sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Aprenda sobre a epilepsia

"Muitas vezes é difícil de identificar e distinguir os diversos tipos de convulsões, este vídeo é absolutamente esclarecedor, portanto peço-vos que o vejam até ao fim. Eu inicialmente, quando me falavam de epilepsia, a imagem que tinha era que a pessoa caía e tinha espasmos pelo corpo todo, mas hoje sei que não existe apenas um tipo de convulsão e sei também que as ausências que o meu filho manifesta,  se devem a descargas eléctricas que ocorrem provocando essas mesmas crises. "


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 *

{ Meu filho, vais ficar bem, eu sei . }



Epilepsia

Fonte:

Tradão e Edição de Imagem Científica:
Adaptação Científica:

Drª. Ana Sofia Correia
Validação Científica:

Dr. Alexandre Campos
O que é?
 
A epilepsia é uma doença do sistema nervoso que causa alterações repetidas, súbitas e breves da actividade eléctrica do cérebro, manifestando-se por crises epilépticas recorrentes. As crises epilépticas são episódios de descarga anormal e excessiva de células nervosas cerebrais, que afectam temporariamente a forma como a pessoa se comporta, move, pensa ou sente. Um indivíduo pode ter uma crise epiléptica sem ter epilepsia e sem ter uma doença do sistema nervoso (o que pode acontecer, por exemplo, por alterações dos iões ou diminuição da glicose no sangue, privação de álcool nos alcoólicos ou ingestão de drogas).
Existem dois tipos principais de crises epilépticas:
  • Uma crise epiléptica generalizada primária envolve todo o cérebro e provoca perturbação do estado de consciência.
  • Uma crise epiléptica focal ou parcial começa numa área cerebral, afectando apenas uma parte do cérebro. No entanto, uma crise parcial pode transformar-se numa crise epiléptica generalizada (crise parcial com generalização secundária).
Muitas situações podem afectar o cérebro e desencadear epilepsia, incluindo:
  • lesões cerebrais, antes ou depois do nascimento (por exemplo, traumatismo)
  • tumores cerebrais
  • infecções, especialmente a meningite e a encefalite
  • doenças genéticas
  • vasos sanguíneos anormais no cérebro (malformações vasculares)
  • tóxicos (por exemplo, intoxicação pelo chumbo).
  • malformações do desenvolvimento do cérebro.
Na maior parte das pessoas com epilepsia desconhece-se a causa específica.
Manifestações clínicas
As manifestações da epilepsia variam, dependendo da extensão da área do cérebro afectada e da sua localização.
Crises epilépticas generalizadas primárias:
  • Crise tónico-clónica generalizada (crise tipo grande mal) — A pessoa perde a consciência, cai no chão e pára temporariamente de respirar. Todos os músculos corporais contraem-se ao mesmo tempo durante um curto período. Isto é seguido por uma série de movimentos espasmódicos. Algumas pessoas têm incontinência urinária e fecal (perda de urina e fezes) e pode ocorrer mordedura da língua. Esta crise pode durar alguns minutos, sendo seguida por um período de sonolência e confusão mental. Podem ocorrer dores musculares, bem como dores de cabeça. O termo convulsão geralmente refere-se a uma crise epiléptica tónico-clónica, embora algumas pessoas utilizem este termo como sinónimo de crise epiléptica.
  • Crise tipo ausência(crise tipo pequeno mal) — A perda de consciência é tão breve que a pessoa geralmente não muda de posição. As ausências começam e terminam abruptamente, com retorno imediato ao estado normal. Durante alguns segundos, a pessoa pode:
    • ficar com olhar vazio, fixo
    • pestanejar rapidamente
    • efectuar movimentos de mastigação
    • mover um braço ou uma perna ritmicamente.
Este tipo de crise epiléptica geralmente começa na infância ou no início da adolescência.
 
Crises epilépticas parciais (focais):
  • Crise parcial simples—A pessoa permanece acordada e consciente. Os sintomas variam, dependendo da área cerebral envolvida, podendo incluir:
    • movimentos espasmódicos numa parte do corpo
    • experiência de odores, sons anormais ou alterações visuais
    • náuseas
    • sintomas emocionais, tais como medo ou raiva inexplicados
  • Crise parcial complexa — A pessoa pode parecer consciente mas não responde durante um curto período, podendo verificar-se:
    • um olhar vazio
    • mastigação ou estalar os lábios
    • movimentos repetitivos da mão
    • comportamentos fora do habitual
Depois da crise, a pessoa não tem memória do episódio.
Estado de mal epiléptico — Ocorre quando a pessoa tem uma crise epiléptica generalizada que dura 15 a 30 minutos ou mais, podendo também resultar de uma série de crises epilépticas sem recuperação completa da consciência entre as várias crises. Esta situação constitui uma emergência médica potencialmente fatal.
Diagnóstico
O doente frequentemente não tem nenhuma crise epiléptica quando consulta o médico. Por esta razão, é importante pedir a colaboração de qualquer pessoa que tenha testemunhado a crise e que poderá descrever exactamente o que viu, incluindo o que aconteceu no início da crise e o que aconteceu depois. Esta descrição irá ajudar o médico a determinar o tipo de crise que o doente teve e a decidir o tratamento apropriado.
Ter uma crise epiléptica não significa que a pessoa tem epilepsia. Por exemplo, é comum as crianças terem convulsões associadas à febre. A maior parte das crianças com este problema não desenvolve epilepsia.
O médico irá diagnosticar epilepsia com base nos seguintes dados:
  • história clínica
  • exame físico pormenorizado
  • exame neurológico completo
  • resultados de um electroencefalograma (EEG), exame em que é feito um registo da actividade eléctrica do cérebro através de eléctrodos metálicos ligados ao couro cabeludo. Apesar de ser um exame útil, um doente com epilepsia pode ter um electroencefalograma normal quando não está a ter nenhuma crise epiléptica.
Em muitos casos, o médico irá pedir também uma tomografia computorizada (TC) ou uma ressonância magnética nuclear (RMN) do cérebro. Podem também ser necessários outros tipos de exames cerebrais.
O médico pode verificar se as crises epilépticas estão relacionadas com causas exteriores ao cérebro. Para isso, pode pedir exames laboratoriais, incluindo análises de sangue e análises de urina. Poderá ser também solicitada a realização de um electrocardiograma (ECG).
Apesar destes exames, o diagnóstico de epilepsia poderá ser difícil e, quando o médico não observa o doente na altura da crise, nem sempre é possível perceber se o doente teve verdadeiramente uma crise epiléptica. Para ajudar no diagnóstico, o doente pode realizar um electroencefalograma de 24 horas, quer em ambulatório, quer em internamento acompanhado de um vídeo permanente para que o médico possa classificar as crises.
Evolução clínica
A epilepsia é uma doença para toda a vida mas muitas pessoas com uma história de múltiplas crises epilépticas irão acabar por deixar de sofrer deste problema, o que acontece com frequência nos doentes mais jovens. Por outro lado, quando há alterações do exame neurológico, o prognóstico é pior.
Na maior parte das pessoas com epilepsia, as crises epilépticas podem ser controladas com medicação.
Prevenção
A causa da maior parte dos casos de epilepsia permanece desconhecida. Deste modo, não existe forma de prevenir a doença.
No entanto, os traumatismos cranianos podem provocar epilepsia e são muitas vezes evitáveis com as seguintes medidas:
  • usar cinto de segurança quando conduz e dar preferência a carros com “airbags”
  • usar um capacete apropriado quando anda de skate, de mota ou de bicicleta
  • usar protecções para a cabeça na prática desportiva.
Qualquer pessoa com epilepsia activa deve tomar precauções para minimizar o risco de lesão no caso de ocorrer uma crise epiléptica. Por este motivo, as pessoas com epilepsia são aconselhadas a não conduzir veículos motorizados durante, pelo menos, dois anos depois da crise epiléptica mais recente. Da mesma forma, deve ser evitada a utilização de maquinaria perigosa.
As pessoas com epilepsia devem ponderar o uso de uma identificação médica que descreva a sua doença. Isto irá proporcionar informações importantes para o pessoal médico numa situação de emergência.
Tratamento
Os doentes com epilepsia devem ter períodos de sono regulares, com repouso nocturno suficiente, e não devem consumir álcool.
Na maior parte dos casos, o tratamento começa com um ou mais medicamentos anti-epilépticos. O tipo de medicação usado depende do tipo de crise epiléptica a ser tratada.
Quando a medicação não consegue controlar as crises, pode ponderar-se uma intervenção cirúrgica. A decisão de realizar uma cirurgia depende de muitos factores, incluindo:
  • a frequência e a gravidade das crises epilépticas
  • o risco de lesão cerebral, bem como de outras lesões, devido à ocorrência de crises frequentes
  • efeito sobre a qualidade de vida
  • estado de saúde em geral do doente
  • probabilidade da cirurgia poder controlar as crises epilépticas.
O estado de mal epiléptico constitui uma emergência médica potencialmente fatal, devendo ser tratado com medicamentos administrados por via endovenosa ou rectal. Devem também ser tomadas medidas de protecção para manter a permeabilidade das vias aéreas do doente e para ajudar a prevenir as lesões da cabeça e da língua.
Quando contactar um profissional
Contacte o médico se apresentar episódios que pareçam ser crises epilépticas.
Peça ajuda de emergência imediatamente se suspeitar que alguém com epilepsia desenvolveu um estado de mal epiléptico.
Prognóstico
A maior parte das pessoas com epilepsia consegue controlar as crises com medicação.
Algumas pessoas têm uma epilepsia que não é controlada com medicamentos anti-epilépticos, podendo muitos destes casos ser tratados com cirurgia.
Informação adicional
Sociedade Portuguesa de Neurologia
Gabinete 404 M/76 – Centro de Escritórios do Chiado, Rua da Misericórdia, 76
1200-273 Lisboa
Telefone / Fax: +351- 213210112

Liga Portuguesa Contra a Epilepsia
Rua Carlos Mardel 107  3ºA  1900-120 Lisboa
Tel: 21 847 47 98

9 comentários:

  1. Olá, FÊ!

    Como está?

    Vi, com a atenção que me merece o vídeo, na íntegra, e li tudo aquilo que escreveu sobre Epilepsia.
    Conheço bem a doença, nas suas duas formas (grande mal e pequeno mal), pois a minha mãe, que faleceu com 62 anos, de cancro, teve-a, mas só aos 17 foi diagnosticada.

    É uma doença como qualquer outra, e não deve colocar-se, ao nível, por exemplo, das doenças oncológicas.

    Eu achava que a Fê, mesmo não a conhecendo, como não conheço nenhum/a seguidor/a, era uma mulher sofrida e angustiada. Hoje, encontrei a "ponta do fio", porque o tempo é sempre a melhor resposta para tudo.

    Muito tinha para lhe dizer sobre o que se pensava, por exemplo, na Idade Média, sobre esta doença, sobretudo se era uma mulher a sofrer dela, mas o mundo evoluiu.

    Quando em convulsão, é necessário, e contrariamente àquilo que alguns médicos afirmam, amparar e proteger o doente, mesmo não o conhecendo.
    Não foi há muito tempo, eu estava no centro de saúde, e uma senhora, na casa dos 30, 30 e poucos anos, teve uma crise. A médica foi chamada à sala, e disse-nos: saiam daqui e deixem-na estrebuchar, porque ela precisa. Ela fechou-se no consultório, e os ostros que estavam na sala, debandaram. Eu, obviamente, que eu não iria permitir que a senhora batesse com a cabeça fosse onde fosse, e outras situações penosas, e aproximei-me dela, atuando como atuava com a minha mãe. Sei este "bê a bá" de cor e salteado, mas acima de tudo, AMOR, MUITO AMOR.

    Eles não se lembram de nada, posteriormente, como sabe e como aqui escreveu, mas na altura da convulsão, eles/as, instintiva e inexplicavelmente, reconhecem os gestos/atitudes que lhes estão a ser ministrados.

    O seu filho sofre deste mal, que com a maior idade, ou seja, quando já bem adulto, irá desaparecer, garanto-lhe.

    O EXTERNO, A SOCIEDADE, EM GERAL, INFLUENCIA, NEGATIVAMENTE, ESTE TIPO DE DOENÇA.

    Tenha um bom de semana.

    Beijos afetuosos da Luz, para ambos.

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  2. Adorei ler com muita atenção este seu momento ,como o comentario da amiga luz ,hoje aprendi um pouco mais sobre a epilepsia,muitos beijinhos

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  3. Fê, muito obrigada por partilhar este vídeo com informações tão preciosas sobre uma problema que ainda causa uma certa dificuldade da população em aceitar. Em geral, algumas pessoas se afastam quando alguém sofre um ataque de epilepsia e o senso de solidariedade se anula nessa hora, pois a discriminação ainda é muito grande.
    A imagem da mãe tranquilizando o filho é muito comovente, pois as crianças, principalmente, nesta hora necessitam de muito carinho, cuidados e amor. Como eu bem sei que fazes. Que Deus continue a te iluminar e proteger, amiga, junto a teu precioso filho, dádiva suprema de Deus ao teu coração!
    Deixo sorrisos e estrelas (uma especial para teu pequenino) nos votos de uma semana iluminada de alegrias e realizações.
    Com carinho,
    Helena

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  4. Amiga Fê.

    A ideia que sempre tive sobre essa doença é que as pessoas que dela sofrem, poderiam ter repentinamente uma convulsão, tremendo, estrebuchando, correndo o risco de morder a língua ou sofrer outros ferimentos, mas nunca pensei que houvesse vários tipos de convulsões, como essa que falas e o vídeo mostrou, de ocorrerem alheamentos do que se passa ao seu redor, sem mais nenhum sintoma.
    Obrigada, amiga, por teres partilhado esta valiosa informação connosco.
    Lamento tanto que haja pessoas que marginalizem quem sofre desta doença, como se se tratasse de um mal contagioso.
    Li também o comentário da Luz e considero-o de grande utilidade na ajuda a prestar no caso de nos depararmos com um caso semelhante.
    Só fiquei com uma duvida sobre se a doença terá cura.
    Oxalá assim seja.
    Beijinhos, querida e que Deus vos dê muita força.
    Um beijinho muito grande e solidário.

    Janita

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  5. apenas te deixo o meu abraço...

    (nós pensamos sempre que só acontece aos outros, mas...)

    :(

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  6. Pouco ou nada sabia sobre a epilepsia por isso adorei ler o post e o comentário da Luz. Ajuda sempre ouvir alguém que já conviveu com este problema porque tem experiência que nos poderá ajudar. Como eu há muita gente que não fazia ideia que as manifestações da epilepsia podem ser várias. Fê o teu filho vai ficar bem, o teu filho terá aquilo a que tem direito. As coisas tardam mas chegam. Beijinhos

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  7. Oi Fê, esclarecedor o texto e o vídeo!
    Bjus e tudo de bom.

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  8. Conheço quem tenha epilepsia, é útil estar bem informado, um dia, pode ser necessário.
    Bj

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  9. para mim
    Helena deixou um novo comentário na sua mensagem "Aprenda sobre a epilepsia":

    Fê, muito obrigada por partilhar este vídeo com informações tão preciosas sobre uma problema que ainda causa uma certa dificuldade da população em aceitar. Em geral, algumas pessoas se afastam quando alguém sofre um ataque de epilepsia e o senso de solidariedade se anula nessa hora, pois a discriminação ainda é muito grande.
    A imagem da mãe tranquilizando o filho é muito comovente, pois as crianças, principalmente, nesta hora necessitam de muito carinho, cuidados e amor. Como eu bem sei que fazes. Que Deus continue a te iluminar e proteger, amiga, junto a teu precioso filho, dádiva suprema de Deus ao teu coração!
    Deixo sorrisos e estrelas (uma especial para teu pequenino) nos votos de uma semana iluminada de alegrias e realizações.
    Com carinho,
    Helena

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Prometo ser tão breve quanto a minha saúde e disponibilidade o permitir.
Obrigada, por me darem 5 minutos do vosso tempo.