sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

O MEDO ...

"À medida que nos libertamos do nosso próprio medo,
a nossa presença liberta automaticamente outros."

   Nelson Mandela

Christina Leta art


o medo...
  entra-nos pela cabeça, subitamente
entontecendo-a
desnorteamos
vai deslizando até ao olhos, subtilmente
afogando-os
soluçamos
desce para a garganta rapidamente
engasgando-nos
sufocamos
 quando ele chega ao coração, maliciosamente 
apertando-o
gritamos !
e ele esconde-se no estômago, cobardemente.
queimando-o
quebramos.

 pelos outros, por nós, corajosamente
digerimo-lo
expulsamo-lo
LIBERTAMOS !

.

Fê blue bird


~~*~~

45 comentários:

  1. Uma excelente definição emocional do medo.

    O medo aprisiona, mas por outro lado, desencadeia a reacção para agir em defesa nossa ou de outrem.

    Um beijinho e bom fim de semana.

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    1. Alexandra,
      Assim o sinto mais vezes do que gostaria, mas felizmente ainda vou reagindo...corajosamente.

      beijinho e bom fim de semana também para si.

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  2. O medo é um sentimento humano, faz-nos mal, mas evita que tomemos atitudes insensatas.

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    1. Estou de acordo, fazer-nos mal. Mas não concordo com o resto da frase, por vezes o medo faz com que tomemos atitudes insensatas.

      Beijinho

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  3. Intensidade e beleza na expressão do medo,Fê! Obrigadão pelo carinho deixado lá! beijos, lindo fds! chica

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    1. O medo nada tem de belo, mas a imaginação pode transformá-lo.
      Obrigada Chica.

      beijinho e bom fim de semana também para si.

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  4. Dizes bem
    "nós, corajosamente
    digerimo-lo"
    Hoje, ao trincar o medo
    notei que nada tinha dentro
    E para assegurar
    perfeita digestão
    fui-me aos sais
    ficando-me aquele
    sabor, tão agradável
    da liberdade!

    (quando for crescido
    quero fazer um post algo parecido)

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    1. Nem sempre é fácil, digeri-lo, mas quando conseguimos...recorrendo ou não aos sais...a sensação de alívio é imediata (:

      Obrigada Rogério!
      Beijinho

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  5. „Ao digerimo-lo
    LIBERTAMOS!“
    É uma conclusão inteligente sobre o medo — uma emoção humana e por vezes insensata.
    Gostei da excelente imagem e da profundidade do poema.

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    1. O medo é uma emoção profunda, insensata, mas real para quem o vive e sente.
      Tentei desconstruí-lo ...quem sabe .

      Beijinho e obrigada !

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  6. O medo é um sentimento inerente a todo o ser humano.
    Se é certo que, quando irracional e/ou provocado por um qualquer trauma, inibe e limita quem o sente, por outro lado quando «normal», actua como um sensor de pré-aviso, a certos actos que nos poriam a vida em risco.
    Portanto, em meu entender, o mal não é sentir medo, o mal está no medo irracional que fragiliza quem o sente de forma doentia. Aí, é preciso a ajuda de um profissional nas doenças da mente e do espírito.

    Beijinhos e cuida-te, Amiga Fê.

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    1. Amiga Janita,
      O medo foi-nos incutido desde crianças, não sei se te aconteceu, mas a mim metiam-me medo com o papão, o velho do saco, o polícia, etc...ficou registado, talvez esquecido, até o dia em que nos tornam a meter medo ...
      Aí, voltamos à infância, aos medos, e tudo fica confuso, Claro que tudo isto é irracional, e temos que reagir com sensatez , talvez escrevendo como eu fiz.

      Beijinho

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    2. Vejo, a cada passo, que fui uma felizarda na minha infância.
      Não, amiga Fê, a mim nunca me meteram medo. Ninguém na minha família o fez.
      Pelo contrário... Quando levada pelos ensinamentos na catequece a temer a Deus, me atemoriza, a minha Mãe sempre me desfazia esses temores, dizendo que aquilo eram coisas da Igreja para que as pessoas más não ousassem pecar, mas que nós, crianças, eramos Anjos e os Anjos não pecam. Cresci feliz e sem medos, graças à minha santa Mãe.

      Beijinhos e desculpa, hoje deu-me para filosofar pelos blogues dos outros, fazer o quê? :))

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    3. Fico feliz por ti minha amiga, eu já não posso dizer o mesmo...
      Janita, nem imaginas o bem que me tem feito "filosofar" ou não pelos blogues, foi disto que senti falta, vejo agora !

      Beijinho e continua assim, livre e feliz...sem medo!

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  7. Eu tenho medo e o medo me encoraja a desafia-los.
    Linda definição em poesia querida amiga.
    Um bom lindo fim de semana sem medo de ser feliz.
    Beijo amiga.
    Cuide-se bem.

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    1. O medo pode nos dar coragem, assim devia ser, para vencê-lo !

      Obrigada amigo Toninho.
      Final de semana feliz, com saúde, e sem medo também (:

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  8. A colocação de Mandela, a arte que escolheu, seus versos... tudo belo. O medo pode não ser bom companheiro, mas tem a função de nos impulsionar, já que, só vencendo-o, seguimos. Amei sua postagem! Bjs.

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    1. Obrigada Marilene pela sua apreciação.
      Acho que na actual situação que vivemos, o medo é nosso companheiro, e só nos resta, vencê-lo !

      beijinho e bom fim de semana !

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  9. O medo existe para avisar quando "algo" ou "alguma coisa" não é, ou está, normal. O segredo é saber "escutar" o que ele nos tem para dizer e... prevenirmo-nos com os meios que dispomos.
    Estamos juntos "nisto".
    Um Poema de excelência e de uma actualidade gritante.
    Parabéns, Fê.


    Beijo
    SOL da Esteva

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    1. Sim SOL,
      o medo está associado ao instinto de sobrevivência, quando passa a ser fobia é que fica tudo mais complicado.
      Temos que estar juntos, "nisto"!

      Obrigada e beijinho

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  10. Todos nós, em algum momento da nossa vida sentimos medo.
    O medo também ensina a ter respeito e limite nas atitudes, além de motivar os indivíduos a superar esta limitação.
    Gostei muito do poema!

    Beijinhos Fê.

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    1. Manu,
      Temo, que agora, passamos a ter medo mais vezes.
      Temos que nos superar, para sobreviver, isso é certo!

      Beijinho grato

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  11. Olá , Fê! Eu tenho medo de não mais sentir medo. O medo nos previne, nos acanha a fazer o que não devemos...O medo nos protege, ao mesmo tempo que nos impulsiona a vencer limites...Seu poema é muito belo; obrigado por mais esse. Grande beijo. Feliz fim de semana.

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    1. Beto, pois eu ao contrário, tenho medo de ter medo. o que não é nada bom.
      Tento exorcizá-lo através das palavras, da meditação e da força interior, que felizmente ainda vou tendo.

      Beijinho grato e bom fim de semana também para si.

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  12. Muito apropriada a sua postagem.

    Estamos num tempo de medo...

    Saudações poéticas!

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    1. Sem dúvida, basta ver as notícias, que evito o mais possível.

      Beijinho

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  13. Vivemos atualmente momentos muito difíceis. O MEDO faz parte, se calhar a maior parte, desses momentos complicados.
    Hoje, desviamo-nos das pessoas como se eles tivessem Peste ou outra doença, que até podem ter (covid-19).
    As pessoas olham umas para as outras - por exemplo nos supermercados - mostrando medo. É uma sensação horrível mas, reconheço, necessária. O Medo evita certos exageros.

    A máscara além de evitar o contágio da Pandemia é também muito boa, pelo menos para as senhoras. Não precisam de comprar baton nem cremas para a cara. São todas lindas, bonitas, pois as máscaras assim o "dixem", lol

    Mais a sério: Amei o POEMA. Lindíssimo sem dúvida.

    Bom fim de semana
    Cuide-se

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    1. Ricardo,
      estou de acordo, o medo é necessário para nos protegermos, mas, por mim falo, começa já a ser patológico e isso não nos está a fazer bem.
      A máscara é boa para todos, pois os homens também poupam no creme de barbear (:

      beijinho, saúde e boa semana



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  14. Não é fácil nos libertarmos de certos medos, mas temos de tentar.
    Maravilhoso poema.
    Fique bem e em segurança
    Beijinhos

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    1. Obrigada Maria,
      Há medo que ficam para sempre !
      Fique bem também.

      beijinho, saúde e uma boa semana.

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  15. Eu tenho medo de tanta coisa. Sou medricas, mesmo. :)
    Belo poema, Fê.

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    1. Luísa,
      Já somos duas, e está a agravar-se.
      Obrigada.

      beijinho, saúde e uma boa semana.

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  16. Sabe Fê, tenho uma posição dúbia sobre o medo, pelo menos no actual contexto que atravessamos. Sinto-o... bem como todos os seus efeitos paralisantes, que sei reconhecer e esforçar-me por os ultrapassar... mas continuo a ver imensa gente ao meu lado, sem medos... e sem consciência nem responsabilidade, nas ruas... e tal, redobra mais ainda os meus medos... pois tais comportamentos, estão a fazer com que os medos de todos, persistam, por muito mais tempo...
    Infelizmente, o medo é necessário em certos contextos, para as pessoas serem mais facilmente induzidas a certos comportamentos e a evitarem abusos e prevaricações quando proibições são necessárias. Quando as medidas deste segundo confinamento foram anunciadas com tantas excepções, o que aconteceu? As pessoas abusaram como puderem... de passear o cão, passaram a ir passear trelas... cães alugaram-se para permitir as pessoas saírem de casa, e por aí fora, em muita criatividade na irresponsabilidade. Em Inglaterra, imagens de terror do que se passa nos hospitais, estão a ser espalhadas por todo o lado, paredes de edifícios, paragens de autocarros... acho bem! Acho que cá devíamos vê-las por todo o lado, pois estamos a falhar redondamente, dado o número de contágios! Um metro e meio... dentro e fora de casa, para evitar problemas... quantos o praticam? Em casa a grande maioria, das pessoas, agarram-se e beijam-se quando um elemento chega da rua... mantendo as rotinas de sempre... isto sim... dá-me muito medo!!! Acho que ainda não temos medo o suficiente, Fê, na minha opinião, pois por cá... continuamos a matar-nos uns aos outros com os contágios... ao continuarmos a beijar e a abraçar para evitar, muitas vezes os nossos próprios medos... vejo-o nos meus vizinhos e em alguns amigos, como mau exemplo, infelizmente. No fundo, muitos continuam achando, que o vírus respeita laços de sangue, estratos sociais, que continua a não ser para todos... lavamos as mãozinhas... e depois vamos dar abraços e beijinhos, aos da nossa bolha caseira... que não estão assim tão isolados quanto isso... saem para compras, escolas, passear o cão, tratar de algum assunto necessário, trabalhar... e depois perguntamo-nos, como os contágios não param?... Nós ainda não interiorizamos que realmente, deste vírus... será mesmo para ter medo... por nós e pelos nossos... pois ele está aprimorando-se em versões mais contagiosas... e nós, continuamos a tentar manter os hábitos de sempre... o vírus evoluiu ... e nós não...
    Mas entendo perfeitamente a sua mensagem, Fê! Apenas creio que numa altura como esta... devemos respeitar o medo, pois ele faz-nos repensar, entre o que queremos fazer, o que se pode fazer, o que nos apetece fazer... e o que realmente precisamos mesmo de fazer para evitar problemas... ainda que tal, nem sempre se revele muito calmante... é que o paradigma de todas as circunstâncias mudou... precisamos todos de apanhar sol, por exemplo... então... acabamo-nos todos por esbarrar uns nos outros a fazer tal, num lugar apetecível... para mim e para mais umas centenas... No momento... acho que é mesmo tempo de sabermos conviver a sós... connosco, e também com a nossa segunda pele... os nossos medos... confinamento também é isso... é isolarmo-nos... e aguentarmos tal embate... físico, emocional... vergarmo-nos perante o mesmo... mas recusando-nos a quebrar... seja por pura teimosia... ou realmente por se finalmente perceber, que em tal assenta a verdadeira... e saudável sobrevivência...
    Beijinhos, Fê! Bom domingo!
    Ana

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    1. Obrigada Ana, pela sua excelente contribuição !
      Uma coisa é o medo de apanhar o vírus e ter todos os cuidados para não o apanhar e contagiar outros. Isso eu faço, pois tenho condições para isso, estou em casa, só saio uma vez por semana para fazer compras e nada mais.
      Outra coisa é o medo generalizado, ansioso, patológico até, que está a ser exacerbado de modo negativo, principalmente pelos meios de comunicação e por opiniões contraditórias de comentadores não especializados.
      Tem que haver coerência e informação rigorosa, para que nos sintamos minimamente confiante.
      O meu medo, aquele que eu quero libertar, é o medo da incompetência que vejo em lugares que deviam ser exemplos de eficiência. Enfim...querida Ana, tudo isto daria horas de conversação...

      Beijinho grato, com muita saúde e uma feliz semana !


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  17. É muito difícil nos libertar do medo mas um esforço é válido.
    Obrigada pela gentil visitinha, Fê.
    Lindo domingo.
    Um carinhoso abraço.
    Verena.

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    1. Gostei muito de a rever aqui, Obrigada Verena.
      A sensação de medo está presente em quase tudo e isso é assustador.

      Um beijinho e bom fim de semana


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  18. Gostei da citação, do poema e da ideia de nos libertarmos do nosso medo.
    um beijinho e uma boa noite

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  19. Oi Fê
    Gostei do modelo da nova página. Pretendo sempre que puder ,dar-lhe mais que 5 minutos :))
    E o poema verdadeiro_ infelizmente o medo é isso aí- nos sufoca mas não podemos ter liberdade e sair por aí,achando que não precisamos ter medo. O momento é obscuro e intranquilo. O medo ajuda permanecer em atenção redobrada.
    Tenho presenciado muitos que não tem medo e ainda fazem deboche que quem tem, só que o medo provoca mais cuidados com o outro e por isso estou preferindo sentir medo do momento que vivemos. Não paralisar, mas atentar para o mal que nos ronda. E cuidar!
    Boa semana, Fê
    abraço porque aqui podemos sentir-nos abraçadas. Pela amizade e pela boa companhia.

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    1. Bem-vinda, Lis

      É isso , temos que saber distinguir o medo que nos protege, saquele que nos aprisiona.
      Muitas vezes se confundem e ai a coisa fica complicada.
      Quem vive agora proclamando que não tem medo, não tem é respeito por si e principalmente pelos outros.

      Retribuo o abraço com amizade e também apreciando a sua companhia.
      Um beijinho e bom fim de semana

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  20. Sou medrosa desde sempre. Tenho medo até do meu medo.
    Neste tempo sem tempo, assustador e sufocante, felizmente tenho estado serena.
    Belo poema!
    Beijo.

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    1. Teresa,
      Continue assim, serena, faz bem !

      Beijinho e obrigada !

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  21. ..." quando ele chega ao coração, maliciosamente
    apertando-o
    gritamos!"

    Olá, querida amiga Fê!
    Muito verdadeira sua poesia de requinte.
    Esteja bem, amiga.
    Beijinhos

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Prometo ser tão breve quanto a minha saúde e disponibilidade o permitir.
Obrigada, por me darem 5 minutos do vosso tempo.