não ficaria nem mais um dia, esperando pelo amor, que sabia merecer... mas que não teria sido reconhecido, nem apreciado...
Havia mais de um mês, que o seu namorado, músico profissional, tinha partido em tourneé... e nem uma única palavra, por mensagem, telefonema, ou um simples mail lhe tinha dirigido...
Decidiu pôr um ponto final, na relação, ali naquela hora... de quem afinal... apenas lhe tinha dado música...



Correu para casa, abriu a porta e ... seus filhos lançaram-se para ela gritando seu nome: mãe!!! 

 ~~*~~

Agradeço também aos Amigo(a)s que participaram comentando:


domingo, 4 de setembro de 2016

Desafio ao domigo ;)

@
Naquela noite a tempestade fizera-se anunciar num inusitado céu estrelado.
Encostada à janela embaciada, Maria admirou-se por estar tão calma, demasiado calma pensou, enquanto subia às escadas em direcção ao quarto.
Chovia dolorosamente e a argila vermelha das arribas escarpadas esvaíam-se como sangue. O ar estava quente e impregnado dos fortes odores daquela inesperada chuva de verão.
Penteou-se rapidamente, quase com raiva, tinha que encontrar uma solução, não podia ficar eternamente à espera que ele surgisse de novo.
Dez meses, trezentos dias, quatrocentos e trinta e dois mil minutos de dedicação diária, de noites sem dormir e ele desaparecia assim, de repente, sem avisar, sem lhe deixar ao menos uma mensagem.
Foi à gaveta do cómoda, procurou a pequena arma entre as roupas macias e guardou-a no bolso da gabardina.
Desceu apressadamente as escadas e saiu sem olhar para trás, não podia continuar à espera, sufocava cada vez que olhava para aquele lugar agora escuro, sem vida.
Caminhou para a praia até o mar lhe lamber as pernas cansadas e doridas.
As ondas emergiam ao longe em quadrigas, sentou-se na areia, fechou os olhos e deixou que aquela melodia a acalmasse.
As ondas explodiam na areia espalhando espuma e búzios para de seguida os levar de novo.
Sabia que tinha chegado o momento, não podia continuar a viver naquela agonia, tinha que começar de novo.

Correu para casa, abriu a porta e...