terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Que gente é esta?

Li esta notícia no ViriatoTeles.net., transcrevo-a na íntegra.

«Leio espantado a notícia do Correio da Manhã de hoje: «O director do Conservatório de Música de Coimbra foi espancado sem razão aparente por um grupo de jovens, perto da estação de Coimbra B. Manuel Rocha, 48 anos, ficou ferido com gravidade, fracturando uma perna, e foi com o amigo até às Urgências dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde está internado.
A cena de pancadaria ocorreu na segunda-feira, às 20h45, quando o músico esperava um amigo na estação ferroviária. Um jovem abordou-o, junto ao seu carro, e pediu--lhe lume para acender um cigarro. Manuel Rocha disse que não tinha, por não fumar, e após troca de palavras começou a ser agredido. A violência aumentou de intensidade quando amigos do agressor, entre eles uma mulher, se juntaram contra Manuel.»
Manuel Rocha, esse mesmo, desde há mais de 30 anos um dos pilares da Brigada Victor Jara, e um dos mais talentosos violinistas deste país. Foi a ele que calhou o miserável episódio, presenciado passivamente por vários transeuntes e utentes da estação ferroviária interurbana de Coimbra, como é relatado pelo próprio e na primeira pessoa:
«Estou vivo e não quero ter medo de ir a Coimbra-B. Queridos amigos! Boletim clínico: fractura do perónio e lesão na articulação da perna direita; escoriações muito ligeiras; sem mais lesões físicas ou morais; sono profundo e descansado.»
E prossegue:
«Descrição da ocorrência: abordagem por marginal à entrada da estação de Coimbra-B; impedimento, pelo dito, de fecho da porta do automóvel; reacção enérgica, minha, à prepotência do marginal; agressão primeira sob a forma de pontapé; reacção enérgica, minha, saindo do carro para desimpedir a via pública (revelando excesso de visionamento de séries norte-americanas nas quais o “bom” ganha sempre); confronto físico de exagerada proximidade; intervenção do resto do bando colocando-me em inferioridade numérica e física seguida de manobra de elemento feminino (demonstrativo de elevado profissionalismo) de inutilização do membro acima referido; pausa para retirar os feridos do campo de batalha (eu).»
Do sucedido, Manuel Rocha sublinha «a atitude demissionária e de assobiar para o ar de quem presenciou a ocorrência», que «não pode ser justificada pelo medo, ou não faria sentido evocar esse pilar da civilização ocidental que é o amor ao próximo.»
O Manel é um homem de bom feitio e melhor humor, o que se saúda. Mas este caso, o seu caso, é sobretudo revelador do estado a que chegou não apenas o país, mas sobretudo o povo que vive nele. Os que na segunda-feira passaram ao largo da agressão ao músico são da mesma massa dos que, na véspera, voltaram a escolher o cinzentismo e a mesquinhez em formato presidencial. Não, não é contra Cavaco que estou. Ele é apenas um mísero professor, coitado, ainda para mais agora forçado a exercer a presidência pro-bono. Não, o que me irrita é mesmo esse «Portugal rançoso, supersticioso e ignorante, que tarda em deixar a indolência preguiçosa» de que fala o Baptista-Bastos. É essa, afinal, a mais triste evidência do episódio de Coimbra-B. A mão que elegeu Cavaco não foi a mesma que agrediu Manuel Rocha. Mas foi, com certeza, a que não se ergueu para o defender.»
Nem preciso de comentar porque está tudo dito!
Beijinhos

14 comentários:

  1. Estou estupefacta cm essa noticia!
    só por que nao tinha lume? só por que deveria ter? só por que sim ?
    PRIMA FÊ,
    em que mundo vivemos?
    só por que me apeteceu dar-lhe dou mesmo isso faz-me lembrar o meu post de aqui há dias. "eu tenho liberdade de expressão e digo aquilo que quero, se nao gostas..."
    é mais ou menos isto eu tenho liberdade para bater e se naõ tens lume levas .
    kis :=(

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  2. Este povo tem que ser chamado à responsabilidade e confrontado com os actos irresponsáveis que pratica e com o demissionismo civico que ostenta.
    O pior é que eu não sei como isso se faz...

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  3. Estamos num país sem rei nem roque!!!
    Onde já nem na rua se pode andar descansado, que ás vezes uma simples palavra pode gerar conflito e ir a vias de facto sem apelo nem agravo...Enfim!!!

    Bjinhos prima

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  4. Fê estou de acordo até com a seguinte frase:...Os que na segunda-feira passaram ao largo da agressão ao músico são da mesma massa dos que, na véspera, voltaram a escolher o cinzentismo e a mesquinhez em formato presidencial.
    Infelizmente os portugueses têm um problema: Não conseguem NUNCA porem-se no lugar dos outros, NUNCA. Pensam SEMPRE que só acontece aos outros. Eu, talvez devido à vida que levei, ao facto de ter nascido num país onde os nativos são muito solidários aprendi a pôr-me sempre no lugar dos outros e por isso ajo e não sofro de cobardia. Esses senhores que assistiram à cena são cobardes tão cobardes como os que apesar de saber a realidade que circunda muitos dos nossos políticos, alguma dela pouco clara, continuam a votar neles. Têm medo, medo de tudo, até de ajudar o próximo. Beijinhos e obrigada pelo problema que aqui levantaste, um dos meus preferidos. Quem sabe se os abanarmos eles mudam.

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  5. Infelizmente, a passividade com que as pessoas assistem a episódios destes é frequente. Até nisso estamos parecidos com os americanos. Quando vivia em Washingtosn, eu e um amigo fomos assaltados em plena Downtown à 1 hora da tarde. Imensa gente a ver, mas ninguém foi capaz de dar uma ajuda. Só depois de os ladrões se term ido embora, é que vieram perguntar-nos se precisávamos de alguma coisa...

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  6. Olá amiga:

    Reforço a sua frase no final:
    "Nem preciso de comentar porque está tudo dito!"

    Está tudo dito...!!
    Beijinhos e continuação!
    Clarisse

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  7. Cara Fê
    Infelizmente todos os dias "vemos ouvimos e lemos" Noticias de agressões deste tipo. Sentimos que vivemos numa sociedade insegura e lamentamos.
    Mas quando se trata de alguem que conhecemos e com tivemos alguma convivência a revolta é maior. Convivi de perto no ambito de espectáculos que ajudei a organizar com o Manuel Rocha e os irmão Rui e João Curto no ambito da Briga Vitor Jara e do Gefac.
    A minha solidariedade.
    Abraço

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  8. O acto praticado é desprezível. Infelizmente acontecem, com demasiada frequência neste país, actos cobardes como este.
    Também é doentia a mente que chama Cavaco Silva para esta notícia. Não deixo de notar a elegância e a educação com que o autor trata os milhares de portugueses que não votaram como ele. Um verdadeiro democrata.

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  9. Estou como o Rogério Pereira!
    É curioso que me aconteceu algo parecido com o que escreve o Carlos Barbosa de Oliveira, só que não na rua, mas nos jardins da Casa Branca onde, na altura, me encontrava em missão profissional. Um dia talvez venha a falar disso...
    Tal como o Brown Eyes também nasci num país onde os nativos são muito solidários, daí pedir-lhe licença para subscrever, na totalidade, as suas palavras.
    Abraço, Amiga Fê.

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  10. indecente, a atitude de quem passou e não ajudou. p'lo menos ligar p'la polícia, caso temessem represálias! sinceramente, preocupa-me mais a falência moral deste país, do que a falência financeira!

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  11. Sinais de violência gratuita.

    (sem mais comentários porque estas coisas enojam-me)

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  12. Fê,

    Estamos num país de brandos costumes em que se elegem os corruptos e deixam os HOMENS (sim com letra grande) no tapete.

    Dirão alguns... SEMPRE FOI ASSIM.

    Eu digo, se demorarmos a mudar não oferecemos nada de bom ao FUTURO.

    Beijosssss

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  13. Lamentavelmente são sinais desta nossa sociedade desenvolvida: a violência e a indiferença. :(

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  14. A violência gratuita, não sendo de agora, tem vindo a aumentar. Alguma da minha energia, e prazer de sair à noite, foram abrandando com o passar dos anos. Eu practicamente só utilizo transportes públicos, por isso lembro-me de várias situações, mais ou menos violentas e desagradáveis. É verdade que com o passar dos anos essas situações são mais vulgares. Numa das vezes, foi comigo que se passou algo semelhante, mas não tão grave nas consequências físicas. O que me custou mais nessa situação, foi ter ficado sem um relógio de bolso que eu muito estimava, e que já tinha há imenso tempo, dado por alguém muito especial. beijinhos.

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