domingo, 29 de agosto de 2021

" Requiem for a Dream "

Tem que haver uma terra mais bela que esta
 onde gentes de todos os credos e cores , possam viver em paz !

 Ah, como seria belo este sonho, que vejo através das lentes de cristal__ desta terrível tragédia.

__Fê blue bird __



"O som dos verdes rastros está na chuva
Chega até nós desde a estrada
Almas sedentas e saias empoeiradas chegaram do deserto
Seu hálito ardente e a miragem-fundida
De suas bocas secas e cobertas de pó
Nos chegam, agora, desde a estrada
Seus corpos atormentados, meninas criadas na dor
A alegria longe de seus rostos
Corações velhos e repletos de rachaduras
Não surgem sorrisos nos oceanos inóspitos de seus lábios
Nem uma lágrima brota do seco canal de seus olhos
Oh, Deus!
Poderia ignorar se seus gritos surdos que saltaram do céu,
Alcançassem as nuvens?
O som dos verdes rastros permanece na chuva."

poema - PRANTO SURDO -  Nadia Anjuman (Afeganistão, 1980-2005)

imagem- Shamsia Hassani 


 *

domingo, 22 de agosto de 2021

"Meu Olhar Espiritual na Pandemia"

Foi com imenso prazer, que aceitei o convite interactivo e fraterno, proposto pela minha querida amiga Rosélia Bezerra, para comemorar o 12º aniversário do seu blogue  ESPIRITUAL-IDADE. 

O tema reflexivo proposto, "Meu Olhar Espiritual na Pandemia" 

Preciso de estar só, oriento o jantar, e saio avisando que vou dar uma pequena volta. Entro no carro e minutos depois estou na praia, a que chamo minha, pois está quase sempre deserta,  felizmente hoje não é excepção.

Está um entardecer quente e sereno, diferente dos últimos dias agitados pelo vento norte, o sueste a fazer-se sentir.

Caminho descalça, sentindo os grãos de areia e as conchas perdidas, as ondas no seu vaivém constante, refrescam as minhas pernas cansadas.

Penso nestes estranhos tempos, na humanidade, nos meus, e em mim.

A minha alma tem estado ultimamente em desabrigo. Não tem porta, nem paredes, nem telhado, e muitas vezes nem chão. O choro e o sorriso misturam-se, escondidos por detrás da máscara protectora, e o meus olhos estão embaciados pelas imagens diárias de caos e terror. 

- Para onde caminhamos, meu Deus, qual o sentido de tudo isto ?

Preciso urgentemente de uma orientação, um sinal, que me indique que não estou perdida.

A areia começa a machucar-me os pés,  o cansaço, ou talvez o desânimo, fazem-me cair de joelhos. 

Curvo-me, ponho as mãos no peito, fecho os olhos e peço. . .


DIVINDADE, DEUS, PAI, MÃE NATUREZA


No silêncio desta noite que se agora se inicia, peço-Vos humildemente:

Orientação, Sabedoria e Coragem, para que a Humanidade reencontre o Caminho perdido.

Peço-Vos Perdão, pelas nossas fraquezas, faltas e atrocidades,

e pelos descasos e agressões com que temos tratado a Mãe Natureza.

Que o nosso Coração se encha de Luz, Bondade e Alegria,

para que a Vossa presença se faça sentir, a tudo e a todos que de nós se aproximem.

Revistam-nos com a Vossa Beleza e Paz,

 e que o AMOR seja, hoje e sempre, o Elo Que Nos Une.

Amém.
Namastê.
Assim seja !


Impulsionada por uma força desconhecida, levanto-me e elevo os olhos ao Céu agradecida, por ver a mais bela Luz que alguma vez vi,

- A LUZ DA PRÓPRIA VIDA ! -



Fê blue bird- foto e texto

*
Para si, amiga querida Rosélia, com todo o meu carinho.


O meu acróstico,  sob o olhar bondoso, da minha amiga Rosélia:

F iel nas amizades

E ntusiasma com bondade

R aridade no trato finíssimo

N ão desiste de nós

A humildade lhe pertence

N ada lhe deixa vencida

D a vida dura de obstáculos

nimada, faz partilha enriquecedora